🔴 ONDE INVESTIR EM DEZEMBRO? VEJA RECOMENDAÇÕES GRATUITAS

Cotações por TradingView
Ricardo Gozzi
DEGRINGOLÂNDIA

Os EUA viraram uma república de bananas? O que se sabe até agora sobre a operação do FBI contra Donald Trump

Aliados de Donald Trump saíram-se com reações exacerbadas; Casa Branca exaltou respeito ao estado de direito

Ricardo Gozzi
10 de agosto de 2022
11:43 - atualizado às 19:27
estados unidos, eua, banana, trump
Os EUA estão virando uma república de bananas? Aliados de Donald Trump acham que sim. Imagem: Pixabay

Donald Trump continua despertando paixões nos Estados Unidos. E não é pela beleza de seu topete alaranjado. A operação promovida pelo FBI contra o complexo de Mar-a-Lago, na Flórida, desencadeou reações tão exacerbadas de republicanos quanto cautelosas de democratas.

O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ainda não se manifestaram sobre a batida policial. Acredita-se que a polícia federal norte-americana estivesse em busca de documentos confidenciais ou sensíveis supostamente levados por Trump quando deixou a Casa Branca.

Trump divulgou a visita do FBI ao complexo de Mar-a-Lago na noite de segunda-feira.

De acordo com Lindsey Halligan, advogada do ex-presidente, a operação contou com 30 a 40 agentes do FBI, todos com luvas, alguns de terno, outros vestidos casualmente, além de 10 a 15 viaturas e um caminhão alugado pela polícia federal norte-americana.

Esta foi a primeira vez na história dos Estados Unidos que um ex-presidente teve a casa revistada pela polícia.

Por que o FBI pode estar atrás de Donald Trump

O que se sabe até agora sobre a batida policial é que ela foi baseada em um mandado de busca e apreensão expedido pelo Departamento de Justiça dos EUA. O problema é saber qual investigação sobre Trump sustenta o mandado.

O ex-presidente norte-americano protagoniza uma série de problemas com a Justiça dos EUA.

O mais grave deles envolve o levante ocorrido em 6 de janeiro do ano passado. Na ocasião, eleitores de Donald Trump atacaram o Capitólio em uma tentativa desesperada de evitar a oficialização da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020.

Pelo menos cinco pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e mais de 800 acabaram indiciadas pelo episódio. No Congresso dos EUA, uma comissão tenta provar o envolvimento direto de Trump no motim.

Mas não é só.

O FBI investiga se, ao deixar a Casa Branca, Trump levou consigo documentos confidenciais contendo informações sensíveis e que deveriam ter sido devidamente arquivados.

Os questionamentos de Trump aos resultados das eleições de 2020 nos EUA também estão na mira do Departamento de Justiça.

Na Geórgia, um promotor investiga Trump e seus aliados por uma tentativa de interferência indevida no resultado da eleição no Estado em 2020.

Ontem, um tribunal federal de apelações acatou um pedido de congressistas norte-americanos para que tenham acesso aos misteriosos registros fiscais do ex-presidente.

Enquanto isso, Trump deve responder nos próximos dias aos questionamentos do procurador-geral de Nova York. A investigação envolve suspeita de fraude nos preços dos ativos ostentados por Trump.

Democratas defendem estado de direito e ‘justiça para todos’

Karine Jean-Pierre, porta-voz da Casa Branca, assegurou que o presidente Joe Biden não foi informado com antecedência da operação do FBI.

“O presidente ficou sabendo do assunto por meio de informes públicos”, disse ela. Ainda de acordo com a porta-voz, “ninguém na Casa Branca foi avisado antecipadamente".

Karine Jean-Pierre acrescentou que Biden promove um grande esforço para preservar a independência do Departamento de Justiça. "O presidente Biden acredita no estado de direito", acrescentou.

A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, disse à NBC News que "para obter um mandado, você precisa de uma justificativa razoável".

Na avaliação de Pelosi, a operação “mostra que ninguém está acima da lei, nem mesmo um presidente ou ex-presidente dos Estados Unidos".

Ao mesmo tempo, alguns representantes do Partido Democrata manifestaram preocupação de que o episódio sirva de combustível para Trump.

"Isso pode ser muito útil para ele, já que muitas pessoas ainda o apoiam no momento", disse à BBC Dave Aronberg, procurador estadual de Palm Beach, onde fica Mar-a-Lago. "Trump usará isso para recuperar seu status de mártir."

Aliados de Donald Trump reagem com indignação

Indiferentes aos frequentes problemas de Trump com a Justiça norte-americana, seus aliados reagiram com indignação à presença do FBI no complexo de Trump.

Políticos republicanos acusam o Departamento de Justiça de ter atuado com “motivação política”.

O ex-vice-presidente de Trump, Mike Pence, que se distanciou de Trump, exigiu que o secretário de Justiça dos EUA, Merrick Garland, forneça "uma prestação de contas completa" sobre a batida policial.

O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, seguiu na mesma linha. O Departamento de Justiça "já deveria ter fornecido respostas ao povo americano e deve fazê-lo imediatamente", exigiu.

No Congresso, aliados de Trump prometem abrir investigações parlamentares na Câmara e no Senado se vencerem as eleições de meio de mandato, programadas para novembro.

"Completo exagero", disse Lindsey Halligan, advogada de Trump. "Se eles precisavam de documentos, era só ter pedido."

O próprio Trump acusou o Departamento de Justiça de agir politicamente por causa de sua liderança nas pesquisas de intenção de voto com vistas a 2024. As mesmas que ele dizia estarem erradas quando apontavam sua derrota nas urnas em 2020.

"A ilegalidade, a perseguição política e a caça às bruxas devem ser expostas e interrompidas", declarou.

Ação contra Donald Trump transformou EUA em república de bananas?

Mas a reação mais exacerbada - e também curiosa - de apoio a Donald Trump partiu do governador da Flórida, Ron DeSantis.

Em uma publicação no Twitter, como se estivesse se referindo ao governo dos Estados Unidos como uma ditadura, DeSantis afirmou que uma operação de busca como essa só aconteceria em uma “república das bananas”.

“O ataque a Mar-a-Lago é uma nova escalada na instrumentalização das agências federais contra os oponentes políticos do regime, enquanto pessoas como Hunter Biden são tratadas com luvas de pelica”, acusou DeSantis, referindo-se ao filho do presidente Joe Biden.

“Agora o regime está usando mais 87 mil agentes da Receita para atuar contra seus adversários? República de Bananas”, prosseguiu DeSantis.

O que é uma república de bananas

‘República das bananas’ é um termo claramente pejorativo usado frequentemente como referência a países politicamente instáveis, submissos a uma potência estrangeira e governados por um líder corrupto ou autoritário.

Economicamente, uma “república de bananas” é dependente da exportação de commodities agrícolas ou minerais.

O termo costuma ser empregado a gosto do freguês para depreciar países latino-americanos e africanos em geral.

No fim de julho, Jennifer Rubin, colunista do insuspeito The Washington Post, pontuou em um artigo endereçado aos republicanos que criticam a atuação do Departamento de Justiça o que poderia transformar os Estados Unidos em uma república de bananas — mas por motivos bem distintos dos apontados pelo governador da Flórida.

“Como você sabe que a democracia está degringolando? É quando um líder toma as seguintes atitudes:

  • Recusa-se a admitir que perdeu uma eleição.
  • Recorre a meios de comunicação cativos para minar a credibilidade das eleições e mentir sobre fraude eleitoral.
  • Ignora montanhas de evidências mostrando que a eleição foi legítima.
  • Tenta usar o Departamento de Justiça para lançar dúvidas sobre a legitimidade de uma eleição.
  • Pressiona funcionários públicos a acharem votos suficientes para mudar o resultado de um Estado-chave.
  • Pressiona servidores públicos a alterarem certificados de votação e fraudar documentos para anular a vontade do povo.
  • Inventa um esquema para manter o poder que seu próprio advogado entende que seria ilegal.
  • Incentiva seu vice-presidente a desconsiderar seu juramento e ajudar a facilitar a trama do golpe.
  • Conclama pessoas exaltadas a aparecerem na capital do país justamente quando os votos eleitorais estão sendo contados e promete que a aglomeração será ‘selvagem!’.
  • Convida uma multidão armada e desequilibrada a marchar sobre o Congresso e promete juntar-se a ela para confrontar os líderes eleitos que cumprem seus deveres constitucionais.
  • Incentiva a multidão a responsabilizar seu vice-presidente por não ter a ‘coragem’ de virar a mesa de uma eleição, mesmo quando a multidão violenta se aproxima dele.
  • Recusa-se a chamar as forças de segurança para reprimir a insurreição violenta de seus apoiadores.”

*Com informações da BBC e do Washington Post.

Compartilhe

TRUMP ESTAVA CERTO?

O TikTok vazou seus dados? Rede social chinesa pode ser banida das lojas de aplicativos do Google e da Apple; entenda a situação

29 de junho de 2022 - 11:45

Um integrante da Comissão Federal de Comunicações dos EUA pediu aos CEOs das gigantes de tecnologia que removam o TikTok das lojas ou que deem uma justificativa até 8 de julho para não banir a chinesa

VISITAS AO BRASIL

Trump ainda é o ‘queridinho’ de Bolsonaro? Presidente se aproxima de Biden, mas o deixa fora da lista de convidados para visita ao Brasil; entenda

11 de junho de 2022 - 17:08

Apesar de ter se aproximado de Joe Biden, Bolsonaro não convidou o atual presidente dos EUA para visita ao Brasil, mas Trump recebeu chamado

CHAMA A CRISTINA ROCHA!

Casos de família: Trump pede que Putin jogue sujeira dos Biden no ventilador; veja o que ex-presidente falou

30 de março de 2022 - 13:56

Ex-chefe da Casa Branca, Trump coloca mais lenha na fogueira enquanto a relação entre Estados Unidos e Rússia pega fogo por conta da guerra na Ucrânia

MEMÓRIAS DO CAOS

Um ano após invasão do Capitólio, Biden ataca Trump em discurso e volta a empolgar analistas

6 de janeiro de 2022 - 16:44

Presidente norte-americano chama antecessor de mentiroso e perdedor em um dos discursos considerados mais duros de sua gestão

O melhor do Seu Dinheiro

GetNet dispara e sobe mais de 20%, Elon Musk finaliza venda de ações da Tesla e problemas fiscais apagam brilho de Wall Street; confira os principais destaques do dia

22 de dezembro de 2021 - 20:08

As luzes no Congresso Nacional começam a se apagar e os parlamentares se preparam para o recesso de final de ano. Depois de diversos atrasos e muita polêmica, o Orçamento de 2022 está finalmente aprovado, quase que no limite do tempo hábil, mas o saldo está longe de agradar.  Os reajustes aos servidores e um […]

Anticripto

“Será uma explosão como nunca vimos antes”, afirma ex-presidente Donald Trump sobre os perigos das criptomoedas

22 de dezembro de 2021 - 12:16

Em agosto deste ano, Trump já havia declarado que ativos digitais são um “desastre esperando para acontecer”, e chamou o bitcoin (BTC) de “esquema”

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Mais quatro anos de Powell à frente do Fed: o que isso significa para os mercados financeiros

23 de novembro de 2021 - 6:18

Reação de Powell à pandemia e postura diante da inflação foram fatores decisivos para sua escolha por Biden

Acordo firmado

EUA confirmam acordo com UE que suspende disputa comercial por Boeing e Airbus

15 de junho de 2021 - 10:44

Por meio do pacto, os dois lados concordaram em cancelar por cinco anos todas as tarifas autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) relativas ao caso

ESTADOS UNIDOS

Senado americano absolve Trump em processo de impeachment

13 de fevereiro de 2021 - 23:31

Em julgamento de cinco dias, apoio de republicados impediu condenação

Esquenta dos mercados

Mercados se acalmam esperando resultado de impeachment de Trump e efeitos da covid-19

13 de janeiro de 2021 - 8:38

Além da votação do impeachment de Trump, os investidores estão atentos aos números alarmantes da Covid-19, o que pode acarretar em novos bloqueios econômicos mundiais.

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies