Menu
2019-04-25T10:18:12+00:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Balanço

De volta ao clube! Bradesco tem lucro acima das projeções e rentabilidade supera os 20%

Banco registrou lucro líquido de R$ 6,238 bilhões no primeiro trimestre, alta de 22,3% em relação ao mesmo período do ano passado, e com retorno sobre o patrimônio de 20,5%

25 de abril de 2019
6:48 - atualizado às 10:18
Agência do Bradesco
Imagem: Estadão Conteúdo / Ricardo Lisboa

O Bradesco abriu a temporada de divulgação dos balanços dos grandes bancos do primeiro trimestre de volta ao seleto clube das instituições com rentabilidade acima dos 20%.

O segundo maior banco privado brasileiro registrou lucro líquido de R$ 6,238 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 22,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado superou com folga as projeções dos analistas, cuja média apontava para um lucro de R$ 6,020 bilhões, de acordo com a Bloomberg.

O avanço no lucro elevou a rentabilidade do Bradesco para 20,5% no primeiro trimestre deste ano. O banco não apresentava um retorno sobre o patrimônio acima de 20% desde o quarto trimestre de 2015. Mas vale lembrar que naquela época os bancos surfavam com a taxa básica de juros (Selic) a 14,25% ao ano.

"Esses níveis são sustentáveis ao longo do ano e ainda podemos apresentar alguma melhora", afirmou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, em teleconferência com a imprensa.

Os números aumentam a expectativa para os balanços de Santander e Itaú Unibanco, os outros membros do "Clube dos 20%", que saem na próxima semana.

É o crédito

Depois de passar os últimos anos com o freio de mão puxado no crédito e digerindo a aquisição do HSBC Brasil, que custou R$ 16 bilhões, o Bradesco voltou a acelerar na concessão de financiamentos.

A carteira de crédito do banco atingiu R$ 548,3 bilhões, um avanço de 3,1% no trimestre e de 12,7% em 12 meses. Com o resultado, o banco fica próximo do teto da projeção feita para o crescimento do crédito neste ano, que varia de 9% a 13%.

Nas linhas para pessoas físicas, a alta no crédito foi de 12,6% em 12 meses. As operações de crédito consignado, imobiliário tiveram o maior avanço percentual.

A concessão de novos financiamentos por dia útil do banco cresceu 21,5% nas linhas para pessoas físicas e 30,5% para as empresas na comparação com os três primeiros meses do ano passado.

Com a alta do crédito, a margem financeira do banco, que inclui as receitas do banco com a concessão de financiamentos e o resultado da tesouraria, subiu 4,2% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e somou R$ 14,087 bilhões.

Menos calotes

A queda na inadimplência como resultado da melhora ainda que tímida da economia também contribuiu para o resultado.

O índice de atrasos acima de 90 dias na carteira do banco encerrou o primeiro trimestre em 3,27%, abaixo dos 3,51% de dezembro e dos 4,4% registrados em março do ano passado.

Lazari disse que o ciclo de redução da inadimplência está perto do fim, mas ele ainda vê espaço para uma pequena melhora nos índices de calotes nos próximos trimestres.

Com a redução da inadimplência, as despesas do Bradesco para cobrir perdas com crédito, a chamada PDD, caiu 8,4% em relação aos três primeiros meses do ano passado, para R$ 3,6 bilhões.

Tarifas e despesas

A receita do banco com tarifas, que ajudou o banco a manter os lucros bilionários nos anos de crise, agora crescem a uma velocidade menor. Elas somaram R$ 8,074 bilhões, alta de 2,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2018 e abaixo da expectativa do banco para o ano como um todo, que prevê um aumento de 3% a 7%.

As despesas também foram piores do que o esperado e atingiram R$ 10,184 bilhões, uma alta de 5,7%, ou seja, acima da inflação acumulada dos últimos 12 meses. A projeção do Bradesco para este ano é de um crescimento de zero a 4% nos gastos.

Lazari creditou o avanço ao maior investimento feito pelo banco em tecnologia e ao provisionamento de gastos para o programa de bônus para a força de vendas na rede de agências.

"Nesse caso, o desvio em relação ao guidance [meta] foi bom", disse o presidente do Bradesco.

As despesas com pessoal aumentaram 6,8% na comparação com os três primeiros meses do ano passado. O banco atribuiu o crescimento ao reajuste dos bancários e ao maior número de funcionários. O Bradesco encerrou o trimestre com um total de 99.156 empregados, um aumento de 1.563 ante março de 2018.

Descolado

O desempenho do banco no trimestre se descolou da atividade econômica do país. Algo que surpreendeu o próprio Bradesco. "A economia não foi exatamente aquilo que gostaríamos e prevíamos quando fizemos o nosso orçamento", disse Lazari.

O banco reduziu a perspectiva de crescimento do PIB para 1,9% neste ano. "Mas acreditamos que a economia vai acelerar com definição da reforma da Previdência", afirmou.

Lazari espera que a reforma seja pouco desidratada. "Uma economia de R$ 1 trilhão em dez anos é fundamental para ajustar a questão fiscal", disse o presidente do Bradesco. Ele considera que uma economia menor com a proposta, de algo como R$ 600 bilhões, já não é mais suficiente para o país.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Siga o dinheiro

Fuga de dólares bate US$ 40 bilhões em 12 meses. Surpreso? Não deveria…

Saída de recursos é a maior desde que abandonamos o regime de bandas cambiais em 1999. Desde abril, o BC vem alertando para uma mudança estrutural no mercado de câmbio

Boas novas

Juro baixo faz BlackRock ampliar aposta no Brasil

A projeção é que a Selic baixa empurre investidores para ativos de mais risco, incluindo investimentos no exterior, que ainda engatinham por aqui

dinheiro no bolso

36,9 milhões de correntistas da Caixa já sacaram recurso do FGTS

Saque de até R$ 500 por conta ativa ou inativa do fundo tem sido feito de forma escalonada, dependendo da data de aniversário de trabalhador

novas funções

Relator de MP que permite saque do FGTS vai ampliar forma de aplicação do fundo

Hoje, a lei só permite que o dinheiro seja usado para financiar moradias, saneamento e infraestrutura

todo mundo no azul

Bolsonaro assina MP que promete estimular regularização de dívidas

Texto foi chamado de MP do Contribuinte Legal e, segundo o governo, é alternativa mais justa do que parcelamentos especiais (Refis)

Exile on Wall Street

Há salvação para o investidor?

Escolhemos hoje, sobre resultados que só acontecerão no futuro. E não adianta tentar, no presente, penetrar o futuro. Há razão objetiva para serem tempos verbais diferentes. Afinal, ora, são coisas diferentes. Se fossem a mesma, teriam o mesmo nome.

Manda mais

Governo envia a Congresso mais 8 projetos de lei pedindo aval para crédito

As propostas se somam a outros dez projetos de lei pedindo autorização para a liberação de crédito extra também enviados formalmente na terça, conforme avisou a edição regular do Diário Oficial de terça-feira.

juntas

Governo dá mais um passo para aproximar Correios e Telebras do setor privado

Ambas foram incluídas no Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (PPI)

racha

Bolsonaro diz que não quer tomar PSL, mas cobra abertura dos gastos do partido

Perguntado se deseja a saída do presidente do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE), Bolsonaro disse que não defende “nada”

Memória

Estilo madrugador de Lázaro Brandão ajudou a forjar a cultura do Bradesco

Depois de 75 anos dando expediente religiosamente a partir das 7 da manhã, “seu Brandão” manteve dedicação ao banco mesmo após deixar as funções executivas. Eu conto algumas ocasiões em que estive com o lendário banqueiro

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements