Otimista com a Previdência na CCJ, Ibovespa fecha em alta de mais de 1%
Apostando suas fichas na aprovação da admissibilidade da reforma da Previdência pela CCJ ainda hoje, o Ibovespa operou no campo positivo desde o início do dia, retornando ao nível dos 95 mil pontos

Os mercados brasileiros começaram a terça-feira com apenas um assunto em mente: a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Afinal, a admissibilidade da reforma da Previdência poderia finalmente ser votada pelo colegado, após os atrasos da semana passada.
E embora o pregão tenha terminado sem que o tema tenha sido colocado em votação — às 17h, os deputados da oposição e da base aliada ainda estavam trocando farpas na CCJ —, o comportamento do Ibovespa, do dólar à vista e da curva de juros mostram que o mercado está confiante que a aprovação irá ocorrer ainda hoje.
O principal índice da bolsa brasileira, por exemplo, manteve-se em alta superior a 1% durante quase todo o pregão, fechando o dia com ganhos de 1,41%, aos 95.923,24 pontos — na máxima, tocou os 96.315,40 pontos (+1,83%). O dólar à vista recuou 0,28%, a R$ 3,9219, após passar a manhã no campo positivo.
Brasília em foco
As sinalizações de que o governo e os deputados do centrão costuravam um acordo para viabilizar a votação da reforma na CCJ trouxeram bom humor aos mercados — e deram força ao Ibovespa durante a manhã. E a confirmação desse trato, no início da tarde, consolidou o clima de otimismo.
Pouco antes do início da sessão da CCJ, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), anunciou o fechamento do acordo com todos o partidos, excluindo a oposição, para que o parecer do relator Marcelo Freitas (PSL-MG) sobre a admissibilidade da reforma seja votado hoje — em troca, o relatório de Freitas iria propor a alteração de alguns pontos do texto enviado pelo governo.
Leia Também
"O noticiário [em relação à CCJ] vem bom desde ontem, com sinais positivos no geral", diz Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos, destacando que, em meio ao otimismo do mercado, a maior parte dos papéis que compõem o Ibovespa fechou no campo positivo nesta terça-feira.
Apesar de a votação em si não ter ocorrido enquanto os mercados estavam abertos, o andamento das discussões na CCJ também serviu para aumentar a confiança do mercado. O presidente do colegiado, Felipe Francischini, adotou um tom mais rígido nesta terça-feira, respondendo com rapidez aos questionamentos da oposição e não abrindo espaço para que os debates se prolongassem muito.
Estresse menor
Além do cenário ligado à reforma da Previdência, a notícia de que os caminhoneiros descartaram a chance de uma nova paralisação também contribui para trazer tranquilidade à bolsa, conforme destaca Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset.
Ontem, cerca de 30 representantes da categoria estiveram reunidos com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, na sede da pasta em Brasília. Ao deixar o encontro, eles afirmaram que as bases "foram acalmadas" com a promessa de que o governo vai fiscalizar o cumprimento da tabela de preços mínimos para o frete rodoviário.
Por fim, o tom positivo das bolsas americanas ajudou a dar força ao Ibovespa. Em Nova York, o S&P 500 avançou 0,87%, aos 2.933,28 pontos, e o Nasdaq teve ganho de 1,32%, aos 8.120,82 pontos — ambos atingiram novos recordes históricos de fechamento.
O bom desempenho visto nos mercados acionários dos Estados Unidos está relacionado às surpresas positivas da temporada de balanços corporativos: as ações do Twitter, por exemplo, subiram mais de 15% hoje após a empresa reportar receita e lucro líquidos acima do esperado por analistas no primeiro trimestre deste ano.
Dólar forte no exterior
O dólar até fechou o dia em queda, mas não acompanhou o alívio visto no Ibovespa. E isso porque, lá fora, o dia foi de fortalecimento da moeda americana.
Cândido, da Guide, destaca que o índice DXY — que mede o desempenho do dólar ante as principais divisas globais — operou em alta firme desde o início do dia. A moeda americana também ganhou terreno ante as divisas emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso colombiano.
Nesse contexto, o dólar operou em alta ante o real durante a primeira metade do pregão, só invertendo a tendência após a confirmação do acordo para a votação da admissibilidade da reforma da Previdência na CCJ ainda hoje. Apesar disso, a moeda americana ainda encontra-se acima da faixa de R$ 3,90.
Já as curvas de juros tiveram baixas expressivas, também refletindo o otimismo do mercado em relação à aprovação da reforma da Previdência. Os DIs para janeiro de 2020 recuaram de 6,44% para 6,425%, e os DIs para janeiro de 2021 caíram de 7,01% para 6,96%. Entre as curvas longas, as com vencimento em janeiro de 2023 foram de 8,20% para 8,12%, e as para janeiro de 2025 tiveram queda de 8,75% para 8,65%.
Petrobras avança
As ações da Petrobras operam em alta nesta terça-feira, em meio ao reajuste de R$ 0,0396 no preço do litro da gasolina. Tanto os papéis ON quanto os PN da estatal tiveram ganho de 0,8%.
Os ganhos exibidos pelo petróleo no exterior também ajudaram a dar sustentação aos ativos da Petrobras: o WTI teve alta de 1,14% e o Brent avançou 0,63%, ainda em meio às sanções impostas pelo governo americano ao petróleo do Irã.
Frigoríficos seguem fortes
As ações dos frigoríficos continuam na ponta positiva do Ibovespa, ainda em meio à percepção de que o surto de peste suína africana na China poderá aumentar a demanda do país asiático por proteína animal. Marfrig ON liderou os ganhos do índice, com alta de 6,97%, seguida por BRF ON (+6,86%) — JBS ON fechou em alta de 3,84%.
Bancos se recuperam
O otimismo do mercado em relação ao avanço da tramitação da reforma da Previdência deu forças às ações do setor bancário, em especial Bradesco PN (+2,43%), Itaú Unibanco PN (+1,28%) e Banco do Brasil ON (+2,01%).
Com o desempenho de hoje, os papéis do Bradesco e do Banco do Brasil zeraram as perdas acumuladas no mês; já as ações do Itaú Unibanco seguem registrando queda de mais de 3% em abril.
Otimismo antes do balanço
As ações ON da Cielo (+4,11%) também despontaram entre as maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira — a empresa divulga seus resultados trimestrais hoje, após o fechamento dos mercados.
Apesar do bom desempenho, analistas consultados pela Bloomberg estimam que o lucro líquido da companhia no primeiro trimestre deste ano deva ficar em R$ 588,4 milhões, o que, se concretizado, representaria uma queda de 36,9% ante o resultado do mesmo período de 2018.
DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA