Menu
2019-11-13T09:19:34-03:00
TESOURADA

Caixa corta em 50% juro do cheque especial

Corte acontece no momento em que o governo se prepara para lançar novas regras para esse tipo de linha de crédito

13 de novembro de 2019
8:25 - atualizado às 9:19
Caixa Economica Federal
Imagem: Shutterstock

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça-feira, 12, a redução de juros no cheque especial. A partir do próximo mês, a taxa mínima cobrada pela instituição será de 4,99% ao mês, ante os atuais 9,99%. O corte acontece no momento em que o governo se prepara para lançar novas regras para esse tipo de linha de crédito - que tem um dos maiores juros do mercado (média anual de 307,6% em setembro).

Uma das possibilidades é que os bancos possam cobrar tarifa do cliente que quiser manter determinado limite do cheque especial, abrindo espaço para a redução dos juros na operação. Atualmente, o mercado pode elevar ou reduzir limites conforme o perfil do cliente. É comum que clientes com histórico de adimplência e mais recursos na conta-corrente tenham limites maiores no cheque especial, mas não utilizem os recursos que estão disponíveis.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que a nova taxa "continua gerando resultado" e que existe mais espaço para novas reduções. Segundo ele, a iniciativa partiu do próprio banco e não houve ingerência do ministro da Economia, Paulo Guedes. Durante a gestão Dilma Rousseff, o governo usou as instituições públicas para forçar os concorrentes privados a mexerem nos seus juros.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

"Essa taxa (os 4,99%) não parou por aqui. Continuamos estudando (novas reduções)", disse Guimarães. A pedido do jornal "O Estado de S. Paulo", o professor de finanças Fábio Gallo, da FGV, calculou o custo de um saque de R$ 1 mil no cheque especial. Com uma taxa de 9,99% ao mês, esse custo depois de um ano chega a R$ 2.809,56. Com 4,99%, o correntista tem de pagar R$ 1.793,80 (diferença de R$ 1.015,76).

Autorregulação

Em reunião com senadores na semana passada, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, tratou do assunto. Segundo parlamentares, uma das avaliações é que, ao disponibilizar um limite ao cliente, o banco está sendo onerado, mesmo que esses recursos não sejam utilizados. Esse custo para a instituição financeira estaria sendo bancado pelos clientes que efetivamente utilizam o limite do cheque especial - geralmente, aqueles com menor poder aquisitivo.

Sob a presidência de Ilan Goldfajn, que esteve no comando do BC durante o governo de Michel Temer, a solução que surgiu foi a de uma autorregulação por parte dos bancos. Em julho do ano passado, por iniciativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras passaram a oferecer um parcelamento para dívidas superiores a R$ 200 no cheque especial. A expectativa era que essa migração para linhas mais baratas acelerasse a tendência de queda dos juros cobrados do consumidor. Em junho de 2018, porém, antes do início da nova dinâmica, a taxa do cheque especial estava em 304,9% ao ano - patamar abaixo do verificado atualmente.

Na avaliação do economista Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, o corte anunciado pela Caixa é um sinal de que há muita gordura para queimar nessa modalidade. "Mesmo com a redução, a taxa continua alta, considerando o atual nível da taxa Selic (hoje em 5% ao ano)", disse ele.

Questionado sobre a movimentação da Caixa, o Itaú Unibanco afirmou que suas taxas começam a partir de 2,6% ao mês e que os valores cobrados dependem de fatores que vão além da Selic, como inflação e custos operacionais. Já o Santander afirmou que sempre orienta os clientes para que a utilização do cheque especial seja apenas no curto prazo e em emergências.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

A Bula do Mercado

Dia de decisão de BCs

Bancos Centrais dos EUA e do Brasil anunciam decisão de juros, mas atenção do mercado financeiro está na sinalização dos próximos passos

PRIVATIZAÇÃO

Privatização da Eletrobras será discutida no 1º semestre, diz Ferreira Júnior

“É a primeira vez que o Brasil vai fazer uma operação desse tamanho, temos que ir com calma”, disse durante palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

ESTÁ DE SAÍDA

Oi anuncia saída de Eurico Teles da presidência

A saída ocorre no mesmo dia em que a companhia foi alvo da 69ª fase da Operação Lava Jato e que investiga supostos repasses financeiros que teriam sido realizados pela Oi / Telemar em favor de empresas do grupo Gamecorp/Gol

Oferta de ações

XP vende ação acima da faixa indicativa no IPO e estreia na Nasdaq valendo R$ 62 bilhões

Preço por ação da XP na oferta realizada na bolsa americana foi definido em US$ 27, acima do teto da faixa estipulada, que variava de US$ 22 a US$ 25, segundo a Broadcast/Estadão

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Rodada decisiva no jogo das tarifas

Além dos números da economia e das empresas, entender pelo menos um pouco sobre relações internacionais tornou-se fundamental para os investidores desde o início da guerra comercial entre Estados Unidos e China. A disputa, que está mais para um jogo de cartas do que para uma guerra propriamente dita, é acompanhada com tensão pelo mercado porque […]

Jogo tenso

Com as cartas da guerra comercial ainda na mesa, o Ibovespa e as bolsas globais fecharam em queda

O Ibovespa teve a segunda baixa consecutiva, refletindo o clima de cautela que tomou conta dos ativos globais nesta terça-feira. Lá fora, os mercados ficaram de olho nas movimentações da guerra comercial — e, ao menos por enquanto, não há nada definido entre EUA e China

DE OLHO NO GRÁFICO

Sinal amarelo para o S&P 500 e 16 ações para ficar de olho

Neste vídeo, eu analiso o S&P 500, o Ibovespa e outros indicadores americanos e indica 16 ações brasileiras para ficar de olho. A contagem regressiva para o fechamento de minha Última Imersão a preço de Black Friday está terminando. Garanta aqui o seu acesso

BANCO

Presidente do BB diz que não há nenhuma negociação sobre venda do banco para concorrente

Ele destacou que “é mentira” que o Banco do Brasil esteja negociando seu controle com outro grupo econômico. “Isso nunca passou por nossa cabeça”, disse Novaes

NOVIDADES À VISTA

Marfrig lança marca própria de hambúrgueres vegetais

Além dos investimentos na parte de produtos de origem vegetal, a Marfrig quer trazer mais dinheiro para o caixa da empresa. A empresa confirmou no começo deste mês que fará uma oferta subsequente de ações (follow-on)

Altas e baixas

Gol, Azul, Itaú e Banco do Brasil: os destaques do Ibovespa nesta terça-feira

O setor aéreo liderou as perdas do Ibovespa nesta terça-feira, com as ações da Gol e da Azul fechando em queda. Itaú e Banco do Brasil também caíram

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements