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pra fechar a temporada dos bancões

Com aumento no crédito, Banco do Brasil tem lucro de R$ 4,4 bi no 2º tri

Rentabilidade do BB no critério mercado (RSPL) foi a 17,6% no segundo trimestre contra 16,8% nos três meses anteriores e 13,2% um ano antes

8 de agosto de 2019
11:18 - atualizado às 9:36
Banco do Brasil
BB também atribuiu o bom resultado a especialização do atendimento somado ao avanço da estratégia digital, Imagem: Shutterstock

Depois de duas semanas movimentadas no setor bancário, com a divulgação dos resultados de Itaú, Bradesco e Santander, o Banco do Brasil fecha a temporada de balanços dos bancões nesta quinta-feira, 9. E em grande estilo.

O BB informou que teve lucro líquido ajustado de R$ 4,432 bilhões no período, cifra 36,8% maior em comparação com o segundo trimestre de 2018 - resultado um pouco acima do projetado por analistas ouvidos pela Bloomberg, de R$ 4,262 bilhões.

Segundo a companhia, a cifra foi influenciada pelo crescimento do crédito para pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas. As ações da instituição (BBAS3) na bolsa subiam 1,14% por volta das 11h30 desta quinta-feira, a R$ 49.

O banco também atribuiu o bom resultado a especialização do atendimento somado ao avanço da estratégia digital, com impactos positivos no desempenho das rendas de tarifas, bem como no controle das despesas e na satisfação dos clientes", explica o banco, em comunicado à imprensa.

A carteira de crédito ampliada do BB era de R$ 686,564 bilhões ao fim de junho, 0,2% superior em relação a março. Em um ano, os empréstimos se reduziram em 0,4%.

O destaque no segundo trimestre foram as operações às pessoas físicas, cujo saldo da carteira de crédito aumentou 2,1% no fim de junho ante março e 7,6% em um ano. Já os empréstimos para empresas encolheram 1,5% e 7,8%, respectivamente, o que fez o banco revisar suas projeções para crédito em 2019.

O BB fechou junho com R$ 1,541 trilhão em ativos totais, montante 6,3% maior em um ano. Na comparação com o fim de março cresceu 1,6%. O patrimônio líquido do BB era de R$ 101,930 bilhões no segundo trimestre deste ano, 0,7% inferior em um ano. Na comparação trimestral diminuiu 3%.

A rentabilidade do BB no critério mercado (RSPL) foi a 17,6% no segundo trimestre contra 16,8% nos três meses anteriores e 13,2% um ano antes.

Inadimplência piora

O índice de inadimplência do Banco do Brasil, considerando atrasos acima de 90 dias, apresentou piora pelo segundo trimestre consecutivo, desta vez, de forma mais intensa. O indicador passou de 2,58% em março para 3,25% em junho, impactado, conforme a instituição, por um caso específico na carteira de pessoa jurídica.

O Banco do Brasil é um dos principais expostos à Odebrecht, que entrou com pedido de recuperação judicial, em junho. Sua exposição é de R$ 4,750 bilhões, sendo parte garantida por ações da Braskem.

Somente em relação à Atvos, braço de açúcar e álcool da Odebrecht e que também entrou com pedido de recuperação judicial, em maio, o BB tem exposição de R$ 3,4 bilhões.

Excluindo o caso específico, a inadimplência de 90 dias do BB teria sido de 2,61% no segundo trimestre, ainda assim, maior que a do primeiro, de 2,58%, mas em menor escala.

A inadimplência de curto prazo do BB, que compreende atrasos entre 15 e 60 dias, também piorou, passando de 4,61% em março para 5,33% em junho, impactada pelo caso específico. Sem ele o indicador seria de 4,62%.

As despesas com provisões para devedores duvidosos, chamadas de PCLD pelo banco, totalizaram R$ 5,055 bilhões de abril a junho, aumento de 4,2% em relação aos três meses anteriores. Em um ano, porém, encolheram 1,5%.

O saldo de provisões do banco alcançou R$ 35,547 bilhões no segundo trimestre, elevação de 2,30% em relação ao primeiro e 1,04% maior em um ano.

Revisões

Pressionado pela carteira de pessoa jurídica, que custa a retomar um ritmo maior de crescimento, o Banco do Brasil revisou para baixo a projeção para sua carteira de crédito em 2019. A instituição espera que o saldo de empréstimos caia até 2% e, na melhor das hipóteses, suba 1% neste ano frente ao exercício passado.

Antes, o BB projetava alta de 3,0% a 6,0%. No primeiro semestre, a carteira de crédito do banco cresceu 1,1%, abaixo do intervalo até então previsto.

Para a pessoa jurídica, o BB mudou sobremaneira seu guidance e passou a prever queda de 13,0% a 11,0% neste ano. O intervalo anterior indicava de estabilidade a alta de 3,0%. De acordo com o banco, o desempenho foi impactado pela liquidação de operações concentradas no segmento de grandes empresas.

Apesar do resultado aquém do lado corporativo, o banco revisou para cima a projeção para o crescimento dos empréstimos junto às pessoas físicas. O BB espera que o segmento entregue expansão de 8,0% a 11,0% contra faixa de alta que ia de 7,0% a 10,0%. Na primeira metade do ano, o crédito às pessoas físicas teve evolução de 9,7%, centro do novo intervalo divulgado pela instituição.

O BB manteve as demais expectativas. O banco espera que o seu lucro líquido ajustado alcance de R$ 14,5 bilhões a R$ 17,5 bilhões este ano. De janeiro a junho, a cifra alcançou R$ 8,7 bilhões, possibilitando que o banco fique, ao menos, do centro para a ponta alta de suas projeções.

A carteira de crédito rural deve crescer de 3,0% a 6,0%. No primeiro semestre, avançou 2,4%.

Para a margem financeira bruta, a instituição trabalha com perspectiva de incremento de 3,0% a 7,0%. No primeiro semestre essa linha cresceu 4,5%.

Já as receitas com rendas de serviços e tarifas bancárias devem apresentar aumento de 5,0% a 8,0% neste ano. De janeiro a junho esses ganhos cresceram 6,7%.

As despesas com provisões para devedores duvidosos, chamadas de PCLD pelo banco, devem totalizar entre R$ 14,5 bilhões a R$ 11,5 bilhões. No primeiro semestre esses gastos foram da ordem de R$ 6,7 bilhões.

Já as despesas administrativas do BB devem ter alta de 2,0% a 5,0% em 2019 frente ao ano passado. No primeiro semestre, o banco superou seu guidance ao entregar aumento de apenas 0,3% em seus gastos. O resultado foi influenciado, conforme explica o BB em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, pelo "rígido controle de despesas".

*Com Estadão Conteúdo 

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