Menu
2019-05-15T06:08:05+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Mercado entre o ruim e o pior

Ambiente externo desafiador, com desaceleração do crescimento global e guerra comercial, soma-se à desânimo com economia e derrotas políticas no Brasil

15 de maio de 2019
5:34 - atualizado às 6:08
crescelista (1)
Dados de atividade na China e greve nacional na educação no radar dos investidores

A economia chinesa vinha perdendo tração antes mesmo da escalada guerra comercial com os Estados Unidos, reforçando o temor de que a desaceleração econômica global será o resultado final da disputa entre as duas maiores economias do mundo. Com isso, o sinal negativo volta a prevalecer nos mercados internacionais, o que tende a agravar o sentimento mais negativo que começa a se espalhar entre os negócios no Brasil.

A produção industrial, as vendas no varejo e os investimentos em ativos fixos na China em abril vieram todos abaixo do esperado, evidenciando a fragilidade da economia chinesa, à medida que Pequim se prepara para um enfrentamento mais intenso com os EUA sobre o comércio. Com isso, cresce a expectativa de novos estímulos por parte do governo chinês.

No mês passado, a indústria chinesa cresceu 5,4%, desacelerando-se em relação à alta de 8,5% apurada em março e frustrando a previsão de alta de 6,5%. Da mesma forma, o comércio varejista chinês avançou 7,2% em abril, de +8,7% no mês anterior e +8,6% esperados. Já os investimentos acumulam alta de 6,1% ano ano, impulsionados pelo governo, uma vez que o setor privado tem diminuído os aportes.

Ainda assim, as principais bolsas asiáticas fecharam em alta, seguindo os ganhos em Wall Street na véspera, após comentários mais “sutis” do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a guerra comercial. Mas os índices futuros em Nova York amanheceram no vermelho, com os negócios oscilando ao sabor da estratégia “morde e assopra” vinda da Casa Branca.

As principais bolsas europeias também iniciaram o dia em queda. Já o dólar mede forças entre as moedas rivais e ganha terreno entre as divisas correlacionadas às commodities, ao passo que o petróleo cai pouco mais de 1%. A percepção é de que os ativos de risco devem embarcar em um intenso vaivém no curto prazo, enquanto aguardam a reunião do G-20, quando Trump deve se reunir com o líder chinês, Xi Jinping.

É a política!

Se ontem o alívio externo teve efeito limitado sobre os negócios locais, diante das preocupações com a política, hoje a menor disposição ao risco lá fora tende a potencializar o sentimento por aqui. Os investidores mostraram cautela em relação aos possíveis impactos tanto da quebra de sigilo bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro quanto da delação premiada de um dos donos da Gol envolvendo o deputado Rodrigo Maia.

O receio é de que tais episódios respinguem na tramitação da reforma da Previdência, tumultuando o ambiente já complicado pela complexidade da articulação política do governo para a aprovação das novas regras para aposentadoria. Com isso, os desdobramentos dessas questões serão importantes na evolução da matéria no Congresso.

Por ora, a postura dos deputados é de que vai ser difícil votar alguma coisa esta semana, dando um ritmo mais moroso às negociações para a aprovação da reforma da Previdência na comissão especial. Esse pano de fundo adiciona incerteza ao cenário local, em meio a um ambiente internacional mais desafiador por causa da guerra comercial.

Enquanto isso, a equipe econômica canta um samba de uma nota só. Segundo o ministro Paulo Guedes, a Previdência Social virou um “buraco negro fiscal” e a economia está no “fundo do poço”. Com isso, o emprego só vai melhorar se a reforma for aprovada; o salário mínimo só terá aumento real se a reforma for aprovada; os investimentos só virão se….

Em meio a esse ambiente menos animador, o governo Bolsonaro enfrenta a primeira grande greve. Os cortes anunciados para a área da Educação - de 30,5% ou 3,5%? - são tema do primeira paralisação nacional, que acontece hoje nas principais cidades de todo o país. Professores, estudantes e trabalhadores da área vão às ruas, em defesa das universidades federais, da pesquisa científica e do investimento na educação básica.

Agenda cheia só nos EUA

A agenda econômica desta quarta-feira está carregada nos EUA e também traz como destaque dados de atividade no país. Às 9h30, saem as vendas no varejo em abril, além do índice regional da indústria em Nova York. Na sequência, às 10h15, é a vez dos números consolidados da produção industrial norte-americana no mês passado.

O calendário norte-americano traz ainda os estoques das empresas em março e o índice de confiança das construtoras em maio, ambos às 11h. Na sequência, saem os estoques semanais de petróleo bruto e derivados nos EUA (11h30). Por fim, às 17h, é a vez do fluxo de capital estrangeiro de e para o país em março.

Já na zona do euro, merece atenção a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) da região da moeda única nos três primeiros meses deste ano, logo cedo. No Brasil, destaque para as publicações do Banco Central sobre a atividade econômica (IBC-Br) em março (8h30) e sobre a entrada e saída de dólares do país (12h30).

Para o indicador do BC, que serve de termômetro para o desempenho do PIB nos três primeiros meses deste ano, a expectativa é de queda, nas duas bases de comparação (-0,20% e -2,10%), o que tende a corroborar a previsão de retração da economia no início de 2019, interrompendo oito trimestres seguidos de recuperação da atividade.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Economia aquecida?

Empresários esperam queda na inadimplência e mais investimentos até o fim do ano

Pesquisa também mostra que 55% das empresas têm a intenção de aportar recursos em novos produtos e serviços, 53% querem dar um upgrade tecnológico e 46% capacitar seus profissionais

Seu Dinheiro na sua noite

O elefante na loja de cristais dos mercados

No seu livro Princípios – leitura obrigatória (ao lado do meu romance Os Jogadores, é claro…) –, Ray Dalio afirma que o importante para quem investe não é prever o futuro, mas captar mudanças no ambiente econômico enquanto elas estão acontecendo. O bilionário gestor do maior “hedge fund” do mundo sabe que é natural os […]

Sete blocos envolvidos

MPF entra com ação para impedir leilão de petróleo ao lado de Abrolhos

MPF na Bahia sustenta que blocos não deveriam ir a leilão sem os devidos estudos ambientais prévios

Papel passado

Bolsonaro sanciona com vetos MP da liberdade econômica

Presidente disse durante a cerimônia de sanção que o governo avalia projeto para incentivar a abertura de empresas

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: A Selic caiu novamente. E agora, como ficam os seus investimentos?

Repórteres do Seu Dinheiro trazem em podcast semanal um panorama sobre tudo o que movimentou os seus investimentos nesta semana

A grana tá solta

Governo libera R$ 12,459 bilhões do Orçamento de 2019 e educação leva a maior fatia do bolo

Parte desse dinheiro não poderá ser distribuída livremente já que, do total, R$ 2,6 bilhões vêm das receitas recuperadas por meio da Operação Lava Jato

Tesourada no governo também

Ministério da Economia corta projeção da Selic em 2019 de 6,2% para 5,9%

Projeção para o câmbio médio deste ano passou de R$ 3,8 para R$ 3,9. Já a estimativa para a alta da massa salarial passou de 5,5% para 4,9%

Meio ambiente em jogo

Amazon entra na onda verde e assina acordo ambicioso para combater mudanças climáticas

Como parte do plano, Bezos disse ainda que vai adquirir 100 mil vans de entregas elétricas da startup de veículos elétricos Rivian e que elas vão começar a rodar a partir de 2021

O céu é o limite?

Ações da Braskem disparam na bolsa após notícias sobre venda pela Odebrecht

Construtora teria recontratado a empresa Lazard para dar continuidade às negociações de venda da sua participação na Braskem

Nova tecnologia

Tim prepara novos polos de testes do 5G no Brasil

“Queremos disponibilizar a tecnologia o quanto antes para que os desenvolvedores comecem a projetar aplicações. Quando o 5G chegar, elas já estarão disponíveis”, explicou, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements