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2019-07-16T07:52:03-03:00
Estadão Conteúdo
O caminho da Libra

Facebook vai defender sua moeda digital no Congresso dos EUA

David Marcus, executivo do Facebook, repetirá o discurso de que o valor da libra não será lastreado em um único ativo, como as moedas nacionais, e sim em uma cesta de divisas fortes, incluindo dólar, iene, libra esterlina e euro

16 de julho de 2019
7:50 - atualizado às 7:52
Montagem do logo da Libra (Criptomoeda do Facebook Libra) em uma criptomoeda
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Facebook viverá nesta terça-feira, 16, um de seus primeiros embates regulatórios para transformar a libra, seu projeto de moeda digital, em realidade. Na tarde de hoje e ao longo do dia de amanhã, David Marcus, executivo responsável pela criptomoeda da empresa, vai depor no Congresso dos EUA. O objetivo é esclarecer as intenções da rede social ao criar sua própria moeda, buscando acalmar legisladores e também autoridades que já levantaram ressalvas contra a libra.

Desde o anúncio da libra (que não tem nada a ver com a moeda britânica) no mês passado, o Facebook tem enfrentado um fluxo constante de críticas e ceticismo de formuladores de políticas monetárias em todo o mundo. Eles citam preocupações sobre segurança de dados, lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor. Na semana passada, por exemplo, o presidente americano Donald Trump disse que a moeda do Facebook “não é dinheiro”. Na segunda-feira, 16, foi a vez do secretário do Tesouro americano, Steve Mnuchin, falar sobre o temor de que a moeda possa ser usada para lavagem de dinheiro.

Marcus divulgou o discurso inicial que fará perante os congressistas americanos. Ele dará depoimentos nos comitês do Congresso que supervisionam questões financeiras, nos quais vários membros sugeriram que a moeda seja barrada.

Ele planeja dizer que a empresa não lançará a libra até que as preocupações e aprovações regulatórias estejam totalmente resolvidas. A previsão inicial do Facebook, vale lembrar, era colocar a moeda em circulação no ano que vem. Marcus também deve prometer que a libra não está sendo construída para competir com moedas soberanas ou interferir em políticas monetárias. “A Libra Association, que administrará a reserva da libra, não tem intenção de competir”, escreveu Marcus, em referência à fundação criada pelo Facebook e outras 27 empresas, incluindo Uber, PayPal e Spotify, para gerir a moeda digital. “A política monetária é propriamente uma área dos bancos centrais.”

Quanto à suspeita de uso da libra para lavagem de dinheiro, Marcus também vai anunciar que a Libra Association pretende ser registrada como empresa de serviços financeiros em uma rede de investigação de crimes da área, seguindo as regras americanas contra lavagem de dinheiro.

Inovação

Outro argumento a ser usado pelo Facebook é a bandeira da inovação americana. “Estou orgulhoso de que o Facebook tenha iniciado esse esforço aqui nos Estados Unidos”, dirá ele no depoimento no Senado. “Acredito que se os EUA não liderarem a inovação na área de moedas e pagamentos digitais, outros o farão. Se deixarmos de agir, poderemos ver em breve uma moeda digital controlada por outros com valores dramaticamente diferentes.”

Marcus repetirá o discurso de que o valor da libra não será lastreado em um único ativo, como as moedas nacionais, e sim em uma cesta de divisas fortes, incluindo dólar, iene, libra esterlina e euro.

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