Mercados abrem de olho no “shutdown”
Nem o presidente americano, Donald Trump, nem os democratas sinalizam progresso no impasse, que pode se estender até semana que vem

Bom dia, investidor! Serão retomadas hoje (19h) as negociações sobre a paralisação parcial do governo dos EUA, que completa seis dias. Nem o presidente americano, Donald Trump, nem os democratas sinalizam progresso no impasse, que pode se estender até semana que vem (3/1). Apesar do “shutdown”, a sinalização da Casa Branca de que Jerome Powell fica na presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) remove um ruído importante e já despertou ontem uma onda de exuberância nas bolsas em NY. Se vem ressaca hoje, é o que se verá.
Uma realização dos exageros de otimismo é mais do que natural. O problema é se qualquer ajuste negativo for precipitado por novos ataques do presidente americano ao Fed, que voltem a colocar a prêmio a cabeça de Powell.
Apesar de o BC americano continuar respeitando a ferro e fogo o compromisso com o gradualismo, a pressão de Trump contra a suposta alta “rápida” do juro é uma tentativa de esticar ao máximo o crescimento econômico.
O efeito do plano fiscal expansionista lançado pelo republicano tende a se esgotar em 2019, ampliando os riscos de a economia norte‐americana embarcar em uma desaceleração global sincronizada com a Europa e a Ásia.
A chance de recessão nos EUA nos próximos 12 meses já é estimada em quase 40% pelo JPMorgan e justifica, em grande parte, o dezembro tão sangrento em NY, quebrando a tradição de melhor mês do ano para as bolsas.
Se as coisas parecem ruins com o Fed mais duro que o desejável (com dois apertos adicionais contratados para 2019), podem ficar muito piores com uma eventual saída de Powell, que detonaria uma crise de identidade.
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Sem a garantia de sua independência formal, que é a marca registrada do BC norte‐americano, o mercado se veria perdido em combate, tateando no escuro, sem referências seguras para gerenciar as expectativas.
Assim, foi recebido com festa ontem, em NY, o esforço da Casa Branca para dissipar o nervosismo com as especulações de que a autonomia do Fed estaria em xeque e que os atritos poderiam custar o emprego de Powell.
Apesar do dia de franco otimismo, a cautela sobre as condições da economia americana deve se manter. Ontem, o índice de atividade industrial do Fed de Richmond caiu de 14 pontos em novembro para ‐8 em dezembro.
Hoje, sai a confiança do consumidor (Conference Board) em dezembro (13h), com previsão de queda para 133,5 em dezembro, contra 135,7 em novembro. O auxílio‐desemprego (11h30) deve ter alta de três mil pedidos.
O dia do Fico
Wall Street já abriu em alta na volta do Natal, mas foi deslanchar à tarde com o comentário de Kevin Hassett, um dos principais assessores econômicos de Trump, de que Powell está “100% seguro” no cargo. Foi um alívio, após a recente declaração desastrosa do presidente americano, de que o Fed é o único problema da economia.
Antes da fala de Hassett, a notícia da CNN, de que Trump e Powell poderiam se reunir nas próximas semanas chegou a trazer volatilidade aos negócios, renovando o temor de demissão. As bolsas americanas vacilaram. Os índices de ações desaceleraram as altas, mas logo em seguida ligaram o turbo, com a mobilização da Casa Branca para acalmar o investidor. Também o apelo de Trump para o investidor voltar ao mercado deu resultado.
Ele recomendou aos americanos aproveitarem a recente liquidação pesada nas bolsas para retornarem às compras. "Temos as maiores empresas do mundo e elas estão indo muito bem. É uma tremenda oportunidade.”
As bolsas em NY tiveram nesta quarta-feira o maior ganho percentual diário desde 2009. Foi um dia histórico para o Dow Jones, que pela primeira vez subiu mais de mil pontos num só dia (1.086). Disparou 4,98%, aos 22.878,45 pontos.
Os dois índices (S&P 500 e Nasdaq) que estavam em território “bear” (queda de, pelo menos, 20% em comparação ao último pico), depois da pior véspera de Natal da história, também se recuperaram ontem.
O índice eletrônico Nasdaq, das empresas de alta tecnologia, saltou 5,84%, para 6.554,36 pontos, no maior rali diário desde março de 2009, e também o S&P 500 correu livre (+4,96%), fechando em 2.467,70 pontos.
Seja como for, no surto de otimismo em NY, os players dispensaram a segurança dos Treasuries, projetando o yield da Note de dez anos a 2,812%, de 2,736%. O salto do petróleo ajudou a ampliar o apetite por risco.
Zerando o tombo de quase 7% o pregão anterior, o barril do Brent para entrega em março disparou 7,85%, para US$ 54,76, e foi acompanhado na arrancada pelo WTI para fevereiro, que saltou 8,68%, cotado a US$ 46,22.
Apesar da euforia, os preços permanecem cerca de 40% abaixo do pico registrado no início de outubro, porque pesam os receios de oferta saturada em um ambiente de risco, com uma potencial recessão no ano que vem. Mesmo computada a alta de ontem, a commodity ainda acumula queda este mês: ‐6,98% (Brent) e 8,42% (WTI).
Foi no embalo
Na volta do feriado, as ações da Petrobras não desperdiçaram a chance de faturar o otimismo do petróleo e fecharam nas máximas do dia, com PN (+3,46%) a R$ 21,68 e ON (+1,83%) valendo R$ 24,58.
Mas os papéis ainda têm que correr atrás do prejuízo, com quedas próximas de 13% acumuladas em dezembro.
Vale fechou no vermelho (‐0,83%), a R$ 50,44, mas recobrou boa parte do terreno perdido na mínima do dia (queda de quase 2,90%). Entre os bancos, caíram Bradesco (PN, ‐1,32%, a R$ 36,60) e Itaú (PN, ‐2,18%, a R$ 33,73).
O Ibovespa começou o dia se ajustando em baixa ao tombo de NY na véspera do Natal e chegou a cair mais de 2%, abaixo dos 84 mil pontos (83.892) no pior momento, para depois ir desestressando com o rali em Wall Street.
Embora ainda tenha fechado em baixa (‐0,65%), defendeu o patamar dos 85 mil pontos (85.136,10).
Mas o estrangeiro continua jogando pesado contra a bolsa. No dia 20, tirou mais R$ 1,362 bilhão. Esta é a maior retirada de recursos externos em um único dia em mais de dois meses, desde 23 de outubro (R$ 1,6 bilhão).
Bye, bye, Brazil
Também o câmbio tem acusado as saídas do capital gringo. No mês, até dia 21, as retiradas pelo canal financeiro somam US$ 10,5 bilhões. Apenas na semana passada, US$ 5,2 bilhões deixaram o País por esta via.
O dólar fechou ontem no maior valor em um mês, a R$ 3,9226 (+0,95%), mas distante da máxima de R$ 3,9412 (+1,43%) registrada pela manhã. Ainda assim, registrou a segunda maior alta entre as divisas de países emergentes. Só ficou atrás do peso argentino (+1,2%). Lá fora, a moeda americana levou a melhor contra o iene (111,31/US$) e euro (US$ 1,1356), de carona no otimismo da perspectiva de manutenção de Powell no comando do Fed.
Novo leilão
Aqui, apesar de o mercado ter absorvido a oferta integral de US$ 2 bilhões nos leilões de linha, o câmbio parece ter sido influenciado pela disputa da formação da taxa Ptax de dezembro, com os comprados saindo na frente.
Para hoje, foi anunciado novo leilão de linha, de US$ 1 bilhão. As ofertas serão às 11h20 (com recompra em 4/2/19) e às 11h40 (recompra em 6/3/19). O Banco Central também já sinalizou a rolagem integral de "swap" para fevereiro.
Na próxima quarta (dia 2/1), vai ofertar 13.400 contratos, o equivalente a US$ 670 milhões. Se mantiver este volume diário, a autoridade monetária rolará todo o montante de swap que vence em fevereiro (US$ 13,4 bilhões).
Agenda
O Tesouro divulga às 14h30 o resultado das contas do Governo Central, que deve interromper o saldo positivo de outubro (R$ 9,451 bilhões), para apresentar deficit de R$ 15,400 bilhões na mediana do Broadcast. Antes, às 10h30, o BC solta a nota de Política Monetária e Operações de Crédito relativa ao mês passado.
Laranja mecânica
Em entrevista ao SBT, Fabrício Queiroz, ex‐assessor de Flávio Bolsonaro, rompeu o silêncio e falou pela primeira vez sobre movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão em sua conta, apontada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
Ele atribuiu o dinheiro a seus negócios com venda e revenda de carros, mas não explicou os depósitos feitos em sua conta por funcionários do gabinete e familiares empregados por Flávio Bolsonaro e pelo presidente eleito. Perguntado sobre os depósitos feitos em favor da futura primeira‐dama Michelle Bolsonaro, Queiroz disse que "nosso presidente já esclareceu. Tinha um empréstimo de R$ 40 mil. Foram 10 cheques de R$ 4 mil”.
O ex‐assessor alegou problemas de saúde para ter faltado aos depoimentos que daria ao Ministério Público. Disse que foi diagnosticado com câncer e afirmou também que tem sofrido com problemas no ombro.
Guerra de tarifas
Na Bloomberg, uma deleção americana viajará à China daqui a duas semanas para negociar a guerra comercial. Será o primeiro encontro cara a cara desde a trégua negociada de 90 dias entre Trump e Pequim.
Curtas
Por US$ 2,5 milhões, Securities and Exchange Commission (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) aceitou encerrar investigações da Eletrobras na Lava Jato.
Propostas do leilão da distribuidora Ceal (Alagoas) serão entregues às 9h. Resultado sai amanhã.
A Petrobras pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registro de emissão de debêntures no valor de R$ 3 bilhões.
O Pão de Açúcar autorizou venda de 3,86% dos 43,23% do capital da Via Varejo. O leilão de 50 milhões de ações a R$ 4,42, hoje, às 10h30 na B3, deve movimentar R$ 221 milhões.
Nas Lojas Americanas, o conselho aprovou o pagamento de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) de R$ 0,075 por ação ON e PN.
A Bradespar propõe pagar JCP de R$ 0,5855 por ON e R$ 0,6440 por PN. O total equivale a R$ 217 milhões, a pagar com base na posição acionária do dia 28.
A BR Ppropertie vendeu, por R$ 405 milhões, edifício na Avenida Paulista (SP) para fundo administrado pelo Safra.
Na Embraer, sindicatos pediram ao Tribunal Regional Federal que suspenda de novo o acordo com a Boeing. Alegam que houve ação inconstitucional da Advocacia-Geral da União para derrubar liminar suspensiva.
A Gol fechou contratos para renovar frota Boeing, trocando 13 modelos 737 NG pelo modelo 737 MAX‐8 até 2021. O objetivo é ter mais de 40% de modelos MAX até 2023, com maior produtividade e economia de combustível.
Na EDP, o conselho de administração aprovou pagamento de JCP bruto de R$ 439 milhões.
Na Copel, a Aneel autorizou operação em teste da Geradora 1 da Hidrelétrica de Colíder.
A Cosan fechou acordo para aumentar capital (até R$ 562 milhões) na sua subsidiária inglesa.
A Multiplan distribuirá JCP de R$ 70 milhões, valendo R$ 0,11776639042 por ação.
A Sulamérica aprovou pagamento de JCP de R$ 0,1378 por ação ON e PN.
O Flexura vai pagar JCP de R$ 0,1269 por ação ON, totalizando R$ 40,133 milhões. Ex dia 3.
A Wilson Sons fechou contrato de R$ 263 mi com BNDES para financiar obras de terminal portuário na Bahia.
*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br
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