Para fundos que compram empresas, momento é bom para fazer negócio
Fundos que investem em participações em companhias para vendê-las com lucro posteriormente fecharam o ano passado com R$ 39,3 bilhões disponíveis para investir no Brasil

Com quase R$ 40 bilhões para investir no Brasil, os fundos que compram participações em empresas - conhecidos no mercado como "private equity" - veem o momento como atrativo para fazer negócios.
O objetivo desses fundos é adquirir participações em companhias com o objetivo de vendê-las com lucro posteriormente. A saída pode ocorrer, por exemplo, por meio de um IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações).
Trata-se de um negócio de alto risco justamente porque as empresas, em geral, estão fora da bolsa - ou seja, o gestor não pode se desfazer do negócio a qualquer momento. Mas o retorno costuma mais do que compensar nos investimentos bem sucedidos.
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Apesar das incertezas na economia, o risco de uma queda ainda maior no valor das empresas hoje é pequeno, segundo Fernando Borges, vice-presidente da Abvcap, associação do setor. "Fizemos praticamente todos os negócios no governo Dilma", lembrou o executivo, que também é representante do fundo americano Carlyle. No começo deste ano, a gestora anunciou a compra de uma participação na rede de restaurantes Madero.
Os fundos de private equity fecharam o ano passado com R$ 39,3 bilhões disponíveis para investir no Brasil, um aumento de 10,4% em relação a 2017. Os dados são de um levantamento feito pela Abvcap, a associação do setor, em parceria com a KPMG. Incluindo o capital aplicado nas empresas, o total de recursos dos gestores sobe para R$ 170 bilhões.
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A aprovação ou não da reforma da Previdência, que assusta a maioria dos investidores, não é um cenário binário para os fundos, disse Piero Minardi, presidente da Abvcap e responsável pela gestora Warburg Pincus no Brasil.
"Ninguém está deixando de fazer negócio, até porque não acho que a reforma seja o Santo Graal."
Por outro lado, uma eventual não aprovação das mudanças nas regras para a aposentadoria pode afetar o apetite dos investidores dos fundos de private equity, que hoje são principalmente estrangeiros, segundo Minardi. Do total de recursos disponíveis nos fundos, 66% são de investidores estrangeiros.
Além da Previdência, os fundos que investem em empresas estão de olho no programa de privatizações do novo governo. "Vamos olhar, tudo é uma questão de preço", afirmou o presidente do conselho da Abvcap, que promove hoje e amanhã seu evento anual com investidores, em São Paulo.
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