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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Taxa de Juro

Com reformas, Banco Central pode pensar em reduzir a Selic

Segundo o presidente Ilan Goldfajn, BC se pauta por mudança de tendências. Risco com relação às reformas caiu, mas ainda persiste

20 de dezembro de 2018
13:26
Ilan-Goldfajn-coletiva
Presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn. - Imagem: Beto Nociti/BCB

A principal mensagem transmitida pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, é que o Comitê de Política Monetária (Copom) se pauta por mudanças de tendências e não embarca em momentos nos quais os cenários para as variáveis econômicas são mais voláteis para a definição da taxa Selic.

Não por acaso, os termos cautela, serenidade e perseverança pautaram toda a sessão de perguntas e respostas da entrevista no Relatório de Inflação, na qual Ilan foi perguntado sobre a possibilidade de redução da Selic, avaliação sobre a agenda de reformas e comportamento do cenário externo.

Segundo Ilan, há um esforço do BC e de outras áreas do governo em reduzir a taxa neutra ou estrutural da economia. Essa taxa é aquela que permite o crescimento máximo da econômica com a inflação nas metas.

Discutimos nas últimas semanas a possibilidade de essa taxa, que não é mensurável, estar menor, o que abriria espaço para uma redução adicional da Selic em um ambiente de inflação e expectativas condizentes com as metas.

Apesar dos avanços, Ilan afirmou que fazer uma afirmação na linha de que essa taxa já caiu seria um pouco prematuro. O que o BC faz é dizer que a taxa atual é estimulativa, ou seja, está abaixo do considerado neutro.

“Não tem número exato de taxa neutra. Comunicamos o que achamos relevante. A taxa básica está menor que a taxa neutra”, disse.

No lado das reformas, Ilan disse que o governo tem mandado sinais positivos, o que ajudou o BC a reduzir a percepção de risco com relação à condução dessa agenda.

“No entanto, o Brasil precisa das reformas e não temos uma consolidação fiscal”, ponderou.

A ideia é que o risco permanece assimétrico, mas a depender do andamento dessa agenda “pode ser que altere nossos recados de política econômica”.

A "cautela" do BC decorre disso, de aguardar a concretização das reformas. A "serenidade" está em não reagir a eventos de curto prazo que não representem uma mudança nas tendências. E a "perseverança" está em seguir não só na agenda de reformas, mas também nos demais ajustes que garantem inflação baixa, crescimento consistente e juros menores para a população.

Ilan também reforçou que o BC se abstém de indicar os próximos passos da política monetária, pois a ideia é manter a flexibilidade de atuação do Copom para reagir a eventuais mudanças de tendência.

Cenário Externo

Segundo Ilan, o cenário global gera muita incerteza e é dentro deste contexto que está a decisão de ontem do Federal Reserve (Fed), banco central americano.

Ainda de acordo com Ilan, a preocupação era se a normalização da política americana seria mais rápida ou não. Agora, o mundo está começando a ter dúvida com relação à recuperação da atividade na Europa, Japão e também nos Estados Unidos.

Para Ilan, parte do movimento recente dos mercados pode ser creditada à aversão ao risco, busca por proteção em um cenário mais incerto e ao receio de menores rendimentos por parte dos investidores.

Câmbio

Segundo Ilan, as atuações do BC no mercado de câmbio, com os leilões de linha compromisso de recompra, é uma questão sazonal, com leilões ajudando a atender o aumento pontual de demanda por moeda à vista.

Ilan lembrou que no ano passado o BC fez a mesma coisa e que 2018 foi mais lucrativo para as companhias, resultando em remessas um pouco maiores.

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