Jerome Powell reafirma transparência e ajuste gradual do juro nos EUA
Presidente do Fed destaca bom momento da economia americana e riscos provenientes de guerra comercial

O melhor que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, pode fazer é conduzir a sua política monetária com transparência. Essa é a avaliação transmitida pelo presidente Jerome Powell em entrevista após a decisão de elevar o juro em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 2% a 2,25% ao ano.
Powell também disse que o desempenho das economias emergentes importa para o Fed e que há consciência de que a elevação de juros coloca pressão sobre esses mercados. Por isso mesmo, o BC americano está sendo claro e gradual no seu processo de ajuste.
Essa defesa da transparência e do ajuste gradual é boa notícia para os mercados locais, pois permite um planejamento por parte dos agentes com relação a esse período de condições financeiras globais mais restritas.
Powell também fez uma diferenciação entre emergentes, explicando que os países que sofreram um “estresse severo” são aqueles com problemas particulares, como inflação elevada e endividamento excessivo em dólares.
Ao longo da entrevista de cerca de uma hora, Powell defendeu o ajuste do juro de forma gradual como a forma mais apropriada de avaliar como a economia está absorvendo essa normalização das condições monetárias. “Podemos subir e esperar para ver como a economia reage e se vem respondendo em linha com as nossas expectativas”, disse.
O gráfico de pontos (dot plot) reafirma as projeções de mais uma elevação do juro agora em 2018 e outros três apertos em 2019. A taxa de longo prazo é vista em 3%.
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A retirada do termo “acomodativo” do comunicado também foi alvo de questionamentos. Powell explicou que esse termo esteve lá por muito tempo, mas que agora uma mudança na linguagem parece apropriada, já que a política caminha para uma normalização. Outra avaliação pode ser de que o Fed está caminhando para o fim do ciclo ou que pode colocar a política em modo restritivo.
Ainda em defesa do ajuste gradual, Powell explicou que o Fed está balanceando dois riscos. Subir o juro rápido demais pode atrapalhar a recuperação da atividade. Se o ritmo for lento demais a economia pode superaquecer. Assim, o Fed acompanha os indicadores e vai responder com juro alto à inflação mais alta e com juro baixo à atividade mais fraca.
Guerra comercial e Trump
Powell afirmou que o Fed não é responsável pela política comercial do país, mas que mantém uma ampla gama de relações com diversos setores da economia por meio das unidades regionais do banco. Portanto, os membros do colegiado estão atentos às preocupações com aumento de custos e outras dificuldades que surgem com aumento de tarifas e barreiras comerciais.
No entanto, olhando a performance agregada da economia, Powell disse ser difícil ver algum impacto das tarifas comerciais neste momento.
A preocupação do Fed é com queda da confiança, consequente redução do investimento e possível reação dos mercados. Olhando mais adiante, Powell disse que a questão é saber até onde vai essa questão comercial. Para ele, tarifas menores e “comércio justo sob regras internacionais” são positivos para todos.
“Um mundo mais protecionista será ruim para os EUA, para as famílias americanas e outras economias.”
Questionado sobre as críticas de Donald Trump sobre a alta dos juros, Powell disse que o Fed executa exclusivamente a sua missão e que “não levamos em conta fatores políticos”. Segundo o presidente, o trabalho feito pelo Fed é importante e ele tem uma ferramenta (a taxa de juros). “É e sempre será assim para nós.”
Crise de 2008
Perguntado sobre a crise de 2008, Powell disse que a grande lição aprendida é manter a estabilidade do sistema financeiro. Os bancos estão com maiores exigências de capital, são realizados testes de estresse periódicos, há planos de gerenciamento de risco e de resgate de instituições que venham a ter problemas.
“Ninguém está confiante que temos todos os problemas solucionados. Aprendemos lições importantes e temos de estar determinados a não esquecer. O risco é esquecer o que aprendemos.”
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