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Queda no número de assinantes da companhia de streaming levaram ações a desabarem 35%; investimento dos fundos de Ackman havia sido feito há apenas três meses
E a jornada ladeira abaixo da Netflix (NFLX na Nasdaq e NFLX34 na B3) continua. Após os resultados decepcionantes da companhia de streaming no primeiro trimestre e seus planos para reverter o mau desempenho, o megainvestidor Bill Ackman resolveu zerar a sua participação na empresa, amargando uma perda estimada em US$ 400 milhões.
Em carta ao mercado e aos cotistas dos fundos da sua gestora Pershing Square na noite da última quarta-feira (20), Ackman esclareceu que vendeu toda a sua posição em Netflix no pregão de ontem. A compra de 3,1 milhões de ações pelos fundos geridos por Bill Ackman havia ocorrido apenas três meses antes.
Segundo Ackman relata na carta, as perdas com as ações resultaram em uma queda de quatro pontos percentuais no retorno dos fundos da Pershing Square no acumulado do ano. Com isso, os fundos acumulam uma queda de cerca de 2% em 2022.
As ações da Netflix desabaram mais de 20% no after hours, após a divulgação dos resultados da companhia na última terça-feira, 19 de abril. A retração no número de assinantes foi o dado que mais alarmou os investidores. Ontem os papéis tombaram 35%, e hoje continuam caindo mais 4%.
Na sua carta, Bill Ackman explica o porquê de ter pulado fora do barco da Netflix tão rapidamente. Segundo ele, o balanço do primeiro trimestre e as medidas tomadas pela empresa para reverter seu mau desempenho mudaram sua tese de investimento, alterando o que o gestor considera ser o valor intrínseco da companhia.
"Embora tenhamos em alta conta tanto a diretoria da Netflix quanto a notável empresa que eles construíram, à luz da enorme alavancagem operacional inerente ao modelo de negócios da companhia, as mudanças no crescimento futuro do número de assinantes podem ter um impacto potencializado sobre a nossa estimativa de valor intrínseco. Na nossa análise original, nós considerávamos essa alavancagem operacional positiva, devido à nossa expectativa de crescimento para a companhia no longo prazo", escreveu Ackman.
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Ele lembra que ontem, após a divulgação dos números decepcionantes de assinantes, a Netflix anunciou que modificaria seu modelo de assinatura, de forma a tentar monetizar, de forma mais agressiva, os clientes não pagantes, além de passar a adotar o modelo de anúncios, o que a diretoria acredita que levaria "apenas um ou dois anos" para implementar.
Ackman diz que, embora acredite que essas mudanças no modelo de negócios sejam sensatas, "é extremamente difícil prever o impacto delas no crescimento de longo prazo da companhia, suas receitas futuras, margens operacionais e necessidade de capital".
"Nós exigimos um alto grau de previsibilidade nos negócios nos quais investimos, devido à natureza altamente concentrada da nossa carteira. Embora o negócio da Netflix seja fundamentalmente simples de entender, à luz dos eventos recentes, nós perdemos confiança na nossa habilidade de prever o futuro da companhia com um bom nível de certeza", diz a carta.
O megainvestidor acrescenta que, dado o histórico de execução da companhia, ele não ficará surpreso se a Netflix continuar a ser um negócio altamente bem-sucedido e um excelente investimento.
A questão é que "a dispersão de resultados possíveis" no cenário atual - isto é, as incertezas em relação ao futuro da companhia - está grande demais para que seus fundos mantenham o investimento.
"Uma das coisas que aprendemos com nossos erros do passado foi a agir prontamente ao descobrir novas informações sobre um investimento que sejam inconsistentes em relação à nossa tese original", esclarece Ackman.
O megainvestidor finaliza o texto destacando que há boas oportunidades de investimento no mercado, devido ao forte aperto monetário por parte do banco central americano, o ambiente inflacionário, as incertezas geopolíticas e a alta volatilidade resultante desses fatores. Assim, o gestor espera alocar rapidamente os recursos resultantes da venda das ações da Netflix.
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