Ozempic na versão brasileira: ação da Hypera (HYPE3) sobe forte após balanço, e remédio para emagrecimento ajuda
Farmacêutica planeja entrar na onda das injeções para emagrecimento tão logo expire a patente do remédio, o que deve acontecer daqui a um ano

As ações da farmacêutica Hypera (HYPE3) figuram entre as maiores altas da bolsa nesta sexta-feira (21). Nas primeiras horas do pregão, as negociações dos papéis foram suspensas e entraram em leilão duas vezes por oscilação máxima permitida. Na máxima do dia, os papéis avançaram mais de 6%.
Por volta das 16h25, HYPE3 subia 3,01%, a R$ 20,20, enquanto o Ibovespa tinha leve alta de 0,06%, aos 132.036,70 pontos.
Um dos fatores que animou os investidores foi a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2024 pela companhia na manhã desta sexta-feira. Mas não foi só esta a boa notícia.
Na teleconferência de resultados com investidores e analistas, o CEO Breno de Oliveira afirmou que a Hypera planeja entrar na onda das injeções para emagrecimento estilo Ozempic tão logo expire a patente do remédio, o que deve acontecer daqui a um ano.
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“Estamos trabalhando para lançar assim que cair a patente e estamos bastante otimistas com esse produto a partir do ano que vem”, afirmou o executivo.
Farmacêuticas querem engordar o portfólio
O medicamento para diabetes, também usado para emagrecimento, tem como substância ativa a semaglutida. A patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, vai expirar em março do próximo ano, o que deve mexer com esse mercado em franca ascensão.
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O preço dessas injeções no Brasil atualmente gira em torno de R$ 800 a R$ 1.500. Segundo Oliveira, a expectativa é de que não haverá uma queda muito grande nesse preço.
“Não esperamos degradação tão grande dessa categoria (semaglutida) no curto prazo”, afirmou o presidente da Hypera. “Tem quatro players que já têm pedido de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não sabemos quando cada um deve lançar, mas já sabemos de alguns players”, acrescentou.
Um deles é a farmacêutica EMS, que recebeu a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir a liraglutida em dezembro do ano passado — outro princípio ativo do Ozempic e semelhante à semaglutida. A EMS também já fez propostas de fusão com a Hypera em 2024, mas sem sucesso.
Voltando a falar do balanço da HYPE3
A farmacêutica teve lucro líquido ajustado de R$ 79,5 milhões no 4T24, queda de 74,2% ante o 4T23.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das operações continuadas foi de R$ 136,9 milhões no 4T24, um recuo de 76,4% na base anual.
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A margem Ebitda ficou em 9,1%, uma perda de 22,3 pontos percentuais na comparação anual.
A receita líquida teve queda de 18,2% no 4T24 em relação ao mesmo período de 2023, somando R$ 1,5 bilhão.
O resultado financeiro ficou negativo em R$ 221,5 milhões no trimestre, patamar R$ 2,7 milhões superior a um ano antes.
A Hypera também aprovou a distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 184,7 milhões, o equivalente a R$ 0,29250 por ação ordinária.
O pagamento será realizado até o final de 2026. Serão elegíveis os acionistas posicionados na empresa até 27 de março. Depois dessa data, os proventos serão negociados “ex-JCP” e passarão por um ajuste na cotação referente aos proventos já alocados.
Então você pode optar por comprar a ação agora e ter direito ao JCP ou esperar a data de corte e adquirir os papéis por um valor menor, mas sem direito ao provento.
Resultados da Hypera em 2024
No consolidado de 2024, a Hypera teve lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, queda de 19,3% ante 2023.
O Ebitda totalizou R$ 2,1 bilhões, 23,8% menor que o apurado em 2023.
A companhia destacou, porém, que mesmo com a redução do Ebitda das operações continuadas, o fluxo de caixa operacional alcançou R$ 2,54 bilhões em 2024, maior patamar de sua história, alta de 6% frente a 2023.
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Já a receita líquida atingiu R$ 7,4 bilhões, redução de 6% frente a 2023.
A farmacêutica encerrou dezembro de 2024 com dívida líquida (pós-Hedge) de R$ 7,5 bilhões ante R$ 7,4 bilhões no fim de 2023.
O que os analistas acharam do balanço?
Para os analistas, os resultados trimestrais da Hypera foram fracos, mas dentro do esperado em meio a otimização do capital de giro em curso.
O BTG Pactual, porém, avalia que os números vieram piores do que o esperado, com destaque para a queda da receita líquida e do Ebitda.
“A reestruturação da Hypera, com foco na melhora do capital de giro, resultou em um trimestre fraco do ponto de vista de DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), conforme esperado”, escreveram os analistas Marcelo Zambello, Samuel Alves e Yan Cesquim em relatório.
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Já o Bradesco BBI, o Goldman Sachs e o Itaú BBA destacaram o fato de a empresa estar operando com um prazo de recebíveis de aproximadamente 70 dias para as novas vendas realizadas no final do primeiro trimestre de 2025. Antes, o prazo era de 60 dias e chegou a 116 dias no segundo trimestre de 2024.
“Isso pode ser visto como um sinal positivo pelos investidores, indicando o potencial sucesso da estratégia de otimização do capital de giro, que está sendo implementada”, afirmou o analista Vinicius Figueiredo, do Itaú BBA.
Vale a pena colocar HYPE3 no carrinho?
Os analistas mantiveram a recomendação neutra para os papéis.
O Itaú BBA projeta alta de 12,2% nas ações HYPE3 até o final do ano, com preço-alvo de R$ 22. Já o Goldman Sachs tem preço-alvo de R$ 23.
O BTG Pactual vê a empresa em um momento de resultados ainda fraco e riscos relevantes de execução para manter bons níveis de sell-out. O banco tem preço-alvo de R$ 24 — ou seja, com potencial de valorização de 22,4% sobre o preço de fechamento da véspera (20).
(Com informações do Money Times)
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