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O mercado de câmbio seguiu bastante cauteloso nesta quarta-feira. Como resultado, o dólar renovou máxima histórica nominal pelo terceiro dia
O mercado de câmbio seguiu bastante pressionado nesta quarta-feira (27). E a sessão de hoje foi quase um repeteco do que aconteceu ontem: o dólar à vista teve uma alta expressiva durante a manhã, o que fez o Banco Central (BC) agir para acalmar os ânimos. Mas, depois de um curto período de alívio, a moeda voltou a subir.
Logo na abertura, a divisa americana até chegou a aparecer no campo negativo, recuando 0,30% na mínima, a R$ 4,2274. A alegria, no entanto, durou pouco: antes das 10h, o dólar à vista já estava ganhando terreno novamente e, por volta de 12h30, chegou a ser cotado a R$ 4,2711 (+0,73%).
Com a moeda em níveis tão elevados, a autoridade monetária promoveu mais um leilão surpresa para a venda de dólares no mercado à vista. O mercado reagiu imediatamente, fazendo a divisa virar para queda — apenas para, minutos depois, voltar a ganhar força e seguir assim até o fechamento, com alta de 0,44%, a R$ 4,2586, marcando o terceiro dia de fechamento em máxima histórica nominal.
A tensão vista no mercado de câmbio acaba extravasando para as curvas de juros: os DIs seguiram passando por ajustes positivos, tanto na ponta curta quanto na longa. O Ibovespa, por outro lado, consegue nadar contra a maré e tem um alívio nesta tarde: sobe 0,65%, aos 107.751 pontos. Interessante notar, também, que apesar dessa instabilidade no câmbio, o risco-país pedido pelo CDS segue em baixa.
As recentes declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, continuam trazendo apreensão aos investidores — o homem-forte do governo Bolsonaro afirmou que os agentes financeiros deveriam "se acostumar" com um nível de câmbio mais elevado, o que desencadeou uma corrida ao dólar.
Desde o início do dia, os agentes financeiros estavam de olho na postura do BC, aguardando eventuais novas atuações da autoridade monetária. O próprio presidente do banco, Roberto Campos Neto, disse que "movimentos atípicos" no mercado de câmbio fizeram a instituição atuar na sessão de ontem.
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Essa linha de raciocínio também foi defendida pelo diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra Fernandes. Mais cedo, ele frisou que a instituição irá atuar no dólar sempre que entender que o mercado está disfuncional, descolado dos fundamentos ou com problemas de liquidez.
E, de fato, o BC voltou a atuar no mercado de câmbio. Só que, como destaca Sabrina Cassiano, analista da Necton Investimentos, os agentes financeiros ainda têm dúvidas quanto à disposição da autoridade monetária para continuar promovendo esses leilões.
"Ainda não está claro qual patamar é visto pelo BC como ponto de equilíbrio", diz a analista. "Isso acaba gerando incerteza e provoca uma correlação com o mercado de juros, já que essa alta no dólar pode encurtar o ciclo de cortes na Selic".
Essa lógica fica bastante clara no comportamento das curvas de juros, que seguem em alta e dão a entender que, de fato, o mercado começa a trabalhar com um cenário em que os cortes da Selic terminarão mais cedo que o previamente imaginado.
Veja abaixo um resumo do comportamento dos principais DIs nesta quarta-feira:
Os ativos globais, por outro lado, têm uma sessão bastante tranquila, às vésperas do feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos — os mercados americanos estarão fechados amanhã e funcionarão em meio período na sexta-feira. Assim, a liquidez das operações já tende a diminuir drasticamente a partir de hoje.
Lá fora, a guerra comercial entre EUA e China continua ditando os rumos das negociações, com os investidores cada vez mais convictos de que as potências irão assinar a primeira fase de um acordo — o que, consequentemente, aliviaria as preocupações em relação à desaceleração econômica global.
Nesse cenário, o Dow Jones (+0,13%), o S&P 500 (+0,55%) e o Nasdaq (+0,40%) operam em alta, reagindo ao otimismo em relação às negociações entre americanos e chineses. Mas não é só isso: uma série de dados mais fortes referentes à economia dos EUA também ajuda a animar os investidores no exterior.
Em destaque, aparece o crescimento de 2,1% do PIB do país no terceiro trimestre deste ano, de acordo com a segunda estimativa do indicador — resultado que ficou acima da média das projeções de analistas ouvidos pelo Wall Street Journal, de expansão de 1,9%.
Além disso, os números referentes às encomendas de bens duráveis em outubro e de pedidos de auxílio-desemprego na semana também ficaram acima das expectativas do mercado. Assim, os índices acionários americanos encontram forças para continuar subindo, mesmo após renovarem as máximas nos últimos dias.
A nova rodada de ganhos nas bolsas de Nova York acabou dando forças ao Ibovespa. O índice brasileiro chegou a cair 0,70% durante a manhã, aos 106.312,21 pontos, mas, nesta tarde, já operava em alta de 0,21%, aos 107.283,79 pontos.
No mercado de moedas, o dólar se fortalece em escala global. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana em relação a uma cesta com as principais moedas do mundo, sobe 0,12% no momento; em relação aos ativos de países emergentes, o dólar também se valoriza.
Ainda no Ibovespa, o noticiário corporativo é responsável por gerar algumas das principais movimentações de ativos. É o caso de Magazine Luiza ON (MGLU3), em alta de 2,25% após a varejista fechar um parceria estratégica com a Linx — fora do índice, os papéis ON da companhia (LINX3) avançam 5,91%.
Por outro lado, Vale ON (VALE3) cai 1,2%, em meio à notícia de que a mineradora terá que promover uma baixa contábil de cerca de US$ 3,2 bilhões. Você pode saber mais detalhes das principais altas e baixas da bolsa nesta quarta-feira nesta matéria.
Confira os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta tarde:
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