Cade aprova compra da Fox pela Disney e condiciona negócio à venda da Fox Sports
Entendimento do xerife do mercado é que a compra da Fox pela Disney representaria um risco para a concorrência no setor de canais esportivos

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra da Fox pela Disney nesta quarta-feira, 27, mas condicionou o aval à venda da Fox Sports pelo grupo. Em janeiro, o Broadcast/Estadão antecipou que o órgão determinaria a venda para aprovar a operação.
Em acordo firmado com o Cade, a Disney se comprometeu a se desfazer dos ativos em regime de "porteira fechada" a um mesmo comprador, ou seja, em um pacote que inclui desde imóveis e equipamentos a contratos com ligas esportivas, como Libertadores da América e Copa Sul-Americana. A empresa terá que repassar ainda direitos esportivos, contratos com operadoras e funcionários e licenciar, gratuitamente, a marca Fox.
O entendimento do Cade é que a compra da Fox pela Disney representaria um risco para a concorrência no mercado de canais esportivos. A empresa ficaria com dois dos três principais canais - ESPN, da Disney, e Fox Sports, da Fox - concorrendo apenas com a SporTV, da Globosat.
"A aprovação da operação representaria na prática um duopólio que teria 95% do mercado", afirmou o conselheiro Paulo Burnier.
Conforme antecipou o Broadcast, a venda não poderá ser feita para o grupo Globosat, dona dos canais SportTV, líder neste mercado. De acordo com o conselheiro Paulo Burnier, o Cade tomou a decisão em contato com o México, que deve anunciar nesta quarta também a aprovação da operação condicionada à venda da Fox Sports, o que também foi determinado pelas autoridades antitruste dos Estados Unidos e União Europeia.
Com isso, Burnier ressaltou que a venda da Fox Sports pode ocorrer "globalmente", para um mesmo comprador em vários países. "A lógica é viabilizar a entrada de um concorrente. Pode ser um comprador comum global capaz de competir com a Disney mundialmente", afirmou. Durante a análise, o Cade fez uma sondagem com concorrentes e identificou compradores interessados em adquirir os canais Fox Sports.
Leia Também
O acordo com o Cade inclui ainda a proibição de que a Disney participe de concorrências para a contratação de ligas esportivas por tempo determinado, que não foi divulgado. Uma empresa de consultoria (IMG) será a responsável pela venda dos ativos e pelo monitoramento do cumprimento do acordo.
Divergência
A aprovação da operação condicionada à venda do canal esportivo recebeu quatro votos favoráveis e dois contrários. Relatora do processo, a conselheira Polyanna Vilanova votou pela aprovação da operação com a exigência apenas de "remédios comportamentais" que incluíam a prorrogação de contratos com pequenas e médias operadoras de TV e a oferta dos canais para essas empresas nas mesmas condições e preços negociados com as operadoras maiores. "A venda dos canais esportivos da Fox pode parecer, em um primeiro momento mais apropriado, mas, ao meu, a adoção do remédio é desproporcional para o problema identificado", afirmou.
O acordo prevendo essas restrições comportamentais chegou a ser negociado com a conselheira pelos advogados das empresas, mas, como os outros conselheiros não concordavam com a solução, uma nova negociação foi aberta com o conselheiro Burnier, que acabou prevalecendo.
No julgamento, o Cade entendeu que a fusão Disney/Fox não traz riscos concorrenciais a outros mercados, como de entretenimento doméstico, licenciamento de música, publicações e videogames.
A Disney anunciou a compra da Fox em dezembro do ano passado em um negócio avaliado em mais de US$ 70 bilhões. Em dezembro, a superintendência-geral do Cade já havia recomendado ao tribunal do órgão que impusesse restrições ao negócio por entender, justamente, que a operação causa um aumento significativo na concentração no mercado de canais esportivos e que não poderia ser aprovada da forma como foi apresentada ao conselho.
A superintendência considerou que tal concentração seria preocupante, com potencial de reduzir a qualidade e diversidade do conteúdo esportivo disponível, além de aumentar custos que poderiam ser repassados aos consumidores. "Atualmente, apenas um concorrente de grande audiência é capaz de rivalizar com esses canais e não há previsão, nos próximos anos, de novas entradas nesse segmento. Além disso, ESPN e Fox Sports são hoje os concorrentes mais próximos na distribuição de conteúdo esportivo internacional", afirmou o parecer na época.
MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA