Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-10-29T20:26:36-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juros

Papel do BC é assegurar inflação baixa e estável, diz indicado para diretoria

Fábio Kanczuk participou de sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para ocupar diretoria de Política Econômica do Banco Central. Senadores batem no BC por juro alto ao consumidor final

29 de outubro de 2019
11:28 - atualizado às 20:26
Fábio Kanczuk
Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado

Indicado para ocupar a diretoria de Política Econômica do Banco Central (BC) Fábio Kanczuk defendeu que o principal papel da política monetária é assegurar inflação baixa e estável em sua sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

“É com estabilidade monetária que convergiremos para taxas de juros a níveis mais adequados, seguindo sempre firmes no objetivo de contribuir para um ambiente de crescimento econômico sustentável”, afirmou.

Engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e mestre e doutor em economia pela Universidade da Califórnia, Kanczuk era diretor-executivo para o Brasil e outros oito países junto ao Banco Mundial desde novembro de 2018. Entre outubro de 2016 e setembro de 2018, ele foi secretário de Política Econômica do então Ministério da Fazenda (governo Michel Temer).

Kanczuk vai substituir Carlos Viana na diretoria que é responsável por uma das áreas mais sensíveis dentro do BC, a construção e calibragem dos modelos econômicos que geram as projeções de inflação, ponto central dentro do regime de metas. O diretor de Política Econômica também é um dos principais responsáveis pela formulação dos comunicados, atas e Relatórios de Inflação do BC.

A indicação foi aprovada por 16 votos a 4, após duras críticas dos senadores ao Banco Central (veja abaixo). No plenário, no início da noite, a indicação teve 51 votos favoráveis, 7 contrários e uma abstenção.

O presidente Roberto Campos Neto vem gradualmente trocando a equipe deixada por Ilan Goldfajn. Entre os “novos diretores” temos João Manoel Pinho de Mello (Organização do Sistema Financeiro), Bruno Serra Fernandes (Política Monetária) e Fernanda Nechio (Assuntos Internacionais).

Perguntas dos Senadores

A primeira rodada de perguntas dos senadores foi sobre a diferença da Selic e das taxas cobradas dos tomadores finais.

Kanczuk começou dizendo que durante seus muitos anos na academia e no governo o desafio era entender o motivo do juro básico alto no Brasil. Agora, parece que a coisa finalmente funcionou e o problema se tornou outro.

“A preocupação número um é essa, reduzir o juro na ponta”, disse.

Entre as razões do spread elevado no país, Kanczuk listou aos senadores a inadimplência, custo administrativo, compulsório, tributos e margem de lucro.

BC apanha pelo juro alto

No segundo bloco, o tom das críticas ao juro alto, aos bancos e ao BC subiu muito. A senadora Kátia Abreu (PDT-TO) perguntou sobre compulsórios e disse que iria ensinar ao BC como montar uma central de recebíveis de cartão de crédito. Medida que está em andamento, mas que teve alguns adiamentos.

Já Espiridião Amin (PP-SC) disse que se a situação com relação aos juros para o tomador final não mudar, ele não vota mais favoravelmente a indicações para o BC.

Como não tem como punir ninguém, o senador disse que vai punir a instituição Banco Central. Sua rebeldia recebeu apoio de outros senadores. “Não é possível o país seguir prisioneiro do juro”, disse.

Rose de Freitas (Podemos-ES) ressaltou que as críticas não são pessoais ao indicado, mas reforçou a posição já dada por Amin, de que não passam mais diretores do BC enquanto promessas não forem cumpridas.

Esse tom mais crítico ao BC é um sinal ruim tendo em vista os projetos que o BC quer fazer andar no Congresso, como sua autonomia formal e uma reforma do sistema cambial.

Kanczuk disse que a mensagem foi captada e que é nisso que “vai centrar seus esforços”.

Para o indicado, com open banking e fintech "é que vamos ganhar a batalha" do spread bancário e o BC está provendo o incentivo para essas novas tecnologias. Ele também mencionou o sistema de pagamentos instantâneos.

Sobre a autonomia do BC, Kanczuk disse que esse é um ganho importante, pois tem evidência sólida de que BCs autônomos conseguem praticar juros menores. “O Congresso também sai favorecido, única esfera que pode retirar diretores. Acho um ganho imenso. Sou muito a favor”, disse.

Para o indicado, a economia parece estar se recuperando. "Acredito que vamos vencer a batalhar do spread, tanto citada hoje, e o crescimento vem e com as preocupações sociais legítimas."

Ao fim da audiência, Rose e Amin pediram para que Kanczuk levasse "essa mensagem incisiva" de insatisfação dos senadores para o Banco Central.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Petrobras privatizada vira possibilidade, Itaú revisa projeções para o Brasil e outros destaques

A proximidade do ano eleitoral não aprofunda apenas as discussões sobre o aumento de gastos do governo com medidas assistencialistas, como o Auxílio Brasil e o auxílio aos caminhoneiros, confirmados na semana passada após uma manobra no teto de gastos. Com outubro engatando a reta final, restam poucas folhas no calendário de 2021 e oportunidades […]

privatização no radar

Petrobras (PETR4) pede que governo explique estudo para venda de ações; papéis dispararam mais de 6% com rumores sobre privatização

Mais cedo, Bolsonaro reafirmou que a privatização “entrou no radar” do governo, mas destacou que o processo é uma “complicação enorme” e não deve sair tão cedo

FECHAMENTO DO DIA

Petrobras na mira da privatização ajuda Ibovespa a recuperar parte das perdas recentes e bolsa sobe 2%; dólar cai a R$ 5,56

Os investidores começam a semana ainda digerindo a confirmação do rompimento do teto de gastos, mas como a situação deixou de ser especulativa, abriu espaço para uma recuperação puxada pela Petrobras

FINANCIAL PAPERS

Polêmica com vazamentos não afeta balanço do Facebook (FBOK34) e ações avançam em NY

Mais cedo, o noticiário sobre a empresa era dominado por notícias menos favoráveis com a divulgação dos “The Facebook Papers”

Vídeo

All time high do Bitcoin: como fica o mercado de criptos com a principal moeda em alta?

Analista de criptomercado comenta sobre a situação atual desse cenário

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies