Menu
2019-10-14T14:15:36-03:00
Cortar ou não cortar?

Ex-diretores do BC se dividem sobre juros

Os que defendem ao menos um aceno ao corte no comunicado dão ênfase à avaliação da modelagem que considera a longa permanência da taxa de desemprego elevada e a ociosidade da economia

17 de junho de 2019
13:17 - atualizado às 14:15
Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom)
Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) - Imagem: Flickr Banco Central do Brasil

Ex-diretores do Banco Central (BC) se dividem sobre quando a instituição deve começar a cortar a taxa de juros básica da economia (Selic). Enquanto uma ala defende uma redução imediata - ou ao menos uma sinalização mais firme sobre o começo desse movimento -, uma outra parte avalia que o BC deve manter a estratégia adotada até agora e esperar uma definição sobre a reforma da Previdência para rever sua política monetária. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começa na terça-feira, 18.

Os que defendem ao menos um aceno no comunicado dão ênfase à avaliação da modelagem que considera a longa permanência da taxa de desemprego elevada e a ociosidade da economia, indicando boas chances de a inflação seguir rodando abaixo do centro da meta neste e no próximo ano. Do outro lado, há o argumento de que o cenário, antes da aprovação da reforma da Previdência, ainda é arriscado e seria apropriado o Copom aguardar mais.

"Sem dúvida alguma, quando olhamos dados de hoje, vamos estar com a inflação tanto neste ano quanto no próximo bastante abaixo das metas e em um contexto no qual a economia não cresce", diz Luiz Fernando Figueiredo, sócio-fundador da Mauá Capital. Para ele, pelo modelo que se tem hoje, está na hora de reduzir os juros. Sua projeção para a inflação oficial deste ano é de 3,7%.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,13% - acumulando 2,22% no ano. Já a taxa de desemprego ficou em 12,5% no trimestre terminado em abril. Aliado a isso, há sucessivas revisões para baixo de projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) tanto neste ano quanto em 2020.

Alexandre Schwartsman, da Schwartsman & Associados, espera, ao menos, nesta próxima reunião um reconhecimento e uma sinalização por parte do Copom de que o crescimento menor da economia e o desemprego alto já há algum tempo apontam para riscos baixos para a inflação no médio prazo.

Frustração

Tanto Figueiredo quanto Schwartsman ressaltam que, no início do ano, a expectativa era a de que o ritmo de recuperação da economia brasileira fosse mais significativo, o que foi frustrado. Aliado a isso, o ambiente externo também se deteriorou com perspectivas mais acentuadas de menor crescimento e com os bancos centrais das principais economias desenvolvidas já discutindo cortes nos juros.

Um pouco mais cauteloso, Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, diz acreditar que a trajetória prospectiva da inflação permitirá ao Copom começar a flexibilizar a política monetária, mas apenas a partir de sua reunião de setembro. Isso, diz, considerando a aprovação da reforma da Previdência em agosto. "A reforma é condicionante porque, sem esta, devemos ter uma nova e, possivelmente, intensa rodada de depreciação cambial, que comprometeria o até aqui benigno cenário inflacionário."

"Não vejo na inflação razão para cortar juros neste momento", diz o economista-chefe do USB, Tony Volpon, para quem o BC deve optar pela cautela e aguardar o que resultará da aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso - até para ter uma dimensão de quão robusta ela será. "Seria prudente para o BC esperar e ver o que sai dessa reforma." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Câmbio

A alta do dólar preocupa? Com a palavra, o presidente do Banco Central

Campos Neto disse que o BC avalia constantemente se a alta do dólar retarda as decisões de investimento ou contamina as perspectivas de inflação

de olho nas finanças

48% dos brasileiros não controlam o próprio orçamento, mostra pesquisa CNDL/SPC

Segundo o levantamento, a frequência de análise de orçamento é inadequada mesmo entre a maioria dos 52% de brasileiros que utilizam alguma forma de controle de suas finanças

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta terça-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

presidente ficou irritado

Assessor do Planalto é afastado por usar avião da FAB

Vicente Santini usou uma aeronave oficial para se deslocar até Nova Délhi, na Índia

Exile on Wall Street

Contágio: e agora, o que fazer?

Medo de uma grande pandemia transmitida rapidamente num mundo globalizado e interconectado encontra representação mitológica tão forte que virou blockbuster em Hollywood

Alívio

Ibovespa acompanha o exterior e opera em alta, recuperando parte das baixas de ontem

O Ibovespa ensaia uma recuperação após as perdas massivas da sessão passada, apesar de o noticiário referente ao coronavírus continuar inspirando cautela

Nunca vi contexto tão favorável para negócios no Brasil, diz CEO do Magazine Luiza

Frederico Trajano afirmou ter planos “extremamente ambiciosos” para a rede varejista nos próximos anos após oferta de ações de quase R$ 5 bilhões

atento ao cenário

Coronavírus pode reduzir previsão de crescimento, mas é cedo para cravar, diz OMC

Diretor da entidade disse que, por enquanto, há apenas especulação dos economistas apontando revisão para baixo dos números

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

12 notícias para você começar o dia bem informado

Enquanto acompanham o avanço do coronavírus, os investidores olham também para as novidades no mundo corporativo. Os números da Cielo vieram piores do que as expectativas, que já eram bem negativas. A JBS anunciou um negócio bilionário na China. E a união de Embraer e Boeing ganhou o aval do Cade.   O que você precisa saber hoje: […]

segundo agência

Em grave crise econômica, Venezuela avalia privatizar petróleo

Representantes do governo conversaram com diferentes empresas, diz agência; medida abandonaria décadas de monopólio estatal

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements