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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Mercado decepcionado

Dólar dispara a R$ 4,08 com fracasso do leilão do pré-sal em atrair estrangeiros

O mercado apostava na entrada de capital estrangeiro no país a partir do leilão do pré-sal. Mas, com os gringos mostrando baixo interesse nos ativos, o dólar disparou e fechou em alta de mais de 2%

Victor Aguiar
Victor Aguiar
6 de novembro de 2019
10:40 - atualizado às 10:50
Dólar em alta
Imagem: Shutterstock

Esta quarta-feira, 6 de novembro de 2019, era uma data amplamente aguardada pelos mercados brasileiros. Depois de muitas idas e vindas, finalmente aconteceu o leilão do excedente do petróleo da cessão onerosa do pré-sal. A expectativa era elevada, o que se refletia especialmente no comportamento recente do dólar à vista.

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A moeda americana, que em outubro estava perto de R$ 4,15, passou por uma forte onda de alívio e voltou a ficar abaixo dos R$ 4,00 neste mês — e um dos fatores por trás dessa calmaria era o leilão. Afinal, os agentes financeiros apostavam que empresas internacionais seriam atraídas pelos ativos, trazendo recursos estrangeiros para cá.

Só que, conforme o certame foi se desenrolando nesta manhã, essa leitura otimista do mercado quanto ao interesse externo foi desmoronando. Das quatro áreas leiloadas, duas não receberam lances; a terceira foi arrematada pela Petrobras e a quarta por um consórcio multinacional, mas com 90% de participação da petrolífera brasileira.

Ou seja, o resultado do leilão trouxe uma frustração dupla ao mercado: foram arrecadados apenas R$ 69,9 bilhões dos R$ 106,6 bilhões almejados pelo governo — somente 65,5% do total. E, além disso, a Petrobras será responsável por arcar com quase a totalidade dessa cifra, sem que os tão desejados recursos externos entrem no país.

Assim, o dólar à vista, que até iniciou o dia em baixa — na mínima, foi aos R$ 3,9766 (-0,43%) — passou a ganhar força conforme o leilão foi se desenrolando. E, ao fim da sessão, a moeda americana já estava em outro patamar: a divisa terminou o dia em forte alta de 2,22%, a R$ 4,0826, sendo que, na máxima, tocou R$ 4,0882 (+2,36%).

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Em termos percentuais, esse foi o maior salto diário do dólar à vista desde 27 de março, quando a moeda fechou em alta de 2,24%, a R$ 3,9543 — na ocasião, uma escalada nos atritos entre governo e Congresso fazia o mercado temer pelo futuro da tramitação da reforma da Previdência na Câmara.

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"Frustrou toda a historinha do fluxo", diz Victor Cândido, economista-chefe da Journey Capital. Um operador que prefere não ser identificado adotou linha semelhante ao falar do desfecho do leilão e do comportamento do dólar: "o entendimento é o de que não vai entrar dinheiro, ele já está aqui".

No mercado de ações, um certo pânico também tomou conta dos ativos no decorrer do leilão. As ações da Petrobras chegaram a cair mais de 5%, com a percepção de que a estatal poderia arrematar todos os ativos em disputa e, com isso, comprometer seu planejamento financeiro.

Mas, passado esse momento, o mercado ponderou os prós e contras da aquisição dos campos de Búzios e Itapu pela Petrobras. Apesar de as duas novas áreas pressionarem as metas de desalavancagem da estatal, a percepção de que o endividamento líquido não deverá ser afetado, somado aos potenciais ganhos operacionais para a empresa no longo prazo, fizeram os investidores adotarem uma postura neutra.

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Tanto é que, ao fim do pregão, os papéis PN da companhia (PETR4) registravam leve alta de 0,20%, enquanto os ONs (PETR3) tiveram baixa de 0,43%.

Fenômeno semelhante foi visto no Ibovespa: no instante de maior apreensão, o índice chegou a cair 1,17%, aos 107.445,54 pontos. Mas, uma vez concluído o certame — e sem a leitura de que a Petrobras foi além de sua capacidade para não deixar o leilão naufragar —, a bolsa conseguiu se afastar das mínimas.

No encerramento, o Ibovespa teve queda de 0,34%, aos 108.352,68 pontos — lá fora, o Dow Jones (estável), o S&P 500 (+0,06%) e o Nasdaq (-0,29%) passaram o dia perto do zero a zero.

O certame do pré-sal foi importante porque irá abastecer os cofres da União, dos estados e dos municípios — assim, a frustração com a baixa participação dos players externos e com a arrecadação mais fraca trazem alguma preocupação aos mercados.

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Essa frustração também foi sentida no mercado de juros, com os DIs encerrando em ligeira alta. As curvas para janeiro de 2021, por exemplo, subiram de 4,48% para 4,49%; na ponta longa, os DIs com vencimento em janeiro de 2023 avançaram de 5,47% para 5,57%, e os para janeiro de 2025 foram de 6,02% para 6,14%.

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