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2019-08-02T10:46:43-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
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Com emoção ou sem emoção? Por que você deve prestar atenção à volatilidade dos investimentos

Na hora de investir, não basta olhar para o retorno. Como você vai chegar lá também importa!

2 de agosto de 2019
5:30 - atualizado às 10:46

Você é daqueles que só olha para a rentabilidade antes de escolher um investimento? Pois saiba que este é apenas um dos fatores a se considerar ao montar a sua carteira, pois como você vai chegar naquele retorno importa, e muito! No vídeo a seguir, eu vou falar sobre um desses fatores, a volatilidade, e mostrar a enorme diferença que ela pode fazer na sua vida de investidor.

Leia a transcrição do vídeo sobre a importância de avaliar a volatilidade dos investimentos

Na hora de escolher um investimento, não é só para o retorno, potencial ou histórico, que a gente deve olhar. Há uma série de fatores a se levar em conta. Por exemplo, você corre risco de tomar um calote? Pode ter dificuldade de reaver o seu dinheiro no meio do caminho? Pode perder parte dos seus recursos na empreitada?

Outra questão a se considerar é, digamos assim, quanta emoção o investimento que você está namorando pode gerar. Levando em conta o prazo disponível e os seus objetivos financeiros, quanto será que o preço desse ativo pode oscilar, se é que ele oscila? Volatilidade: e eu com isso?

Nem todos os retornos são criados do mesmo jeito. Dizer que dois investimentos diferentes renderam 7% ao final de um ano não diz nada sobre a natureza deles. Um pode praticamente só ter valorizado lentamente ao longo daqueles 12 meses, resultando numa alta de 7% sem sobressaltos. O outro pode ter desvalorizado 15%, depois ter subido 30%, e assim por diante, num movimento intenso de altos e baixos até totalizar uma alta de 7% ao final de um ano.

A diferença entre esses dois investimentos está na volatilidade. Ativos voláteis são aqueles cujos preços oscilam com muita intensidade e frequência. Ativos cujos preços oscilam pouco ou sem muito sobe e desce são considerados pouco voláteis. A volatilidade não chega a ser sinônimo de risco, mas é utilizada como medida de risco, que é aquela probabilidade de você obter um retorno diferente do inicialmente esperado, ou até de perder dinheiro.

Ou seja, muita volatilidade em geral está associada a mais risco. E por que olhar para ela é importante? Bem, ativos cujos preços passam por muito sobe e desce podem te trazer surpresas negativas. Para você aceitar essa montanha-russa, é razoável que o ativo mais volátil também tenha um potencial de rentabilidade maior que os ativos menos voláteis. Além disso, você não vai querer expor a uma volatilidade intensa aquele dinheiro que você pode querer resgatar a qualquer momento, ou que você vai precisar em uma data certa para honrar algum compromisso - por exemplo, a grana que você vai usar para pagar a sua festa de casamento.

Os ativos mais voláteis em geral são aqueles que dão uma apimentada na carteira de investimentos. São as apostas de longo prazo, nas quais você investe inicialmente sem uma data certa de resgate e para tentar ter altos retornos. Num primeiro momento, eles não são indicados para honrar os seus compromissos do dia a dia, mas sim para construir o seu patrimônio. O ideal, geralmente, é que você vá migrando de aplicações mais voláteis e arriscadas para aplicações menos voláteis à medida que você for se aproximando da sua aposentadoria.

Uma coisa importante para você ficar atento é justamente o caminho que os seus investimentos estão fazendo. Se você tem um ativo, por exemplo, que oscila muito, mas no fim das contas sempre rende o mesmo que a renda fixa mais tranquilinha, ou até menos, talvez seja hora de reconsiderar a presença dele na sua carteira. Esse tipo de situação requer uma avaliação, porque não vale a pena passar por tantos altos e baixos para no final ter o mesmo retorno que você conseguiria tomando água de coco na praia.

Em tempo: existe uma ideia muito disseminada de que investimentos de renda fixa são pouco voláteis, mas alguns têm uma volatilidade muito alta, como é o caso de alguns títulos públicos e debêntures de longo prazo. Além disso, a volatilidade não mede todos os tipos de risco, como o risco de crédito ou de liquidez. Então fique atento na hora de investir, ok?

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