Menu
2019-09-05T10:20:13+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
câmbio

Dólar já subiu demais e mercado desenha correção. Vai ter Disney?

Casa de análise mostra que real foi a moeda que mais caiu entre pares emergentes quando consideradas nossas vulnerabilidades externas. Mercado abre apostas de dólar entre R$ 3,80 a R$ 3,90

5 de setembro de 2019
5:15 - atualizado às 10:20
Dolar-nota-queirmando 2
Imagem: Shutterstock

O dólar. Esse foi o tema de maior discussão nos grupos de “Whatsapp” que participo ao longo da quarta-feira. Também pudera, depois de uma longa arrancada, lambendo os R$ 4,20, a moeda teve a maior queda diária desde 2 de janeiro, ao cair 1,76% e fechar a R$ 4,1053. As apostas, agora, são de dólar abaixo da mítica linha dos R$ 4,0 ainda na semana.

No dia 20 de agosto, tinha juntado elementos para dizer que deveríamos nos acostumar com dólar mais caro. Entre eles a troca de dívida externa por interna, o menor diferencial de juros entre Brasil e o resto do mundo, um ambiente global de maior aversão ao risco e economia americana comparativamente melhor que os pares desenvolvidos.

Esses vetores todos seguem atuantes, mas o mercado sempre “exagera” para um lado ou para o outro. Não existe meio termo entre o paraíso e o desespero. E o câmbio é o mercado que melhor e mais rapidamente espelha isso.

Antes de seguir adiante, repito aqui o conselho prático já dado entre outras conversas. Seja qual for o comportamento futuro do câmbio, é prudente você sempre manter uma exposição em dólar na sua carteira. Nós inclusive já escrevemos uma reportagem para ajudar você nessa tarefa.

Veja bem...

O que começou a acontecer na terça-feira à noite e tomou forma na quarta-feira é como se fosse um movimento de “despertar”. Um famoso “espera aí”, “veja bem”. Tudo bem que há vetores que asseguram uma cotação mais elevada, mas isso não pode estar já um pouco exagerado?

O que acontece nesses momentos é que o comprado, que ganha com a alta do dólar, capitula e embolsa lucro. E o vendido, que ganha com a perda (mas já tinha sido estopado), volta a vender e acha as boas razões para dizer que "estava certo, mas no momento errado”. O que é estar errado, mas tem muita gente que precisa se justificar para si mesmo, acionistas e patrões. É natural.

Olhando no lado dos fundamentos, nada mudou entre o dólar sair de R$ 3,80 no fim de julho, para R$ 4,19 no começo da semana. As contas externas seguem sem problemas, temos reservas internacionais monumentais, mesmo com o BC fazendo a troca de swaps por dólar de verdade, a inflação segue baixa e o mercado mantém as apostas de Selic em queda.

O que teria impulsionado a cotação são eventos que têm de estar no preço, como aumento nas tensões comerciais, dúvidas com Brexit, a crise Argentina, entre outros. Mas, como sempre, eles parecem ter sido exacerbados e agora cabe alguma correção.

Com isso, abrimos a temporada de palpites: até que preço cai o dólar? O palpite que mais ouvi foi para algo entre R$ 3,80 a R$ 3,85, muito influenciado pelos comentários de um tesoureiro de banco estrangeiro. Outro número bastante repetido foi o R$ 3,90.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

De volta aos fundamentos

Para nos ajudar a medir o que seria esse contumaz exagero do mercado, vou lançar mão de um relatório elaborado pela empresa de pesquisas independentes Alpine Macro, sediada no Canadá.

Os analistas da casa montaram um indicador para avaliar a depreciação cambial de algumas moedas emergentes versus seus fundamentos.

Eles pegaram a queda na cotação em comparação com o pico registrado no ano em um eixo e jogaram no outro eixo um score de vulnerabilidade, que leva em consideração a conta corrente, reservas sobre dívida externa de curto prazo e inflação doméstica. Quanto maior o score, pior a nota nesses quesitos. Veja o gráfico

Resultado: nosso real é a moeda que mais apanhou, com uma desvalorização não consistente com sua posição no ranking de vulnerabilidades. Outra moeda na mesma situação foi o won sul-coreano.

Moedas do Chile e de outros países asiáticos oscilaram em linha com o índice de vulnerabilidades. Destoando na ponta oposta a do real, ficou a moeda da Indonésia, que não sofreu quase nada apesar do ter uma posição ruim em termos de vulnerabilidade. Algo que deve durar pouco.

Para Alpine Macro, que vinha tendo uma posição negativa com relação ao real nos últimos meses, a queda da moeda brasileira foi exagerada e a casa fez uma avaliação mais apurada sobre o Brasil.

Conclusão: a Alpine recomenda a seus clientes que voltem a comprar dívida brasileira denominada em reais. Com relação à bolsa, eles mantêm uma posição “um pouco abaixo da média”, por considerar o preço dos ativos ainda elevado em comparação com os pares emergentes acompanhados.

A casa lembra que recomendou realizar lucro em dívida brasileira no começo de agosto. Desde então, o real caiu mais de 5% e os títulos tiveram aumento nas suas taxas. “Os investidores devem considerar recomprá-los”, diz o relatório.

Vamos às razões da Alpine: o Brasil não tem risco de uma crise no balanço de pagamentos, graças ao elevado nível de reservas. Além disso, a inflação tem sido “incrivelmente baixa e estável”, apesar da volatilidade cambial. Também há elevada ociosidade na economia, o que garante preços controlados mesmo que o crescimento ganhe força.

Outro ponto destacado pela consultoria é a uma rara combinação em terras brasileiras. Juros e moeda caindo. Historicamente, o BC sempre teve de subir a taxa de juros de forma agressiva para proteger a moeda de uma forte desvalorização.

Mas, desta vez, a inflação baixa permite ao BC manter o viés de corte de juro mesmo com o real perdendo força. “Isso afrouxou significativamente as condições monetárias do país e é um bom presságio para o crescimento futuro”, diz a Alpine.

Estudo do Goldman Sachs também captou essa forte desvalorização do real em comparação com o que seria "normal". Para o banco, a moeda brasileira pode se recuperar se o apetite por risco melhorar. A ressalva do banco é que o real e o Brasil como um todo ainda podem sofrer contágio de novas pioras na Argentina.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Olho na Vale

Polícia apresentará em breve acusações criminais por Brumadinho, diz fonte

Autoridades devem acusar formalmente entre oito e 12 pessoas pelo crime de falsa representação na primeira de uma série de acusações

Seu Dinheiro na sua noite

Sobre a bolsa, datas e fatos relevantes

No dia 17 de setembro de 2010, o Ibovespa fechou aos 67.089 pontos, em queda de 0,85%. Me arrisco a dizer que nada muito digno de nota tenha acontecido nesse pregão específico da bolsa. Mas para mim ocorreu um fato mais do que relevante: o nascimento da minha filha mais nova. Voltei à redação dias […]

Fica pra próxima

Sem acordo, senadores recuam em projeto que beneficiaria partidos

Relator da proposta no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), retirou todos os demais trechos do texto em uma nova versão de seu parecer

Linha VIP

Bradesco e Itaú preparam crédito imobiliário ajustado pelo IPCA para endinheirado

Bancos privados correm atrás da concorrente Caixa Econômica Federal, que ofereceu a modalidade para o público em geral

Grana solta

Onyx anuncia liberação de R$ 8,3 bilhões em recursos do Orçamento

Informações do ministro mostram que, do total desbloqueado, R$ 1,9 bilhão ficará para a Educação

De olho nas cotações

Preocupações com a alta do petróleo diminuem após declarações de ministro saudita

O ministro de Energia da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman, afirmou que a oferta do petróleo voltou ao nível visto antes do ataque

Leilão em outubro

17 empresas se inscrevem para 16ª rodada de petróleo, diz ANP

Entre as inscritas, 15 são estrangeiras. Na 16ª Rodada de Licitações, vão ser oferecidos 36 blocos de pós-sal

De olho nos bons modelos

Por que Elon Musk acha que a Tesla tem que ser mais parecida com a Amazon?

Em uma ligação, Musk sugeriu que a Amazon não sobreviveria se utilizasse um modelo de entregas similar ao que a Tesla utiliza

boas novas

Desde lançamento, 20% dos financiamentos pela Caixa foram IPCA, diz CEO da Tecnisa

Linha de crédito atualizada pela inflação vale para imóveis residenciais enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e no Sistema Financeiro Imobiliários (SFI)

Dicas valiosas

5 coisas que os ultrarricos estão fazendo (e que você deveria fazer) para proteger seu patrimônio

Pauta de uma recessão financeira entrou de vez na lista de grandes especialistas e proteger o seu patrimônio deve ser uma de suas prioridades

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements