Menu
2019-10-14T14:28:05-03:00
tendência?

‘Haverá redução do consumo e investimento’

Para o economista João Scandiuzzi, o acirramento da guerra comercial significará uma redução nas exportações brasileiras para seus três principais mercados – EUA, China e Europa

2 de agosto de 2019
8:20 - atualizado às 14:28
Guerra Comercial China EUA
Imagem: Shutterstock

O acirramento da guerra comercial surpreendeu o mercado, que esperava um avanço na rodada de negociações em Pequim. O resultado da medida anunciada por Donald Trump deve ser uma nova retaliação da China, ainda que não no mesmo patamar da adotada por Washington, e mais desaceleração na economia global, diz o economista João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual Wealth Management. Para o Brasil, a escalada significará uma redução nas exportações para seus três principais mercados - EUA, China e Europa. Apesar da possibilidade de um novo aumento de venda de soja para a China - que no ano passado já substituiu a compra do produto americano pelo brasileiro -, a tendência não deve ser suficiente para movimentar a economia brasileira. “Seria algo muito setorial.”

O anúncio dos EUA pode ser interpretado como uma escalada importante na guerra comercial ou uma estratégia de negociação?

É uma escalada, sem dúvida, e que não era esperada neste momento. Tinha acabado de haver uma reunião cara a cara entre o time americano e o chinês em Pequim e os sinais indicavam uma distensão gradual. Certamente tem algo de tática, mas representa uma escalada.

Qual resposta podemos esperar da China?

Nas últimas duas escaladas da guerra comercial, a China respondeu de maneira comedida. Agora tem até muito pouco espaço para responder. A China já impôs tarifas sobre US$ 110 bilhões de produtos americanos; restam US$ 20 bilhões que não foram tarifados. Mas a China tem reagido sempre, até porque é uma questão diplomática e de política interna. Para a China, é importante mostrar alguma reação. Em setembro, quando os EUA colocaram tarifa sobre US$ 200 bilhões, a China colocou sobre US$ 60 bilhões e uma tarifa muito menor.

Esse novo acirramento desacelera o crescimento mundial ainda mais?

Vai ter um impacto adicional. Ele será muito maior sobre a economia chinesa do que sobre a americana. A americana é mais fechada, até por ser mais diversificada e continental, e o tamanho das exportações americanas para a China em relação ao total é menor que o contrário. Tem de levar em conta os impactos indiretos, via condições financeiras, como Bolsa. Esses impactos também tendem a ser mais fortes sobre a China. O aumento da incerteza pega o mundo em um momento de desaceleração, crescendo abaixo do potencial, e isso deve se agravar. Haverá um impacto indireto forte na confiança, reduzindo intenção de investimento e consumo. Esses impactos indiretos são muito importantes e devem gerar desaquecimento e necessidade de resposta de uma política monetária (expansionista) dos principais bancos centrais. O Federal Reserve (o Fed, o banco central americano) cortou os juros ontem (quarta-feira), mas os sinais (de novas reduções) ficaram aquém do que se esperava. Na medida em que a incerteza aumenta e o PIB global desacelera, aumenta a necessidade de resposta mais rápida do Fed.

O Brasil se beneficiou em um primeiro momento com a guerra comercial, exportando mais para a China, sobretudo soja. Isso pode se repetir?

O efeito de a economia global crescer menos e do aumento do risco é negativo para todos. O Brasil é bem menos afetado diretamente por essa guerra na medida em que não estamos no epicentro dela e também porque somos pouco integrados às cadeias de produção globais. Agora, deve haver efeitos colaterais. A Europa, principalmente a Alemanha, é muito sensível a exportações de manufatura para a China. E esse mercado (a Europa) também é importante para as exportações do Brasil. Os três principais mercados para o Brasil - Estados Unidos, China e Europa, serão bastante afetados. Em um segundo momento, tem o efeito de relaxamento monetário, que tende a minimizar o primeiro impacto.

Não pode haver um aumento de exportações agrícolas que beneficie o País?

Pode acontecer, mas seria algo muito setorial. O setor agrícola é importante para a balança comercial, mas não chega a mover o PIB.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

efeito coronavírus

Sodexo se volta ao consumidor e entra na disputa por delivery de comida no Brasil

Nas três primeiras semanas de testes da nova estratégia, a Sodexo entregou mais de mil refeições nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul

assunto encerrado

Celso de Mello arquiva pedido para apreender celular de Bolsonaro

Partidos PDT, PSB e PV haviam solicitado ao Supremo a apreensão dos aparelhos “o quanto antes, sob pena de que haja tempo suficiente para que provas sejam apagadas ou adulteradas”

Esquenta dos mercados

China segue comprando soja dos EUA e notícia anima os mercados globais

Ao contrário do noticiado ontem pela Bloomberg, o jornal chinês Global Times afirmou que o país asiático continuará comprando soja dos Estados Unidos. O alívio visto nas bolsas globais deve ajudar o Ibovespa em dia de agenda ecnômica fraca.

questões do governo

PGR dá aval para prorrogar inquérito

Procuradoria vai avalizar pedido da Polícia Federal (PF) para prorrogar por 30 dias as investigações sobre a suposta tentativa do presidente Jair Bolsonaro de interferir politicamente na corporação

em busca de soluções

Fim de acordo com a Boeing pressiona Embraer a correr para se reestruturar

Atenção do setor agora se volta para as medidas que a fabricante brasileira vai tomar para superar esse duro revés

manifestações americanas

Trump ameaça usar militares para conter atos contra racismo

EUA registraram ontem o sétimo dia seguido de manifestações antirracistas, após a morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos, asfixiado por um policial branco

mundo pós-covid

Não podemos entrar em briga tola contra a globalização, diz Mansueto

Secretário do Tesouro afirmou que o Brasil precisa expandir a presença no mercado internacional e aumentar tanto as exportações quanto as importações

R$ 4 bi a mais

CMN amplia limite para contratação de operações de crédito sem garantia da União

Ministério da Economia afirma que os novos limites entram em vigor a partir desta segunda-feira, 1º

mudança histórica

Opportunity vai transformar Hotel Glória em residências de luxo

Inaugurado em 1922 para ser o primeiro cinco estrelas do Brasil, o Glória, em quase um século de existência, foi prestigiado por 19 chefes de Estado, além de artistas e políticos do mundo todo

Ações do mês

Vale, Magazine Luiza, Petrobras e JBS: como se comportaram as principais indicações das corretoras em maio?

As ações mais indicadas pelas corretoras tinham um perfil comum: resiliência e capacidade de adaptação. Elas foram muito testadas durante os últimos 30 dias, mas passaram com louvor

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements