Por que eu acredito que o Brasil está em um ‘bull market’
Alta do mercado de ações com Bolsonaro mal começou. Dimensão dependerá do cenário internacional e da firmeza do novo presidente em sua postura liberal.

Evidentemente são diversos os fundamentos que compõem um bull market de ações. Mas quase sempre dois deles se destacam: taxas de juros reais baixas; perspectivas de aumento na rentabilidade das empresas negociadas na bolsa.
O Brasil vive um momento singular. Os juros se encontram em seu menor patamar desde a criação do real (julho de 1994) e a inflação praticamente no centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional para 2018.
Falta ainda (e não é pouca coisa) liquidar o déficit do Tesouro e enxugar a máquina do governo.
Há menos de 10 dias, o Ibovespa atingiu sua máxima de todos os tempos a 89.598 pontos. De lá para cá, caiu pouco menos de cinco por cento, devido a algumas incertezas sobre como será na realidade o governo Jair Bolsonaro e ao comportamento frágil da Bolsa de Valores de Nova York.
Após fazer um teto de 26.951,81 no dia 3 de outubro, o índice industrial Dow Jones caiu aproximadamente 7%. Foram causas determinantes dessa virada (ainda é cedo para se dizer que o Dow entrou em um bear market prolongado) quatro aumentos de taxas de juros este ano e a certeza de que outros quatro se sucederão em 2019, além da perda, por parte do presidente Donald Trump, da maioria das cadeiras na House of Representatives (equivalente à nossa Câmara dos Deputados).
O próprio Trump não contribui em nada com a estabilidade do mercado americano, cujos participantes mantêm sempre a respiração presa na expectativa de qual será a diatribe (ou idiotice) da Casa Branca no dia. Mas, como a economia dos Estados Unidos está em pleno apogeu, não vejo motivos para um crash em Wall Street.
Leia Também
Aqui, Bolsonaro é ingênuo ao dar declarações afobadas, declarações essas que mantêm o clima político em suspense. Num dia, o ministério do Meio Ambiente se fundirá com o da Agricultura. No outro o presidente eleito diz que se enganou.
De manhã a pasta do Trabalho será extinta, na hora do almoço, mantida, à noitinha juntada com outra.
Cenas do governo
Suponho que todo governo prestes a tomar posse padeça desses tipos de dúvidas. Só que elas devem ser mantidas no âmbito do gabinete de formação e não compartilhadas com a imprensa (vale dizer, com o mercado) a todo momento.
Imagino até a cena:
Um futuro integrante da nova administração (alguém muito influente como Paulo Guedes ou Sérgio Moro) chega a Bolsonaro e diz:
“Presidente (ou Jair, depende do grau de intimidade), a agricultura e o meio ambiente são antagônicos por definição. Uma deseja derrubar a floresta para plantar soja; o outro quer preservar as árvores. Não dá para uni-los numa pasta só.”
“Tem razão, vamos manter as pastas separadas. Afinal de contas sou eu que vou escolher ambos os ministros.” E dá um risinho amarelo e sinistro, risinho esse que mostra que quem vai ganhar mesmo são os caras da soja, o que é bom para o Brasil agrícola e péssimo para os nossos bisnetos.
O mesmo pode ter acontecido com o ministério do Trabalho.
“Presidente, a pasta existe desde Getúlio Vargas, que a criou logo após a Revolução de Trinta. Foi uma de suas primeiras medidas. Existe nos Estados Unidos (US Department of Labor), na Grã-Bretanha. Pega mal extingui-la desse modo. Que tal juntar com a da Previdência, como já foi antigamente?”
Dúvidas serão esclarecidas
Pois bem, são essas dúvidas, acumuladas com o nervosismo dos mercados internacionais, que impedem o Ibovespa de correr logo para os 100 mil, 150 mil, 200 mil ou até mais.
Só que elas serão todas esclarecidas.
O que importa é que o novo governo é a favor do livre empreendedorismo, das privatizações, de menos impostos. Ou seja, tem um viés econômico liberal.
O que irá determinar o tamanho do bull market é justamente o grau de liberalismo.
Privatização em massa, é muito bullish (altista) para a Bolsa. Privatização contida (deixando as grandes, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Eletrobras de fora), nem tanto.
Corte radical de gastos (sem dó nem piedade) levará o mercado à euforia. Se moderado, menos.
A única certeza que temos é que o tom mudou.
O novo governo é a favor do capitalismo. Com exceção talvez de Dilma, os presidentes antecessores (inclusive Lula) também eram. Mas tinham vergonha disso. Riqueza era meio que pecado. Pelo menos, as lícitas.
Se neste período entre a eleição e a posse tudo estivesse caminhando sem a menor indecisão (ou com as dúvidas restritas às discussões internas dos novos administradores), o Ibovespa provavelmente já teria atingido os 150 mil. Só iria cair após 1º de janeiro, numa antecipação mais do que comum no mercado. “Buy the rumor, sell the fact.”
Quando, em janeiro de 1995, Fernando Henrique Cardoso tomou posse, a bolsa de valores levou um tombo que se prolongou por bom tempo.
Já em 2002, ao perceber que Lula sucederia FHC, o mercado de ações caiu brutalmente. Mas veio a Carta ao Povo Brasileiro, garantindo o cumprimento de todas as obrigações assumidas pelos governos anteriores, o gabinete de transição, quando Antonio Palocci, que seria o ministro da Fazenda, anunciou o aumento da meta de superávit primário, e finalmente a posse.
Em 2003, primeiro dos oito anos de Lula, o Ibovespa subiu 97,3%, contra uma inflação anual de 9,3%.
A queda tinha sido lá atrás. “Sell the rumor, buy the fact.”
Bom para os touros
Por essas e outras histórias, que testemunhei operando com ações, acredito que o bull market Bolsonaro mal começou. Sua dimensão dependerá do cenário internacional e da firmeza do novo presidente em sua postura liberal.
A reforma da Previdência vai sair. Pode ser que prejudique apenas os menos afortunados e mantenha os privilégios dos brâmanes do Legislativo e do Judiciário.
Só que isso não interessa ao mercado, cujas mentes mais lúcidas já abandonaram a ideia de aposentadoria pública há muito tempo. Na visão dos traders, se o déficit previdenciário for reduzido pra valer, vamos entrar num círculo vicioso. Vicioso e virtuoso. Menos déficit do Tesouro, economia em crescimento, mais empregos, mais arrecadação para a Previdência, menos déficit, etc., etc., etc.
Como o mundo, e principalmente o Brasil, é sempre imprevisível, não vou garantir que basta comprar ações e correr para os abraços. Mas o jogo está bom para os touros.
Não adianta esperar que todas as peças se encaixem no tabuleiro do jogo da Bolsa. Aí já será tarde. O mercado já terá precificado a bonança.
AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS
A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
7 de outubro de 2026 - 17:57MUDANÇAS NA CARTEIRA
Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
7 de outubro de 2026 - 6:03EM REFORMULAÇÃO
TRBL11 quer deixar Braskem e Correios para trás? FII abre terreno para uma nova estratégia; entenda o que está em jogo
6 de outubro de 2026 - 18:01ONDE INVESTIR APÓS O RALI
Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores
6 de outubro de 2026 - 13:08TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?