Menu
2018-10-24T18:41:42+00:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Em dia ruim lá fora, Ibovespa leva tombo de 2,62%; bolsas de NY apagam ganhos do ano

Apenas quatro ações do Ibovespa subiram nesta quarta, e dólar voltou a subir para R$ 3,73; dia foi marcado por terrorismo nos EUA e aversão a risco por conta de incertezas globais

24 de outubro de 2018
11:23 - atualizado às 18:41
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Balanços positivos de empresas brasileiras e americanas não estão sendo capazes de reanimar os mercados - Imagem: Seu Dinheiro

O Ibovespa fechou em forte queda de 2,62%, aos 83.063 pontos, nesta quarta-feira de forte volatilidade e aversão a risco no Brasil e no exterior. O dólar à vista teve alta significativa de 1,00%, fechando a R$ 3,7382.

Os mercados locais foram arrastados pelo mau humor externo em um dia de altos e baixos. As bolsas abriram em alta no Brasil e em Nova York, mas ainda de manhã passaram a recuar, com a continuidade do movimento de aversão a risco visto nos últimos pregões.

À tarde, as quedas em NY foram aprofundadas após a confirmação de atos terroristas nos EUA e a divulgação do Livro Bege do Fed, o que também piorou o desempenho da bolsa por aqui.

Nem o início da temporada de balanços no Brasil foi capaz de dissipar o pessimismo externo. Apenas quatro ações do Ibovespa - Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11), Fibria (FIBR3) e Weg (WEGE3) - tiveram valorização no pregão de hoje.

Os índices Dow Jones e S&P500 zeraram os ganhos do ano. O Dow Jones fechou em queda de 2,41%, aos 24.585 pontos; o S&P500 recuou 3,08%, aos 2.656 pontos; e a Nasdaq fechou em baixa de 4,43%, aos 7.108 pontos.

O dólar se valorizou globalmente, e os juros dos títulos do Tesouro americano caíram, devido à migração dos investidores para ativos mais seguros.

Os juros futuros fecharam em alta por aqui. O DI para janeiro de 2021 avançou de 8,293% para 8,36%; já o DI para janeiro de 2023 subiu de 9,423% para 9,57%.

Terrorismo nos EUA

Hoje à tarde, o Serviço Secreto americano interceptou uma bomba endereçada a Hillary Clinton em Nova York, além de ter descoberto um possível explosivo enviado ao ex-presidente Barack Obama, em Washington.

Um pacote suspeito que chegou ao prédio da CNN, na cidade de Nova York, motivou a evacuação do local e o envio de um esquadrão antibombas.

Os mercados acentuaram as perdas do dia depois que o governador de Nova York, Andrew Cuomo, confirmou que o envio de pacotes a figuras públicas foi um ato terrorista. Cuomo disse ainda que não ficaria surpreso se mais pacotes suspeitos aparecessem.

Livro Bege aumentou o temor de aperto monetário

Mais tarde, às 15h, o Fed divulgou seu Livro Bege, com dados de desempenho econômico nos EUA. Segundo o documento, a economia segue aquecida, o que pressionou as bolsas devido à expectativa de um aperto monetário maior que o previsto para conter uma eventual alta inflacionária.

No entanto, o Livro Bege mostrou também que os salários não têm crescido no ritmo esperado.

Os bancos têm elevado suas previsões para o crescimento da economia americana no terceiro trimestre. Na sexta-feira será divulgado o PIB do país.

Mais cedo, porém, as vendas de moradias nos EUA em setembro mostraram recuo de 5,5%, queda maior que a estimada pelos analistas.

Por ora, o mundo teme que o crescimento americano seja pujante a ponto de fazer o Fed aumentar os juros mais rápido que o previsto, o que reduz a atratividade das ações e aumenta a dos títulos do Tesouro dos EUA, derrubando as bolsas.

Ao mesmo tempo, as perspectivas de um crescimento global mais fraco neste ano é um dos fatores que também vêm contribuindo para o aumento da aversão a risco no mundo.

Mais do mesmo no exterior

A Alemanha e a zona do euro divulgaram fracos PMIs (Purchasing Managers' Index, índice que mede a atividade do setor industrial). Nos EUA, as vendas de moradias em setembro recuaram 5,5%, queda maior do que a estimada pelos analistas.

Já a África do Sul anunciou uma revisão de seu déficit orçamentário para os próximos anos, com rombos ainda maiores que os estimados inicialmente. Analistas já consideram a perda do grau de investimento pelo país.

No mais, persistem as preocupações que já vêm abalando o mercado nos últimos pregões, como as revisões para baixo nas previsões para o crescimento global neste ano, as negociações difíceis para o Brexit e a potencial queda da premiê britânica Theresa May, as tensões entre EUA e Arábia Saudita por conta das suspeitas de assassinato de um jornalista no consulado saudita na Turquia, e a crise fiscal na Itália.

Nesta semana, prossegue a temporada de balanços corporativos nos EUA. Os bons resultados da Boeing, divulgados hoje, fizeram a ação da companhia subir.

Os resultados divulgados depois do fechamento do pregão também foram positivos. No after hours, as ações da Whirlpool, dona da Brastemp no Brasil, subiram 4,58% após a divulgação do balanço da companhia, e as da Ford avançaram 2,32%.

Na Europa, a maioria das bolsas fechou em baixa.

Ibope não parece ter feito diferença

Para fontes ouvidas pelo "Broadcast", serviço de notícias em tempo real do "Estadão", a pesquisa Ibope divulgada ontem, que mostra aumento da rejeição a Bolsonaro e redução da rejeição a Haddad, não afetou o mercado hoje.

A eleição de Bolsonaro é praticamente certa e já está nos preços. Para os especialistas ouvidos, o que é capaz de mexer com os mercados agora são suas propostas para a economia e as indicações para sua equipe econômica. Segundo eles, nesta semana a bolsa ainda deve andar "de lado" enquanto os investidores esperam novidades.

Temporada de balanços

Hoje começou a temporada de balanços das companhias brasileiras. Duas das quatro ações do Ibovespa que viram alta hoje divulgaram números positivos antes do pregão.

A Fibria (FIBR3) fechou em alta de 1,12%. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,130 bilhão no terceiro trimestre, abaixo do esperado pelo mercado. Porém, o Ebitda ajustado de R$ 3,269 bilhões e a receita líquida de R$ 5,836 bilhões foram recordes e vieram acima do esperado.

Já a Weg (WEGE3), fabricante de motores, tintas e vernizes, subiu 0,78%. A companhia divulgou alta de 22,2% no lucro líquido, para R$ 381,430 milhões, e elevação de 25,9% no Ebitda, para R$ 489,022 milhões. Os resultados vieram acima do esperado pelo mercado.

A Suzano (SUZB3) teve a maior alta do dia, de 2,46%, com a perspectiva de divulgação de bons resultados amanhã. De acordo com analistas ouvidos pelo "Broadcast", a Suzano deve apresentar números recordes, com a normalização do custo de caixa depois da greve dos caminhoneiros, tendência positiva para os preços de papel e celulose e apreciação do dólar.

As instituições financeiras consultadas esperam, em média, um lucro líquido de R$ 452 milhões, com estimativas variando entre R$ 150 milhões e R$ 765 milhões.

Hoje ainda saem os resultados de Odontoprev (ODPV3), que fechou em alta de 1,84%; Via Varejo (VVAR11), que fechou em queda de 4,70%; e Localiza (RENT3), que recuou 2,32%.

O principal balanço a ser divulgado ainda nesta quarta é o da Vale (VALE3), cujas ações fecharam em queda de 4,09%. Contudo, o mercado espera resultados positivos. A expectativa é que a mineradora registre um lucro líquido de R$ 1,91 bilhão no terceiro trimestre, desempenho considerado forte por analistas, apesar de representar uma queda de 15% contra um ano antes.

Virada da Petrobras

As ações da Petrobras tiveram uma manhã de valorização, ajudadas pela alta nos preços do petróleo e também pelo anúncio de início de produção de petróleo e gás natural em mais uma área do campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos.

Embora o Departamento de Energia dos EUA (DoE) tenha divulgado aumento acima do esperado nos estoques de petróleo do país na semana, os estoques de gasolina caíram mais que o esperado e o de destilados tiveram queda, contrariando previsões de alta. A produção ficou estável. Isso contribuiu para a força do preço do petróleo hoje.

Porém, depois de meio-dia, o sinal virou e os papéis da estatal passaram a cair, fechando em queda de 2,88% (PETR3) e 1,98% (PETR4).

Cosan tem a maior queda do Ibovespa

A Cosan teve a maior queda do Ibovespa, depois de divulgar fato relevante dizendo que estuda incorporar a Cosan Logística. A Cosan passaria a ser controladora direta da Rumo, com a manutenção do controle indireto pela CCZ.

"Por meio da operação pretendida, Cosan e Cosan Log buscam simplificar e otimizar a estrutura societária do grupo e reduzir custos operacionais", diz a nota.

Os papéis da Cosan (CSAN3) fecharam em baixa de 9,95%, enquanto os da Cosan Logística (RLOG3) subiram 8,35% e os da Rumo (RAIL3) recuaram 5,43%, segunda maior queda do Ibovespa.

O Citi soltou relatório mantendo a recomendação de compra das ações da Cosan e o preço-alvo em R$ 53. Os analistas esperam melhora na divisão de energia, puxada pelos preços do açúcar e do etanol em 2019, e margem Ebitda de distribuição de combustíveis acima dos concorrentes no ano que vem.

*Com Estadão Conteúdo

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Ações para uma vida

Conheça os 5 maiores investimentos da carteira do bilionário Warren Buffett

Em junho deste ano, a holding de Warren Buffett detinha na carteira ações de 47 companhias. Mas cinco delas representavam 69% do total em valor de mercado. Confira quais são as queridinhas do “oráculo de Omaha”

QUER GANHAR DINHEIRO?

5 estratégias para lucrar na bolsa olhando apenas os gráficos

Quem souber interpretar esses movimentos pode ter insights valiosos sobre a tendência de preços.

Impasse sem fim

Hoje não? Hoje sim. Parlamento britânico volta a adiar votação sobre acordo do Brexit

Foi um duro golpe para primeiro-ministro Boris Johnson, que poderá se ver obrigado a pedir à União Europeia o adiamento da saída do Reino Unido

Sócios na bolsa

Banco do Brasil atrai mais de R$ 7 bilhões em recursos de pessoas físicas em oferta de ações

Uma parcela de 30% da emissão do Banco do Brasil foi destinada ao varejo, embora a demanda fosse suficiente para cobrir o total da oferta, de R$ 5,8 bilhões

O melhor do Seu Dinheiro

MAIS LIDAS: Um novo modelo para o concurso público

Durante um bom tempo, se você digitasse “Banco do Brasil” no Google, a primeira palavra sugerida para a busca seria “concurso”. Ainda hoje o termo aparece bem à frente nas pesquisas do site do que “investimentos”, por exemplo. A estabilidade de uma carreira no serviço público continua sendo a aspiração de muita gente, ainda mais […]

Governança corporativa

Após vender Via Varejo, GPA dá novo passo para migrar ações ao Novo Mercado da B3

Pão de Açúcar publicou o primeiro aviso da oferta pública de aquisição (OPA) da Almacenes Éxito, que possui ações listadas na Colômbia, dentro da reestruturação das operações do grupo francês Casino na América Latina

Maquininhas de cartão

Luz verde! UBS inicia cobertura de ações da Stone com recomendação de compra

O preço-alvo para as ações da Stone, que são negociadas na Nasdaq, foi definido em US$ 42, o que representa um potencial de alta da ordem de 23%

Briga política

Bolsonaro quer processar deputado que o chamou de ‘vagabundo’

Em áudio vazado de uma reunião interna da legenda, o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, também disse que vai “implodir” o presidente Jair Bolsonaro

Smartphone

Com iPhone 11 mais barato, Apple volta a atrair fila de lançamento

Preços do iPhone 11 ainda são salgados e variam entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, mas estão um pouco abaixo de 2018, quando a Apple lançou o modelo XR por pelo menos R$ 5,2 mil

Sopa de letrinhas

Entenda como funciona o rating, a nota de crédito dos países e das empresas

A avaliação sobre a capacidade financeira de países e empresas de uma maneira padronizada serve para que os investidores conheçam o nível de risco a que estão se expondo na hora de comprar títulos de dívida. Eu conto para você o conceito que está por trás dessas notas

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements