Balança comercial tem menor superávit para um mês de novembro em quatro anos
Valor de US$ 3,428 bilhões é 15,9% menor do que o registrado em novembro do ano passado

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,428 bilhões em novembro, de acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia. O valor é 15,9% menor do que o registrado em novembro do ano passado e é o mais baixo resultado para o mês em quatro anos.
O superávit ficou dentro do intervalo das estimativas coletadas na pesquisa Projeções Broadcast, de US$ 2,5 bilhões a US$ 5 bilhões, e ligeiramente acima da mediana prevista, de US$ 3,350 bilhões. Na quinta semana de novembro (25 a 30), o saldo comercial foi de um superávit de US$ 752 milhões.
No mês passado, as exportações somaram US$ 17,596 bilhões, uma queda de 16% ante novembro de 2018. Já as importações chegaram a US$ 14,169 bilhões, uma redução também de 16% na mesma comparação.
Em novembro, houve redução nas vendas de todos os tipos de produtos: manufaturados (-25,6%), semimanufaturados (-9,5%) e básicos (- 9,5%). A queda em manufaturados foi registrada principalmente em gasolina (-39,7%), veículos de carga (-30,3%), motores para veículos e partes (-26,1%) e autopeças (-23,7%).
Pelo lado das importações, houve queda de bens de capital (-54,2%) e bens intermediários (- 9,7%), enquanto registraram alta combustíveis e lubrificantes (+16%) e bens de consumo (%) e bens intermediários (-2%).
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De janeiro a novembro, o superávit comercial soma US$ 41,079 bilhões, saldo 20,4% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. O resultado também é o menor para o período desde 2015.
Saldo do ano
O subsecretário de Inteligência e Estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, Herlon Brandão, disse que a queda nas exportações do ano, quando recuaram 7,2% no ano, se deve à desaceleração do comércio mundial, principalmente pela queda na demanda chinesa pela soja brasileira e a crise na Argentina."São três anos de crises do terceiro maior parceiro comercial do Brasil, isso impacta principalmente em automóveis", afirmou.
Ele ponderou que, apesar de as importações acumularem queda de 2,9% na comparação com 2018, no ano as compras do exterior apresentam recuperação mês a mês. "A economia brasileira tem demandado mais produtos e a linha é ascendente ao longo do ano", acrescentou.
Para o subsecretário, o valor do saldo comercial em 2019 poderá ultrapassar a previsão do governo, de US$ 41,8 bilhões. "Em dezembro, as exportações costumam ser boas, pode ser que o saldo em 2019 supere nossa previsão".
De janeiro a novembro, o saldo da balança comercial acumula US$ 41,079 bilhões, uma queda de 15,9%.
Exportação de carnes
As exportações brasileiras das carnes bovina, suína e de frango in natura desaceleraram em novembro quando comparadas ao desempenho excepcional de outubro. Em relação a igual período de 2018, no entanto, os volumes e receitas dos embarques das três proteínas tiveram avanço. As vendas internacionais de carne bovina saíram do recorde de 170,5 mil toneladas do mês passado para 155,6 mil toneladas em novembro, queda de 8,74%. Já no comparativo anual, houve alta 19,23%. Os dados consideram 20 dias úteis.
O patamar elevado das exportações ante 2018 se deve ao aquecimento na demanda externa em geral. A baixa na variação mensal, porém, é reflexo da dificuldade no fechamento de contratos com compradores importantes, como a China, que aguardam pela redução nos preços dos cortes comercializados pelo Brasil e estão parcialmente abastecidos até janeiro, conforme apurou a reportagem. Os preços internos da matéria-prima estão altos, como no caso da arroba bovina, que saltou mais de 30% em novembro, e o repasse desses custos pelos frigoríficos encareceu o produto exportado.
Em receita, o País faturou US$ 755,8 milhões com os embarques da proteína bovina, leve queda de 0,90% ante outubro, mas forte aumento de 45% ante os US$ 521,1 milhões registrados em novembro de 2018. O preço médio da tonelada alcançou US$ 4.857,60, ante US$ 4.473,50 em outubro (+8,58%) e US$ 3.993,80 em igual período do ano passado (+21,6%).
Na carne suína in natura, o Brasil embarcou 57,6 mil toneladas em novembro, 7,84% a menos que no mês anterior e 12,5% superior ante o volume exportado um ano antes. Em faturamento, foram obtidos US$ 138,4 milhões com as vendas internacionais, recuo de 6,42% ante outubro, mas crescimento de 46,4% na variação anual. O preço médio da tonelada atingiu US$ 2.405,30, ante US$ 2.365,20 em outubro (+1,69%) e US$ 1.852,10 em igual período do ano passado (+29,86%).
Em carne de frango in natura, o País exportou em novembro 309,2 mil toneladas, 6,24% a menos do que as 329,8 mil toneladas embarcadas em outubro deste ano e 4,24% a mais do que as 296,6 mil toneladas de novembro de 2018. A receita obtida com o produto foi de US$ 492,8 milhões, redução de 5,79% quando comparado ao mês anterior. Na variação anual, houve alta de 6,02%. O preço médio da tonelada embarcada no mês passado foi de US$ 1.593,70, contra US$ 1.585,90 em outubro último (+0,49%) e US$ 1.566,80 em novembro do ano anterior (+1,71%).
Acumulado do ano
No acumulado do ano, as vendas externas de carne bovina in natura somam 1,373 milhão de toneladas, 12,08% mais que o 1,225 milhão de toneladas embarcadas para o exterior entre janeiro e novembro de 2018. A receita atinge US$ 5,611 bilhões, 4,31% acima dos US$ 5,379 bilhões obtidos um ano antes.
No caso da carne suína, o volume acumulado é de 569,6 mil toneladas, alta de 13,6% ante as 501,4 mil embarcadas entre janeiro e novembro do ano passado. A receita nos 11 meses chegou a US$ 1,570 bilhão, aumento de 53,92% sobre o US$ 1,020 bilhão do acumulado do ano passado.
Já as exportações de frango in natura somam no ano até novembro 3,704 milhões de toneladas, 8,08% mais que os 3,427 milhões de toneladas de igual período do ano anterior. A receita atinge US$ 5,814 bilhões, 10,63% mais que os US$ 5,255 bilhões dos 11 meses de 2018.
Sobretaxa dos EUA
Brandão disse que ainda é muito cedo para analisar qual o impacto a anunciada sobretaxa do aço e alumínio brasileiro pode ter nas exportações brasileiras. "É necessário saber como isso será implementado para avaliar o impacto", afirmou.
De acordo com Brandão, as exportações de semimanufaturados de ferro e aço para os Estados Unidos somam US$ 2,57 bilhões de janeiro a novembro, valor 13,5% menor do que no mesmo período do ano passado.
*Com Estadão Conteúdo.
SD EXPLICA
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