O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Ao contrário do que vimos nas redes sociais, alterações propostas pelo Banco Central vão deixar ainda mais rígidas as regras que tentam sufocar financeiramente a corrupção e o crime organizado
Os ditos populares “parente é serpente”, “parente é dor de dente” e seus derivados são bem conhecidos em função dos usuais problemas que abarcam as relações familiares. Difícil imaginar, no entanto, que o tema “parente” poderia gerar tamanha dor de cabeça para um órgão como o Banco Central (BC). Ainda mais com desdobramentos para outros entes governamentais estéreis como Ministério da Justiça e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Pois foi isso que aconteceu na quinta-feira, dia 24, com a publicação de notícia dizendo o seguinte: “BC propõe afrouxar regras para banco monitorar parente de políticos e notificar Coaf”, na “Folha de S.Paulo”.
O texto tem como base uma audiência pública do BC para aprimorar as regras sobre prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo (PLD). Mas pouco importou o conteúdo da matéria, bem como o que está em discussão na proposta feita pelo BC.
No tribunal das redes sociais o que se leu foi apenas o título, com ênfase no “afrouxar” e “parentes”. O momento também não ajuda em função da permanência no noticiário de órgãos como o Coaf, seguido dos sobrenomes Bolsonaro e Queiroz e acompanhados do termo "operações suspeitas". Mistura perfeita para teorias conspiratórias apetitosas de que o governo quer blindar os seus amigos.
Entornando o caldo, lá de Davos, Suíça, o ministro da Justiça, Sergio Moro, entrou na roda ao comentar o tema, falando em “avaliar as razões do BC” e que “nós não estamos falando sobre o atual governo, nós estamos falando sobre as regras do Banco Central do governo anterior”.
Suspeito que o ministro não leu a proposta ou tentou apagar o incêndio jogando mais gasolina e o BC junto na fogueira desarrazoada das discussões de redes sociais. O BC vem em um esforço de se estabelecer como órgão de Estado e não de governo, mas vem o ministro e "carimba" governo na instituição.
Leia Também
Moro diz que ideia do BC de excluir parentes de políticos é do governo Temer.https://t.co/tOjlgXFMwr pic.twitter.com/G8Elfd6L9F
— Poder360 (@Poder360) 24 de janeiro de 2019
O BC poderia ter explicado melhor o que pretendia quando lançou a proposta de audiência em 17 de janeiro, se antecipando às possíveis críticas. Um texto do tipo fica anos em discussão até conhecer a luz do dia, demandando dedicação e estudo do corpo técnico da instituição.
Ainda assim, vou assumir aqui o papel da “turma do deixa disso”, correndo o risco de levar porrada de todos os lados, mas o ponto é o seguinte: a norma em discussão não facilita ou afrouxa nada para ninguém, seja parente ou não de político.
Em linhas gerais, há um endurecimento das regras já em vigor, buscando gerar informações mais precisas para que o Coaf e outros órgãos como Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal investiguem e punam práticas de lavagem de dinheiro que estão quase sempre associadas à corrupção, crime organizado, tráfico de drogas e entorpecentes.

Primeiro é preciso entender como funciona esse sistema. Aqui no Brasil e em mais de 200 países que estão dentro do Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (GAFI) o modelo é baseado no “conheça o seu cliente” (know your customer).
Todas as instituições financeiras (mas não somente elas) são obrigadas, por lei, a saberem quem é o seu cliente, qual sua capacidade financeira, com quem ele se relaciona, que valores e de que forma ele costuma movimentar o seu dinheiro.
Esses princípios gerais também devem ser aplicados aos funcionários do banco ou corretora e passarão também a abranger os prestadores de serviços de instituições financeiras.
Atualmente, os bancos já possuem sistemas de acompanhamento que acusam quando acontece alguma operação fora do normal para o perfil do cliente, seja ela a Pessoa Politicamente Exposta (PPE) ou um reles motorista, dona de casa ou caseiro em Brasília.
Um exemplo prático do que é o “conheça o seu cliente” vem das empresas de cartão de crédito. Se o cliente tenta fazer uma compra de valor elevado em comparação com seu padrão de gastos ou mesmo em um local no qual seu cartão nunca foi usado é comum recebermos aquela mensagem de texto ou ligação para confirmar a transação.
O texto que está em audiência deixa de citar explicitamente o termo “parente” entre aquelas categorias que mereceriam atenção especial dentro das pessoas politicamente expostas, mas isso não significa afrouxamento ou que eles estarão fora do radar.
A ideia da norma é ampliar esse monitoramento para toda e qualquer pessoa, seja ela parente de político, amante, sócio, assessor ou laranja. Convenhamos que falcatrua de político não envolve só os parentes. De fato, o termo “parente” deve voltar ao texto em discussão para acalmar os ânimos, mas no fundo tanto faz. Já há um "Big Brother" financeiro e o "grande irmão" quer passar a enxergar ainda mais.
Outro ponto que gerou celeuma foi a retirada da exigência de notificação de todas as transações iguais ou superiores a R$ 10 mil. Aqui, a retirada do limite tem duas funções: amplia o escopo das operações passíveis de escrutínio (e já já dou exemplo disso) e ajuda a melhorar a qualidade da informação gerada pelos bancos, que são o ponto de partida para o Coaf realizar as suas análises de inteligência financeira.
A regra dos R$ 10 mil surgiu junto com a lei 9.613 de 1998 para dar um parâmetro às instituições que estavam se adaptando ao novo modelo. De fato, os bancos sempre foram obrigados a reportar qualquer movimentação suspeita independentemente do valor. O que importa não é o montante, mas a combinação e análise de valores com o perfil do cliente.
Ao derrubar essa linha de corte o BC também tira algumas instituições de uma “zona de conforto”, pois bastava uma operação qualquer passar de R$ 10 mil para ocorrer comunicação ao Coaf. Resultado disso são as mais de 3 milhões de comunicações anuais ao Coaf, que depois de muito peneirar esse “lixo estatístico” gera cerca de 7 mil relatórios de inteligência ao ano.
Sem valor mínimo, os bancos e demais segmentos obrigados terão de ser mais cuidadosos na análise e avaliação das mais de 40 milhões operações financeiras que ocorrem por dia e focar naquelas que realmente devem ser enviadas ao Coaf. O que espera com isso é que o Coaf se debruce mais sobre casos realmente suspeitos e perca menos tempo vendo transações que sejam completamente normais, mesmo sendo R$ 10 mil ou R$ 1 milhão.
O melhor exemplo de que não importa se é parente ou não ou se R$ 10 mil é muito ou pouco é, justamente, o caso do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. O banco detectou e comunicou ao Coaf dezenas de operações de R$ 2 mil. Vou repetir: dois mil reais. Isso mostra a sensibilidade do sistema que deverá ficar ainda mais “alerta” com as propostas que estão em discussão. É como se a malha da peneira por onde passam as operações financeiras ficasse mais fina e, ao mesmo tempo, mais seletiva.
Os números de notificações e as operações da PF e MP dos últimos anos mostram que sim. Por mais que se vocifere por aí que “o Coaf não existia nas administrações petistas”, foram os dados coletados, analisados e compartilhados pelo Coaf que nos permitiram saber o “caminho do dinheiro” da Petrobras para empreiteiras, empresas de fachada, doleiros, e sua chegada a políticos e partidos.
O relatório de inteligência faz a ponte entre a construtora e a empresa de consultoria sem funcionários, com receita de R$ 1 bilhão, que está em nome do ex-político pobre que virou um concorrido consultor.
Há punição para o banco ou instituição financeira que não siga as regras e as multas podem ir a R$ 2 bilhões, além de inabilitação e outras penalidades administrativas, que não impedem a posterior persecução penal. Ao longo da operação Lava Jato, por exemplo, ocorreram casos de gerentes e outros funcionários de bancos que deixaram de cumprir com as obrigações legais e foram punidos.
Atualizando o texto, um leitor nos lembrou de outro incentivo ao cumprimento das regras, que é poder participar do sistema financeiro internacional. Instituições e até mesmo países que não mostram aderência às regras de PLD entram em "listas negras", podendo até serem banidos de transacionar com outros pares.
O que vou dizer aqui é bem menos interessante que as teorias que circulam na internet, mas a mudança está sendo proposta no começo de 2019 porque o Brasil passará por uma avaliação de aderência às normas internacionais em 2021.
Então, a ideia do BC é discutir a norma com a sociedade, que está mobilizada, pois há mais de 100 sugestões na página da audiência. Depois, apresentar o texto final dando às instituições financeiras um tempo para ajustarem os seus sistemas e, finalmente, colocar as regras em vigor em 2020.
Para quem chegou até aqui, é isso. Mais controle onde há maior risco, não importando quem seja e o valor envolvido. Fica a sugestão de leitura sobre o Coaf, que é o órgão central de inteligência do sistema de PLD brasileiro.
Para encerar, não confundir essa conversa toda com as operações em dinheiro vivo. Toda e qualquer movimentação acima de R$ 50 mil em espécie, em “cash”, é obrigatoriamente comunicada ao Coaf, seja parente de político ou não.
Presidentes, políticos, bilionários, atrizes e ganhadores de Prêmios Nobel passaram por essa universidade, unidos pelo lema “Veritas” — a verdade.
Enquanto alguns bancos privados ainda se preparam para o Desenrola 2.0, outros já estão renegociando dívidas
Banco do Brasil já realizou 1.807 renegociações apenas na quarta-feira (6), primeiro dia do programa Desenrola 2.0
Corretora passou a prever Selic de 13,75% no fim de 2026 diante da alta do petróleo, piora das expectativas e tensão geopolítica — mas não é a única a elevar as estimativas para a taxa básica
Lotofácil 3678 teve três ganhadores na quarta-feira (6), mas não foi páreo para o prêmio milionário da Dupla Sena
Segundo Ricardo Kazan, impasse sobre urânio enriquecido trava negociações e amplia incertezas no mercado de commodities
Gestor da BTG Asset alerta para risco de disparada do petróleo e racionamento global com estoques em queda e conflito no Oriente Médio
Desenrola 2.0 chama atenção de endividados e golpistas; especialista também destaca papel de instituições financeiras e bancos
Para ex-secretário do Tesouro Nacional, ajuste fiscal é possível e não precisa ser drástico, mas precisa de qualquer forma focar em controle de gastos: “Brasil tributa muito acima da média da América Latina”
Jordan Adams não está correndo apenas cerca de 42,2 km todos os dias por mais de um mês, ele também disputa contra o tempo
Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na rodada de terça-feira, 5 de maio. Além da Mega-Sena, a Quina, a Dia de Sorte e a Timemania também acumularam. +Milionária pode pagar quase R$ 40 milhões hoje.
O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para brasileiros com mais de 18 anos; cartórios eleitorais funcionarão em horário especial
O valor cobrado é considerado o maior imposto sobre herança já pago na história da Coreia do Sul; herdeiros da Samsung consideram que “pagar impostos é um dever natural dos cidadãos”
Iniciativa do Desenrola Fies é reduzir a inadimplência e ajudar na regularização financeira dos participantes
Entre tensão no Oriente Médio e expectativa de cortes de juros, especialistas indicam como equilibrar risco e proteção; confira a última edição do programa Onde Investir
Falha pode apagar informações essenciais ao dirigir; confira os modelos da Volkswagen afetados e como resolver o problema gratuitamente
Para brasileiros com mais de 18 anos, o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios; cartórios eleitorais funcionarão em horário especial
O Comitê de Política Monetária avaliou que o balanço de riscos para a inflação segue mais elevado do que o usual, refletindo principalmente as incertezas em torno dos conflitos no Oriente Médio
Com o avanço dos crimes cibernéticos, é importante entender o efeito de uma senha segura para proteção de dados
Prêmio em jogo na Lotofácil quase triplica depois de acúmulo, mas Mega-Sena, Quina e Timemania pagam valores bem maiores nesta terça-feira (5).