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Impasse na CCJ sobre reforma da Previdência pesa sobre a taxa de câmbio, mas saída de US$ 4,15 bilhões na conta financeira em apenas 10 dias nada tem de trivial
Todo flerte é arriscado. Penso exatamente nesta frase curta, mas cheia de significado sobre situações indefinidas e riscos potenciais, enquanto acompanho a mudança frenética do preço do dólar que subiu 1,15% ao alcançar a cotação máxima do dia, R$ 3,9471. Basta mais um ganho de 1,4% e a taxa de câmbio chegará a R$ 4,00.
A moeda americana vem flertando com R$ 4,00 dias seguidos e, se alcançar essa marca, dará ao governo um recado curto e grosso: a economia brasileira está desequilibrada não é de hoje, 100 dias de gestão foram insuficientes para provar que a proposta de política econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, será rigorosamente aplicada e o capital político do presidente Jair Bolsonaro se esvai em alta velocidade, inclusive ou principalmente, porque há absoluta desarticulação política no Congresso.
O adiamento da votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para a semana que vem, por impasse quanto a mudanças que poderão ocorrer no texto original, pesa sobre o dólar. Quanto a isso não há qualquer dúvida.
Contudo, a constatação de que o Brasil perdeu US$ 4,15 bilhões na conta financeira em apenas 10 dias de negócios em abril, conforme divulgado no fim da manhã pelo Banco Central (BC), nada tem de trivial.
Ao contrário, o movimento de câmbio mostra que a saída de divisas do país está acelerando. Em março, essa mesma conta foi negativa em US$ 7,1 bilhões.
Em média, o Brasil perdeu US$ 373 milhões por dia em março; em abril, até o dia 12, foram US$ 415 milhões.
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