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Definições a respeito da comissão especial da Câmara, somadas ao detalhamento da proposta de reforma da Previdência, deram ânimo ao Ibovespa e ao dólar
O Ibovespa e o dólar começaram a quinta-feira estressados. Afinal, a reforma da Previdência ainda é motivo de preocupação — e, para piorar, o exterior não estava cooperando.
Mas a situação logo mudou de cara: notícias a respeito da comissão especial da Câmara — o próximo colegiado que irá analisar a reforma — trouxeram alívio ao mercado, pelo menos por hoje.
O Ibovespa, por exemplo, chegou a cair 0,88% mais cedo, aos 94.212,77 pontos, mas virou ao campo positivo pouco antes do meio dia, terminando o pregão em alta de 1,59%, aos 96.552,03 pontos. O dólar à vista teve comportamento semelhante: fechou em baixa 0,78%, a R$ 3,9554, após tocar o patamar dos R$ 4,00 logo após a abertura.
Esse alívio sincronizado teve início após a definição de duas figuras-chave da comissão especial da Câmara: o deputado Marcelo Ramos (PR-AM) será o presidente do colegiado, enquanto Samuel Moreira (PSDB-SP) ficará com a relatoria.
"Houve uma surpresa com a agilidade. O presidente e o relator são pró-reforma, e isso é positivo", diz Álvaro Frasson, analista da Necton. Ao todo, a comissão especial terá 49 titulares e igual número de suplentes — o início das atividades, contudo, tende a ficar apenas para o dia 7 de maio.
Rafael Winalda, economista da Toro Investimentos, também destaca a rapidez na definição dos cargos principais da comissão especial, especialmente após as dificuldades enfrentadas pelo governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
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"Há uma inclinação do Rodrigo Maia em dar vazão, velocidade ao trâmite", diz Winalda. Segundo o presidente da Câmara, o cronograma de discussão da proposta deve se desenrolar entre os meses de maio e junho na comissão especial.
Esse movimento de recuperação, tanto do Ibovespa quanto do dólar, ganhou ainda mais força após a divulgação dos dados detalhados da reforma da Previdência. Segundo o ministério da Economia, o impacto total da proposta em 10 anos está estimado em R$ 1,236 trilhão, um pouco acima da estimativa inicialmente apresentada, de R$ 1,1 trilhão.
Mas, apesar do alívio, o mercado segue cauteloso em relação à tramitação da reforma, uma vez que a comissão especial é uma etapa vital para a proposta — essa é a fase em que o texto poderá sofrer as alterações mais profundas e os maiores atrasos.
Winalda, da Toro, ainda pondera que as declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra Fernandes, contribuíram para trazer maior tranquilidade ao mercado de câmbio.
Em evento em São Paulo, o diretor afirmou, entre outros pontos, que o dólar "mais caro" pode ser um fenômeno que veio para ficar, e que o BC vai atuar apenas em momentos de estresse. Segundo Fernandes, a instituição não atua para mudar a direção da taxa de câmbio, mas sim para suavizar eventuais movimentos de estresse do mercado.
"A fala do diretor trouxe segurança", diz Winalda. "A declaração foi no sentido de ressaltar que o BC não vai aceitar especulações e ataques a moeda que possam gerar volatilidade no curto prazo".
Lá fora, o dia começou pesado tanto nas bolsas quanto no mercado de câmbio. O mau humor diminuiu um pouco ao longo da tarde, mas, em linhas gerais, o tom seguiu sendo de cautela no exterior.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo, continuou em alta nesta quinta-feira, mostrando que a moeda americana segue forte no exterior. Ante as divisas emergentes, contudo, a performance foi mista: o dólar ganhou terreno contra o rublo russo, o peso colombiano, a lira turca e o peso argentino, mas perdeu contra o rand sul-africano e o peso mexicano.
Na comparação com o real, o dólar começou o dia em leve alta. Mas, após o ganho de 1,64% de ontem, o mercado de câmbio aproveitou o alívio trazido pelo noticiário local para virar ao campo negativo, voltando à faixa de R$ 3,95
Entre as bolsas dos Estados Unidos, o Dow Jones recuou 0,51% — o mau desempenho das ações da 3M, em queda de quase 13% após um balanço decepcionante no primeiro trimestre, pressionou o índice. No entanto, o S&P 500 (-0,04%) e o Nasdaq (+0,21%) conseguiram ter desempenho melhor.
Frasson, da Necton, ainda destaca que os dados de pedidos de bens duráveis nos Estados Unidos em março superaram em muito a projeção dos analistas — um sinal de força da economia americana. "Isso abre espaço para o Fed aumentar os juros no médio prazo", diz ele, ressaltando que esse cenário pode impactar negativamente as bolsas americanas.
As curvas de juros fecharam perto da estabilidade: os DIs para janeiro de 2020 ficaram inalterados em 6,46%, enquanto os DIs com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 7,04% para 7,08%. As curvas para janeiro de 2023 avançaram de 8,22% para 8,23%, enquanto as para janeiro de 2025 recuaram de 8,77% para 8,76%.
O balanço trimestral do Bradesco foi bem recebido por analistas, mas, ainda assim, as ações ficaram aquém dos demais papéis do setor bancário. Os papéis ON da empresa fecharam em queda de 0,03%, enquanto os ativos PN tiveram alta de 0,84%.
A instituição registrou lucro líquido de R$ 6,238 bilhões entre janeiro e março deste ano, alta de 22,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço no lucro elevou a rentabilidade do Bradesco para 20,5% — o banco não apresentava um retorno sobre o patrimônio acima de 20% desde o quarto trimestre de 2015.
Analistas reagiram bem aos resultados, destacando os números da área de seguros do banco, mas chamaram a atenção para a receita mais fraca com a cobrança de tarifas e serviços, além do aumento mais forte das despesas.
Segundo um gestor, os resultados do Bradesco foram sólidos, porém dentro do esperado. "Provavelmente, alguns investidores estavam esperando uma grande surpresa positiva, da mesma amplitude da registrada no quarto trimestre de 2018, e essa surpresa não veio", diz ele. "É um movimento mais técnico".
Outras ações do setor bancário aproveitaram o bom humor dos mercados para subir com maior intensidade, caso de Itaú Unibanco PN (+1,54%) e Banco do Brasil ON (+1,64%).
Os papéis ON da Natura avançaram 10,05% e lideraram os ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira, em meio à percepção de que as negociações entre a empresa brasileira e a Avon estão avançando.
A Avon Products e o fundo de investimentos Cerberus acertaram a venda divisão norte-americana da Avon à sul-coreana LG Household & Health, por US$ 125 milhões. "A informação ajuda na negociação, a Natura tem interesse nas operações da Avon na América Latina", diz um gestor. "A Avon Europa deve ser resolvida depois, mas o cenário como um todo melhorou".
Os ativos da Suzano e da Klabin também se deram bem nesta quinta-feira. Em relatório, o BTG Pactual diz que os estoques globais de celulose parecem estar se normalizando — o excesso de oferta vinha limitando os preços da commodity. "Acreditamos que estamos num ponto de inflexão, em termos de tendência, e esperamos uma reação positiva do mercado", diz o documento.
Como resultado, as units da Klabin fecharam o pregão com ganho de 5,17%, enquanto as ações ON da Suzano avançaram 3,96%.
As ações ON da Lojas Renner terminaram o dia entre as maiores atas do Ibovespa, com ganho de 5,56%. A empresa divulga ainda hoje seus números referentes ao primeiro trimestre deste ano — e as perspectivas são positivas.
Segundo a média das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, a Renner deve encerrar o período com lucro líquido de R$ 146 milhões, alta de 31% ante os primeiros três meses de 2018. A receita líquida da companhia deve crescer 15% na mesma base de comparação, para R$ 1,872 bilhão.
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