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Ativos no exterior tentam encontrar rumo para o dia, em meio ao drama político nos EUA e às incertezas comerciais, enquanto Brasil espera acelerar pauta econômica

O dia mais pessimista com sentimento de risk off não se confirmou ontem, mas isso não significa que o mercado financeiro navega por águas tranquilas. Os negócios no exterior flutuam nesta manhã, lutando para encontrar uma direção firme para o dia, com a situação política nos Estados Unidos e as incertezas com a guerra comercial elevando o vaivém. Enquanto isso, no Brasil, os investidores ainda esperam uma aceleração da economia.
Ainda que se acredite que os riscos de Donald Trump deixar a Casa Branca antes de 2020 - caso não seja reeleito - são pequenos, uma vez que o Senado é controlado pelos republicanos, o pedido de impeachment do presidente é mais um foco de tensão no radar do mercado. E o processo pode desestimular a China em chegar a um acordo com os EUA em breve.
A divulgação da íntegra do telefonema entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi uma tentativa de reprimir a tentativa de impeachment, que ainda precisa ser aprovado na Câmara dos EUA. Na conversa, Trump pediu para Kiev investigar o pré-candidato democrata Joe Biden e seu filho Hunter, que tinham negócios na Ucrânia.
Aos ruídos em torno do impeachment de Trump somam-se as incertezas sobre a guerra comercial e a preocupação com o crescimento econômico global, formando, então, um cenário mais nebuloso. Com isso, os mercados internacionais se esforçam para ficar no terreno positivo.
Xangai não conseguiu e fechou em queda de 0,9%, antes da pausa de um longo feriado nacional, que manterá a bolsa fechada na semana que vem. Hong Kong, por sua vez, subiu 0,3% e Tóquio avançou 0,1%. Em Wall Street, os índices futuros das bolsas estão na linha d’água, mas com um ligeiro viés de alta, o que tenta embalar o pregão europeu. Nos demais mercados, o petróleo recua, enquanto o dólar mede forças em relação às moedas rivais.
No mercado doméstico, o dólar pode completar hoje a marca de 30 pregões consecutivos negociado acima de R$ 4,00, dando indícios de que o patamar se tornou um “novo normal” para o câmbio, após superar essa barreira em meados de agosto. Esse desempenho recente foi conduzido tanto por fatores internos quanto por um clima global mais negativo.
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O problema é que os sinais de aversão ao risco vindos da situação política nos EUA combinados com o ciclo de cortes na Selic dificultam uma reversão dessa tendência da moeda norte-americana no curto prazo. Ainda assim, os investidores têm respeitado o nível de R$ 4,20, em meio à cautela com potenciais leilões mais firmes do Banco Central.
Apesar do aumento das incertezas globais por causa da abertura do processo de impeachment contra Trump e da valorização do dólar, o mercado doméstico não altera a previsão do juro básico rumo a novos pisos. O debate no momento é qual será a taxa terminal ao final do ciclo de cortes, após as duas reuniões últimas deste ano.
O mercado vê uma “dobradinha” entre Selic e câmbio, com três cenários possíveis. No mais otimista, se o dólar voltar para a faixa de R$ 3,90 até o fim do ano, a Selic pode cair a 4%. Caso a moeda norte-americana devolva apenas uma parte da recente valorização, indo a R$ 4,05, a Selic vai a 4,5%. Já se o dólar subir mais e ir a R$ 4,20, a Selic pára em 5%.
Há quem diga que tudo o que se precisa é de crescimento econômico para que o dólar volte a se estabilizar, com o real se valorizando. Obviamente, uma das razões para a alta da moeda norte-americana é a política monetária estimulativa, que é apenas consequência da atividade fraca. Logo, se a economia melhorar, então não há motivo para um dólar caro.
A expectativa de ingresso de recursos estrangeiros também tende a aliviar a pressão no câmbio. Com isso, a notícia de que o governo fechou um acordo com o Congresso para garantir o megaleilão do pré-sal neste ano pode aliviar o mercado doméstico hoje. O governo precisa dos recursos para fechar as contas deste ano, evitando uma piora fiscal.
O acordo para não atrasar a realização do leilão do excedente da chamada cessão onerosa foi fechado ontem entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e inclui a autorização para o leilão, que pode render mais de R$ 100 bilhões, e para o pagamento da dívida da União com a Petrobras. Ainda falta definir a questão da partilha entre Estados e municípios.
Já a agenda econômica desta quinta-feira traz como destaque a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), às 8h. No documento, o Banco Central deve confirmar o tom suave (“dovish”) na condução da política monetária, confirmando espaço para quedas adicionais da Selic em outubro e em dezembro.
O tamanho da dose - se de 0,25 ou meio ponto - ainda é dúvida. Mas a novidade deve ficar com a projeção do BC para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, após o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmar, na reunião de setembro, que o terceiro trimestre deve ser de ligeiro crescimento, com aceleração da atividade nos últimos três meses do ano.
A partir das 11h, o diretor de política econômica do BC, Carlos Viana, fará sua última apresentação do documento, antes de desligar-se do cargo e ser substituído por Fábio Kanczuk. Em seguida, será realizada uma entrevista coletiva à imprensa, com a presença do presidente do BC, Roberto Campos Neto.
Ainda no calendário doméstico, será conhecido o dado revisado da confiança da indústria (8h). Já no exterior, destaque para a terceira e última leitura do PIB dos EUA no segundo trimestre deste ano, às 9h30. A previsão é de que seja confirmada a expansão de 2,0%, na taxa anualizada.
No mesmo horário, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feito nos EUA e, às 11h, é a vez das vendas pendentes de imóveis residenciais em agosto.
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