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2019-05-13T22:49:31-03:00
Natalia Gómez
Natalia Gómez
Dois anos depois do "Joesley Day"

Lucro da JBS mais que dobra no primeiro trimestre com câmbio favorável

Resultado do frigorífico controlado pela família Batista foi de R$ 1,09 bilhão, alta de 116% ante o primeiro trimestre de 2018

13 de maio de 2019
22:49
JBS
Imagem: shutterstock

Passados quase dois anos do "Joesley Day", como ficou conhecido o dia da revelação da bombástica delação premiada do dono da JBS, os negócios da empresa vão muito bem, obrigado. A JBS teve lucro líquido de R$ 1,09 bilhão no primeiro trimestre de 2019, alta de 116% ante o mesmo período de 2018.

O resultado foi ajudado pelo efeito do câmbio sobre as operações no exterior e sobre as exportações. O lucro veio acima do esperado pelos analistas, que previam lucro líquido de R$ 464,5 milhões, de acordo com a Bloomberg.

A receita líquida da empresa de alimentos controlada pela família Batista avançou 11,5% para R$ 44,3 bilhões no trimestre, com avanço em todas as unidades de negócios, tanto no exterior quanto no Brasil. Segundo a companhia, a desvalorização média do real frente ao dólar no primeiro trimestre foi de 14%.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) somou R$ 3,19 bilhões, alta de 14,4% frente aos primeiros três meses do ano passado. A margem Ebitda foi de 7,2%, ligeiramente acima da margem de 7% do primeiro trimestre de 2018.

Dívida e investimentos

A dívida líquida da JBS fechou março em R$ 48,7 bilhões, 7% acima da dívida líquida de R$ 45,5 bilhões de um ano antes. A alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ficou em 3,20 vezes, enquanto no ano anterior era de 3,24 vezes.

No final do primeiro trimestre, a empresa tinha R$ 14,8 bilhões em disponibilidades, incluindo as linhas de crédito pré-aprovadas. Este valor representa quase cinco vezes o endividamento de curto prazo, segundo a JBS.

Os investimentos realizados (capex) no primeiro trimestre atingiram R$ 754,1 milhões.

Fatiando os resultados

Olhando os resultados da JBS por diferentes negócios, o destaque ficou por conta do crescimento da receita em todas as operações, inclusive no Brasil.

Os negócios da Seara registraram uma alta de 5,6% na receita líquida, para R$ 4,19 bilhões. Segundo a empresa, o avanço se deve ao aumento dos preços de venda tanto no mercado doméstico quanto no mercado internacional, que foi de 16,6%, em média.

O Ebitda da Seara no atingiu R$ 278 milhões, queda de 15,8%. O custo dos produtos vendidos cresceu 4%.

JBS Brasil foi bem

A operação da JBS Brasil mostrou aumento de 7,4% na receita líquida do primeiro trimestre, chegando a R$ 6,76 bilhões. Segundo o relatório divulgado hoje, o crescimento foi mais impulsionado pelas vendas no mercado externo, que responderam por 44% das vendas da unidade e cresceram 14% em receita líquida, com ajuda de melhores volumes e preços.

Já no mercado doméstico o crescimento da receita foi de 2,7%.

O Ebitda desta operação foi de R$ 195 milhões, revertendo Ebitda negativo de R$ 100,9 milhões um ano antes. O custo dos produtos vendidos pela JBS Brasil subiu 2,8%.

E as operações no exterior?

A operação da JBS de carne bovina nos Estados Unidos, Austrália e Canadá apresentou receita líquida de R$ 18,8 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O Ebitda da JBS USA Beef foi de R$ 986,6 milhões, queda de 3,6%, enquanto o custo dos produtos vendidos subiu 16,3%.

De acordo com a companhia, os resultados nos Estados Unidos foram afetados por eventos climáticos que impactaram as atividades de entrega e abate de bovinos em algumas de suas unidades.

A empresa destacou, no entanto, que a demanda continua crescendo enquanto a capacidade da indústria permanece estável, o que cria um cenário positivo para os próximos trimestres nos Estados Unidos. Sobre a operação australiana, a JBS destacou maiores exportações para China e Coreia do Sul.

No segmento de suínos nos Estados Unidos, a receita líquida somou R$ 5,03 bilhões, alta de 5,9% na comparação anual. O Ebitda cresceu 32,7% para R$ 588,5 milhões, enquanto o custo dos produtos vendidos subiu 2,2%.

Já a Pilgrim’s Pride teve receita líquida de R$ 10,2 bilhões, alta de 15,3%, também beneficiada pelo efeito cambial.

Bola cantada

Assim como outras empresas do setor já anteciparam, a JBS também espera colher os efeitos positivos do surto de febre suína africana na China. Segundo a empresa, já foi possível capturar aumentos de preço no final do trimestre, e os efeitos devem se intensificar nos próximos meses, atingindo todas as proteínas animais produzidas pelo Brasil, tanto no mercado interno quanto externo.

No primeiro trimestre, as notícias sobre a febre suína promoveram um aumento no preço à vista e futuro dos animais vivos no período também nos Estados Unidos, de acordo com o relatório da JBS.

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