Luciana Seabra
Advogada do Investidor
Luciana Seabra
É CFP®, especialista em fundos de investimento e sócia da Empiricus
2019-04-20T16:03:19-03:00

SPX, muita tempestade para pouca água: saem 2 sócios, ficam 29 (e principalmente uma cultura)

Deixe os rumores de lado e mantenha sua posição nos disputados fundos da gestora carioca, que administra R$ 36,7 bilhões

12 de fevereiro de 2019
14:09 - atualizado às 16:03

Pergunte a um alocador de patrimônio sério uma gestora brasileira que ainda vai existir daqui a 50 anos. Posso apostar que o nome da SPX vai aparecer. A casa é reconhecida pela cultura empresarial forte (rara nesse mercado) e pela distribuição de risco entre os sócios principais: Rogério Xavier nos juros, Bruno Pandolfi no câmbio, Leo Linhares na Bolsa. Não é à toa que gere R$ 36,7 bilhões de patrimônio – só não mais porque controla o fluxo para os fundos, que passam a maior parte do tempo fechados.

Por isso surpreende o barulho feito sobre a saída recém-anunciada pela casa de dois sócios que nem sequer fazem parte da lista acima: Marcio Albuquerque e Sebastian Lewit.

Os dois estavam na equipe desde a fundação, há oito anos, e, claro, tinham sua importância na rotina de gestão, porém limitada: Sebastian discutia estratégias para os juros brasileiros com Rogério, Marcio para o câmbio com Pandolfi. O primeiro tinha um pequeno limite de risco para tomada de decisões, o segundo não.

De forma geral, na SPX, uma área, sob comando de um dos gestores mais sêniores, tem nove pessoas, divididas em unidades formadas por um trader, um estrategista e um executor. A estrutura faz da SPX uma gestora descentralizada, com vários nomes de destaque, sendo essa uma de suas marcas.

Tomando concorrentes como referência, a Adam, por exemplo, é mais concentrada na figura de Marcio Appel. E a Verde, na de Luis Stuhlberger. Ainda que a figura principal da SPX seja Xavier, é público e notório que a gestora vai além dele e tem processos próprios. É um ponto que joga a favor da perenidade da casa.

Em cada mercado, aí sim há concentração no gestor especialista. "Cada diretor tem a responsabilidade final do risco. Eu posso querer delegar parte do risco para as pessoas que estão embaixo de mim, mas a decisão final sobre juros na SPX é minha; de moedas, do Bruno; de ações, do Leo. E isso sempre foi claro pra todo mundo", diz Xavier.

De fato, a cultura da SPX é bem conhecida e serve de modelo para outras casas. Se Pandolfi e Xavier – que formam com Daniel Schneider, comercial da gestora em Londres, a sigla da SPX – decidirem deixar a casa um dia, aí sim se justifica algum choro e ranger de dentes. Ainda que seja essa a única gestora de multimercados brasileira para a qual se possa questionar: não será a cultura suficientemente forte para sobrepor as pessoas?

Para Marcio e Sebastian, claramente há uma boa dose de exagero em quem tentar afirmar o contrário. Tanto que grandes alocadores no fundo, como o Itaú, foram muito rápidos em manifestar que mantiveram as posições nos fundos inalteradas.

Apegue-se ao seu Nimitz

Mais do que o desejo de criar manchetes sensacionalistas,  o que realmente importa agora é o que você, investidor, deve fazer com seu Nimitz ou Raptor. Minha sugestão é que você deixe os rumores de lado – tanto de mudança de equipe, quanto de retorno recente – e mantenha sua posição. A SPX tem 125 pessoas no total, 29 são sócios. Saíram dois, que nem são os mais importantes.

As saídas de Marcio e Sebastian também levantaram questões sobre a concentração de participação em alguns dos sócios da SPX, que desestimularia a equipe. "Não é nossa intenção concentrar as ações", afirma Xavier, mas pondera que, depois de vendidas ações para um sócio minoritário é muito difícil recomprá-las. Por isso é preciso ter margem para estimular novas pessoas da equipe, especialmente no projeto de internacionalização da casa. A SPX tem escritório no Rio, em São Paulo, em Londres e em Washington.

Na contramão, estou atenta a duas outras notícias. Beny Parnes, economista-chefe da casa, que chegou a ser cotado para uma vaga no governo Bolsonaro, acaba de tomar a frente de uma área de crédito global. É uma ótima notícia, não somente pela possibilidade de se posicionar nesse mercado, o que deve acontecer aos poucos, como também pelos insumos para a tomada de risco na gestora como um todo.

O aperto nas condições financeiras de crédito contribuíram, por exemplo, para a mudança de postura do banco central americano no ano passado, aponta Xavier. O movimento pegou muitos gestores de surpresa na posição que aposta em elevações mais rápidas nos juros do país. "Nos sentimos com uma lacuna a ser preenchida", diz o sócio-fundador da SPX.

Gabriel Hartung, já da equipe, passa a ser o economista-chefe dedicado a Brasil. E fica a cargo de Parnes definir se haverá uma nova chefia para a área internacional.

Outra novidade é a chegada de Fernando Gonçalves, até então na Adam Capital, mas também com experiência no JPMorgan e na Gávea. Ela resulta da busca de alguém mais sênior para assumir a gestão de ações internacionais.

A propósito, o Nimitz ainda está aberto na Ágora, a corretora do Bradesco.

 

 

 

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

A Petrobras (PETR4) está a dois dias de ‘fechar as portas’ para os super dividendos: você tem até 11 de agosto — descubra se vale a pena comprar as ações para embolsar a bolada

9 de agosto de 2022 - 11:28

Depois do dia 11 de agosto, quem comprar as ações da Petrobras (PETR4) não terá mais direito à bolada de dividendos que a petroleira pagará; a analista Larissa Quaresma responde se comprar os papéis só pra receber a grana vale a pena

Market Makers

Precisamos falar de múltiplo: Saiba como identificar se uma ação está barata na bolsa

9 de agosto de 2022 - 9:34

Existem três formas de ganhar dinheiro com ações. Uma delas é com o crescimento do lucro por ação. Mas é preciso interpretar corretamente o múltiplo Preço/Lucro (P/L) de uma empresa

MERCADOS AO VIVO

Bolsa hoje: De olho em ata do Copom e inflação, Ibovespa opera próximo do zero a zero; dólar vira e passa a subir

9 de agosto de 2022 - 9:12

RESUMO DO DIA: Os investidores permanecem de olho nos dados de inflação dos Estados Unidos, divulgados na próxima quarta-feira (10). Por aqui, o Ibovespa reage aos dados do IPCA de julho e nas disputas políticas antes do início da campanha eleitoral oficial. Acompanhe por aqui o que mexe com a bolsa, o dólar e os demais […]

CAÇADOR DE TENDÊNCIAS

Oportunidade de lucro acima de 9% em swing trade com a Helbor (HBOR3); confira a recomendação

9 de agosto de 2022 - 8:26

Identifiquei uma oportunidade de swing trade – compra dos papéis da Helbor (HBOR3). Saiba mais detalhes

O melhor do Seu Dinheiro

Os sons do silêncio nas bolsas: Saiba como interpretar os ruídos dos mercados que mexem com os seus investimentos hoje

9 de agosto de 2022 - 8:24

De olhos e ouvidos atentos aos dados da inflação, investidores os juntarão ao quebra-cabeças da ata da última reunião do Copom

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies