Hapvida (HAPV3) lidera altas do Ibovespa após tombo da semana passada, mesmo após Safra rebaixar recomendação
Papéis mostram recuperação após desabarem mais de 40% com balanço desastroso no terceiro trimestre, mas onda de revisões de recomendações por analistas continua

Na tentativa de recuperar as fortes perdas da semana passada, as ações da Hapvida (HAPV3) lideram os ganhos do Ibovespa nesta segunda-feira (17). Por volta de 15h30 (horário de Brasília), HAPV3 registrava alta de 4,50%, a R$ 18,59.
Os papéis da operadora de saúde enfrentaram uma forte pressão vendedora nos últimos dois pregões, em reação aos números do terceiro trimestre (3T25).
Na noite da última quarta-feira (12), a operadora de saúde reportou um lucro líquido de R$ 338 milhões entre julho e setembro, alta de 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
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No período, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 746,4 milhões, diminuição de 2,1%, sem efeitos não recorrentes.
Mas os principais pontos de atenção foram o caixa da companhia e o aumento da taxa de sinistralidade (MLR): a operadora teve uma queima de fluxo de caixa livre de R$ 51,9 milhões no 3T25, pressionado pela piora do Ebitda; e o MLR subiu 1,4 ponto percentual, para 75,2%, alta motivada pelo aumento de ocorrências médicas.
Com os resultados e uma série de revisões nas estimativas dos bancos, as ações tombaram mais de 42% na semana passada.
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Safra rebaixa recomendação da Hapvida
Na esteira de vários bancos, o Safra revisou as estimativas para Hapvida e rebaixou a recomendação da ação de compra para neutro.
O banco também cortou o preço-alvo para R$ 22,50 — o que ainda representa um potencial de valorização de 25% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (14).
Em relatório divulgado nesta segunda, os analistas Ricardo Boiati, Thiago Marmo e Rafael Une afirmaram que a operadora de saúde apresentou um conjunto “muito fraco de resultados” no 3T25, ficando bem abaixo do consenso e desencadeando uma forte venda das ações.
Para a equipe do Safra, as revisões negativas de lucro — após os resultados do 3T25 — “pioram a perspectiva de valuation, enquanto a falta de visibilidade torna uma precificação mais desafiadora”.
“A ausência de metas de margem, seja de curto ou longo prazo, deixa o mercado praticamente no escuro quanto ao caminho da recuperação e ao equilíbrio de longo prazo”, escreveram os analistas.
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Além disso, a percepção de risco da ação entre investidores parece ter aumentado de forma material, na visão dos analistas, diante de revisões significativas para baixo nos lucros, da volatilidade relevante nos resultados e no preço das ações, bem como da execução heterogênea desde a aquisição do Grupo Notre Dame Intermédica — há quase quatro anos.
O Safra ainda afirma que o ruído regulatório contínuo pode contribuir ainda mais para reduzir o apetite dos investidores.
Onda de revisões
O Safra é a quinta instituição a revisar as estimativas para a Hapvida após os números do 3T25.
Na última sexta-feira (14), a Ágora Investimentos/Bradesco BBI reduziu o preço-alvo das ações em quase 50% — um corte de R$ 24. Agora, o banco projeta as ações HAPV3 em R$ 27 no final de 2026. O preço-alvo anterior era de R$ 51.
O BB Investimentos também rebaixou a recomendação das ações de compra para neutro, e o BTG Pactual cortou o preço-alvo de R$ 67 para R$ 50 no final de 2026.
Já o JP Morgan fez uma dupla revisão: rebaixou a recomendação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 52 para R$ 39.
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