Qualicorp põe dinheiro no bolso do CEO e ação cai 30% na bolsa
Acionistas minoritários já se mobilizam para entrar na Justiça contra a companhia, que aprovou pagamento de R$ 150 milhões a José Seripieri Filho para que ele não venda suas ações pelos próximos seis anos

As ações da administradora de planos de saúde coletivos Qualicorp perdem quase 30% do valor hoje na bolsa depois do polêmico acordo que colocou R$ 150 milhões no bolso de José Seripieri Filho.
Em troca, o presidente e principal acionista se comprometeu a não vender suas ações e a não competir com a companhia pelos próximos seis anos. O negócio foi aprovado pelo conselho de administração da Qualicorp. Seripieri faz parte do conselho, mas não participou da reunião que decidiu sobre o acordo.
O contrato fechado entre o conselho e o principal acionista foi bombardeado por todos os lados. Um gestor que possui ações da Qualicorp afirmou que os minoritários já se mobilizam para entrar na Justiça contra a companhia. "Consideramos absolutamente inaceitável", ele disse.
Para Mauro Cunha, presidente da Amec, associação que representa os investidores do mercado de capitais, o episódio representa uma perda de credibilidade não só para a empresa como para todo o mercado brasileiro.
“A mensagem que passa, principalmente para o estrangeiro, é que o Brasil é o país onde o CEO passa no caixa da empresa e pega R$ 150 milhões”, diz.
O caso é ainda mais grave porque a Qualicorp integra o Novo Mercado, segmento no qual são listadas as companhias com práticas mais rigorosas de governança corporativa.
Poucos precedentes
O caso tem poucos precedentes e remete ao que ocorreu com a operadora de telefonia Oi, quando os acionistas controladores receberam R$ 600 milhões para não vender suas ações na época do investimento da Portugal Telecom.
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Para um gestor de fundos, o acordo fechado entre o conselho da Qualicorp e Seripieri é um dos mais exóticos de todos os tempos. Há uma retirada de valor da empresa sem participação dos acionistas minoritários.
Esse especialista lembra que o setor de planos de saúde coletivos por contratos de adesão foi praticamente criado pelo empresário, que usou “brechas” na regulação quando o custo de planos de saúde individuais se tornou praticamente proibitivo.
Mesmo com a queda acentuada no preço das ações, que poderia ser vista como uma oportunidade de compra do papel, a avaliação é de que fica “um caso difícil” de investimento em função dessas questões envolvendo a governança.
Outro gestor avalia que a empresa é bem administrada e relativamente barata, mas que foi feita uma “grosseria” com o papel.
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