Menu
2019-10-16T16:11:37+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Siga o dinheiro

Fuga de dólares bate US$ 40 bilhões em 12 meses. Surpreso? Não deveria…

Saída de recursos é a maior desde que abandonamos o regime de bandas cambiais em 1999. Desde abril, o BC vem alertando para uma mudança estrutural no mercado de câmbio

16 de outubro de 2019
16:11
dólar
Imagem: Shutterstock

Não tem dólar no mercado. De fato, ao olhar os dados do Banco Central (BC) constatamos que faz 20 dias úteis, ou desde 16 de setembro, que a saída, considerando as contas comercial e financeira, supera a entrada e as cifras são grandes.

Nesse período, a saída líquida é de US$ 11,5 bilhões. Muita coisa. Mas olhando janelas de 12 meses a situação chama ainda mais a atenção. A fuga de dólares já soma US$ 40 bilhões, considerando os US$ 6,85 bilhões que deixaram o país nas duas primeiras semanas de outubro. São US$ 60,6 bilhões que saíram na conta financeira e uma magra entrada de US$ 21,5 bilhões na conta de comércio exterior.

Para dar um parâmetro, US$ 40 bilhões são equivalentes a 10,7% das reservas internacionais do país, de US$ 374 bilhões. Esse montante também representa 17,6% do total exportado em todo o ano passado. Se a oferta diminui, não é preciso falar o que acontece com o preço. Dólar acima de R$ 4 vai virando o "novo normal" do momento.

Em julho, já tínhamos alertado para esse inédito movimento de saída. De fato, não observamos tamanha saída líquida de dólares desde meados de 1999, pouco depois do país adotar o regime de câmbio flutuante. Para efeito de comparação, no pior momento da crise financeira de 2008/2009, a saída de dólares bateu US$ 18 bilhões, considerando janelas de 12 meses.

Antes de seguir adiante, repito aqui o conselho prático, já dado por aqui outras vezes: "Seja qual for o comportamento futuro do câmbio, é prudente você sempre manter uma exposição em dólar na sua carteira. Nós inclusive já escrevemos uma reportagem para ajudar você nessa tarefa."

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

O que passa?

O diagnóstico não é novo e já falamos dele em outras ocasiões. Em agosto escrevi que poderíamos ir nos acostumando com um dólar mais caro. Aliás, o último a explicar o fenômeno da alta do dólar foi o próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, em evento na semana passada (veja aqui).

De fato, o próprio BC vem alertando sobre uma mudança estrutural no mercado de câmbio brasileiro desde abril, quando o diretor de Política Monetária, Bruno Serra Fernandes, fez importante palestra falando da perda relativa de atratividade do financiamento externo e de com isso afetava a liquidez em dólares no país.

Resumindo a questão. O comprometimento com uma agenda de ajuste fiscal, proporcionou a queda da inflação e dos juros – já temos estimativas de Selic abaixo de 4%! Quem diria, não é mesmo?

Com isso, o Brasil deixou de ser o paraíso das operações de arbitragem de taxa de juros (carry-trade). Leia-se, pegar dólar no mercado externo a custo quase zero e virar ganhar Selic de 14% ou mais.

Além disso, as reformas no mercado de crédito, notadamente a redução do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no crédito direcionado, proporcionaram um rápido crescimento do mercado de capitais doméstico. Temos empresas domésticas – Petrobras notadamente – pré-pagando dívidas que foram tomadas no mercado externo e contratando financiamentos em moeda local.

Grosso modo, somando as duas coisas, não temos o dólar de curto prazo vindo arbitrar juros e, além disso, temos maior demanda pela moeda para pagamentos externos. Quem dá a liquidez? Primeiro os bancos, com suas posições vendidas, que beiram os US$ 30 bilhões. Mas como há limites regulatórios, é o BC que vem atuando no mercado à vista, como disse que faria.

Em abril, Serra disse que não estava claro quão duradoura seria essa mudança de ambiente. Já estamos no meio de outubro e esses vetores seguem atuando de forma intensa.

O quadro preocupa? Podemos dizer que não. Como disse o próprio Campos Neto, temos um movimento inédito de alta do dólar com queda no risco país e dos juros futuros. A desvalorização não está associada a uma crise de balanço de pagamentos e o mercado também não está pedindo mais juros para financiar a dívida brasileira.

O que pode mudar esse quadro? De forma momentânea há grande expectativa com os leilões de petróleo dos excedentes da cessão onerosa. Estruturalmente, fica a aposta na continuidade da agenda de reformas e privatizações para que o país atraia mais capital externo para investimentos.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Fusão no horizonte

O megainvestidor Carl Icahn está dando uma mãozinha para a Xerox comprar a HP

Em meio às notícias de que a Xerox estaria interessada em comprar a HP, o megainvestidor Carl Icahn resolveu entrar no jogo para viabilizar a operação

Contrato fechado

Embraer recebe seis novos pedidos por aeronaves; encomendas somam US$ 374 milhões

A companhia aérea nigeriana Air Peace e a arrendadora egípcia CIAF Leasing acertaram novos pedidos de aeronaves à Embraer

Depois da Previdência...

Reforma tributária pode sair em março, diz Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem planos para dar encaminhamento à reforma tributária ainda no primeiro trimestre de 2020

Seu Dinheiro no domingo

O fim do mundo como o conhecemos — ao menos, na renda fixa

Com os juros cada vez mais baixos, é hora de buscar alternativas às opções tradicionais de investimento em renda fixa: eis o tema da pensata de hoje, enviada primeiro aos assinantes da newsletter do Seu Dinheiro

Uma gigante chega ao mercado

A Saudi Aramco quer levantar até U$ 25,5 bi com seu IPO e quebrar o recorde da Alibaba

Considerada uma das empresas mais rentáveis do mundo, a petroleira Saudi Aramco divulgou a faixa de preço e a quantia de ações a serem emitidas em seu IPO

O SEGUNDO MAIS RICO DO BRASIL

Jorge Paulo Lemann: conheça a trajetória do bilionário dos resultados

Como o carioca revolucionou o capitalismo brasileiro, comprou grandes ícones americanos como Budweiser, Burger King e Kraft Heinz, e acumulou uma fortuna de US$ 22,4 bilhões

Mercado de trabalho

Emprego informal recorde derruba produtividade da economia brasileira

O crescimento do trabalho informal tem afetado os índices de produtividade da economia do país, de acordo com cálculos da Fundação Getulio Vargas

Shake it off

Taylor Swift, o grupo de investimentos Carlyle e uma briga feia no mundo da música pop

O Carlyle está no centro de uma discussão envolvendo Taylor Swift e sua antiga gravadora, a Big Machine Records, que estão disputando os direitos autorais da obra da cantora pop

Seu Dinheiro no sábado

MAIS LIDAS: O jovem bilionário do Facebook

20 de janeiro de 2010: essa é a data da minha primeira postagem no Facebook. Nada muito inspirador, eu estava só reclamando do clima chuvoso. Nos meses seguintes, todas as minhas interações tratavam de joguinhos on-line — aparentemente, eu era um grande fã de FarmVille. Acessar o túnel do tempo das redes sociais é revelador. […]

Fim das atividades

Braskem encerra extração de sal-gema em Alagoas, alvo de ações de R$ 40 bi

Após supostos prejuízos causados a ruas e casas em Maceió (AL), a petroquímica Braskem decidiu encerrar as atividades de extração de sal-gema cidade

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements