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Atento ao julgamento no STF sobre as privatizações, o Ibovespa ganhou força e recuperou os 97 mil pontos. O dólar fechou em queda, acompanhando o movimento da moeda americana no exterior
A sabedoria popular nos ensina: não há nada como um dia após o outro. E o Ibovespa que o diga.
Ontem, o principal índice da bolsa brasileira perdeu força na reta final do pregão e mergulhou aos 95 mil pontos, influenciado pelo noticiário político. Mas, nesta quinta-feira (6), o movimento foi o oposto: o Ibovespa ganhou força no meio da tarde, recuperando os 97 mil pontos — e a política, novamente, foi o gatilho.
Os olhos do mercado estiveram atentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) — a corte retomou hoje o debate sobre a necessidade de autorização do Congresso para a venda de empresas estatais. E, embora o julgamento ainda não estivesse concluído no encerramento do pregão, os agentes financeiros gostaram do que viram nesta tarde.
Até o encerramento das negociações desta quinta-feira, o placar do julgamento indicava, em tese, quatro votos favoráveis à venda sem necessidade de lei — outros três sinalizavam a obrigatoriedade de aval do Legislativo. Ao todo, o STF possui 11 ministros.
Apesar de a discussão ainda estar em aberto e de os votos dos ministros permitirem diferentes interpretações, o mercado assumiu uma postura otimista, apostando que os ministros irão dar luz verde para a venda das estatais. E, nesse cenário, o Ibovespa ligou o turbo, recuperando-se do tombo de ontem.
O índice, que passou boa parte do pregão perto da estabilidade, terminou o dia em alta de 1,26%, aos 97.204,85 pontos — na máxima, chegou aos 97.461,97 pontos (+1,52%). As ações de empresas estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras, tiveram ganhos firmes.
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O dólar à vista também teve um dia de alívio e fechou em queda, terminando a sessão com baixa de 0,30%, a R$ 3,8831. O comportamento da moeda americana, contudo, esteve mais associado aos rumos do mercado de câmbio no exterior, sendo pouco afetado pelos rumos do julgamento do STF.
Apesar da alta firme registrada pelo Ibovespa ao fim do dia, grande parte da sessão foi marcada por um ritmo moderado de alta. E isso porque as movimentações recentes em Brasília diminuíram parte do otimismo do mercado em relação à tramitação da reforma da Previdência.
Ontem, por exemplo, a sessão da Comissão Mista do Orçamento (CMO) que votaria a concessão de um crédito extra de R$ 248,9 bilhões ao governo foi suspensa, em meio aos desentendimentos entre os deputados.
A dificuldade para a aprovação de uma medida importante para a gestão Bolsonaro elevou a apreensão quanto ao futuro da revisão das regras para a aposentadoria — e o adiamento da entrega do parecer do texto na comissão especia da Câmara, Samuel Moreira, para a próxima semana, contribui para elevar a prudência.
"A empolgação da semana passada está começando a ser dissipada, e já estamos vedo uma acomodação maior", diz Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos. "Os mercados começam a se dar conta que ainda tem muita água para passar por baixo da ponte, tanto aqui quanto lá fora".
Cândido pondera que, em meio às incertezas, o Ibovespa tem apresentado um comportamento oscilante, mostrando dificuldade para ir muito além da faixa dos 97 mil pontos. Quanto ao dólar, o economista da Guide vê um suporte ao redor dos R$ 3,85.
Lá fora, os mercados assumiram um tom semelhante: começaram o dia perto do zero a zero, mas aceleraram na reta final da sessão. O Dow Jones (+0,71%), o S&P 500 (+0,61%) e o Nasdaq (+0,53%) fecharam no campo positivo — e o noticiário referente à guerra comercial foi o responsável por aumentar o otimismo nas bolsas americanas.
Segundo a Bloomberg, o governo americano estuda adiar a adoção de tarifas de importação contra produtos do México, em meio às conversas entre as autoridades dos dois países em relação ao fluxo de imigrantes ilegais. A notícia trouxe algum alívio às negociações, mas não dissipou completamente a tensão lá fora.
E isso porque o presidente americano, Donald Trump, alertou o governo chinês sobre outro possível aumento de tarifas, embora tenha mencionado desdobramentos "interessantes" das discussões comerciais entre Washington e Pequim. E, nesse cenário, o dólar perdeu força em escala global.
A moeda americana perdeu força ante as principais divisas do mundo e recuou na comparação com a maior parte das emergentes, caso do rublo russo, peso colombiano, peso chileno e dólar neozelandês. Assim, esse contexto global serviu como base para que o real ganhasse força nesta quinta-feira.
Por aqui, as curvas de juros acompanham o dólar e também devolvem parte do movimento de ontem. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caem de 6,48% para 6,44%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuam de 7,44%para 7,35%, e as para janeiro e 2025 vão de 8,01% para 7,91%.
Em meio à expectativa em relação ao julgamento no STF, as ações de empresas estatais subiram em bloco e puxaram o Ibovespa ao campo positivo.
As ações PN da Petrobras (PETR4) fecharam em alta de 1,62%, enquanto as ONs (PETR3) subiram 1,57% — os papéis exibiam desempenho levemente negativo durante a manhã. Banco do Brasil ON (BBAS3), Eletrobras ON (ELET3) e Eletrobras PNB (ELET6) tiveram ganhos de 2,54%, 3,71% e 3,01%, nesta ordem.
A Petrobras possui duplo interesse na sessão d STF, já que também está em discussão a validade de uma decisão concedida pelo ministro Edson Fachin, barrando a venda da TAG.
A Via Varejo partiu para a briga no setor de bancos digitais e lançou o banQi, um serviço voltado às classes C, D e E — a ideia é aproveitar a alta capilaridade das Casas Bahia para conseguir um crescimento rápido na base de clientes dessa nova iniciativa.
E o mercado reagiu bem à notícia, embora ainda tenha dúvidas quanto à iniciativa: as ações ON da Via Varejo fecharam em alta de 6,45%, a R$ 4,95, liderando os ganhos do Ibovespa.
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