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Luciana Seabra
Advogada do Investidor
Luciana Seabra
É CFP®, especialista em fundos de investimento e sócia da Empiricus
2019-06-21T19:05:42-03:00
Advogada do investidor

Como livrar Aladdin das ciladas de Jafar e dos fundos de investimento

Aprenda a fugir de ciladas quando o seu banco ou sua corretora aparece com comparativos de fundos e tenta te vender um produto

30 de maio de 2019
6:04 - atualizado às 19:05
Aladdin
Imagem: Reprodução/ Disney

Há tempos eu não fazia tanta questão de ver um filme: comprei os ingressos um dia antes pra garantir um bom lugar, já deixei a pipoca e o refrigerante encomendados e saí com uma hora de antecedência de casa pra não correr o risco de perder o começo.

E lá estava eu cara a cara com Aladdin e Jasmine. Saí com aquela sensação de que somos muito fáceis de agradar na infância — à parte a pipoca, que segue sendo o melhor alimento já criado na Terra.

Mas, enfim, não será spoiler se eu te lembrar que Aladdin é enganado por Jafar e, se não fosse o Gênio da Lâmpada, teria morrido aprisionado na Caverna das Maravilhas, né? E eu pensando: o cara topa entrar na caverna escura cuja porta é uma boca de tigre falante em troca da promessa do personagem que claramente não é um bom sujeito de que vai ajudá-lo a conquistar o coração da princesa...

Parece surreal, mas eu poderia dizer que me sinto um pouco assistindo àquela cena ao ver as centenas de e-mails de comparativos de fundos que nossos leitores recebem de suas corretoras e bancos e nos encaminham todos os dias — alguns deles com uma pergunta que me dá muito orgulho: “Sei que tem algo de errado aqui, o que é?”.

Então decidi fazer um levantamento na coletânea de e-mails e identificar as três pegadinhas mais comuns. Vamos lá!

Tudo começa quando Aladdin decide que quer investir em um determinado fundo. Jafar não tem o produto na prateleira ou recebe pouca comissão por ele. Resultado: envia um e-mail dizendo que tem uma opção melhor e, para comprovar sua tese, anexa um gráfico. Afinal, os gráficos nunca mentem. Será? E se eu te disser que...

1. Jafar procura um período de tempo em que o fundo solicitado foi mal, produz um gráfico somente para ele e compara com algum produto de sua oferta que tenha desempenhado bem naqueles meses. Não precisa ser da mesma categoria, pode até ser um fundo de renda fixa, que rende em linha com o CDI, o importante é não ter caído.

Como você deve reagir? Pedindo para ver uma janela de tempo maior ou demandando uma comparação com um fundo da mesma categoria.

2. Jafar distribui centenas de fundos. Mesmo que o produto pedido venha se comportando muito bem, sempre haverá algum que ganhou mais dinheiro no ano focado em uma única estratégia.

Se tem sido um bom ano para o dólar, é a hora de sacar da gaveta aquele fundo cambial e jogar no gráfico. Se é a vez da Bolsa, é só comparar com o fundo passivo de Ibovespa. Se as expectativas para os juros têm caído, ele mostra aquele fundo que só compra NTN-B (Tesouro IPCA+).

Olhando pelo retrovisor é mole. Se você fosse vidente, aí o melhor mesmo seria se concentrar na bola da vez do ano. Como você não é, melhor diversificar.

Qual é a saída aqui? Identificar o ativo em que investe o fundo oferecido e questionar se há motivos para o futuro ser tão bom para ele quanto o passado. Já adianto: como a economia é cíclica, é provável que não.

3. Essa é tão absurda que prefiro pensar que é ignorância, e não maldade: Jafar compara o fundo em que você deseja investir com outro que tem Master no nome.

O Master, em geral, é um fundo que carrega a estratégia do fundo, mas ninguém investe diretamente nele. Ele é acessado por diferentes fundos (os chamados feeders). É comum que o Master seja taxa zero, já que o custo está no feeder.

O que Jafar faz? Compara o fundo proposto por você com o Master do fundo que ele oferece. Sem as taxas, a alternativa rende mais, é turbinada. Se você topar, o gestor não vai trabalhar de graça e, na prática, Jafar vai te oferecer um fundo de mesmo nome com taxa, que automaticamente vai render menos.

Duvida que isso acontece? Posso provar com um e-mail que recebi ontem mesmo, em que o gerente comparou o fundo desejado pelo cliente com o Master do Verde gerido por Luis Stuhlberger — o fundo não só desconsidera a taxa como está fechado para novos aportes. Ou seja, a alternativa era uma ficção.

Como reagir? Diga assim: “Eu quero investir nesse Master, arruma pra mim?”. Depois é só desmoralizar a farsa de Jafar mostrando que o nome do fundo em que ele pretende investir seu dinheiro de fato é diferente do que aquele que ele colocou no comparativo.

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