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O presidente da República ainda fez referência indireta ao presidente francês, criticou a Venezuela e elogiou o ministro Sérgio Moro
O presidente Jair Bolsonaro fez sua estreia na Assembleia Geral da ONU dizendo que assumiu um País que estava "à beira do socialismo". Ele ainda fez referência indireta ao presidente francês, criticou a Venezuela e elogiou o ministro Sérgio Moro.
O evento se tornou o maior teste de política externa para Bolsonaro. Conforme a tradição, o Brasil é o responsável pelo discurso de abertura, mas o que difere dos anos anteriores é a atenção que tem sido dispensada ao País. Cerca de um mês atrás, imagens da Amazônia em chamas foram parar nas manchetes dos principais jornais estrangeiros e as queimadas na floresta viraram assunto de líderes mundiais.
No entanto, o mercado local não foi afetado pela fala de Bolsonaro nesta terça-feira. O Ibovespa cai e o dólar à vista tem leve alta por volta das 13h por conta de um novo atraso na votação da reforma da Previdência pelo Senado. Para mais detalhes, acompanhe nossa cobertura de mercados.
Em um discurso de aproximadamente 30 minutos, o presidente falou em "restabelecer a verdade" sobre a situação da Amazônia brasileira. De acordo com ele, a região "permanece praticamente intocada". "Somos o País que mais preserva o meio ambiente", afirmou.
Sem apresentar números, Bolsonaro disse que as queimadas no Brasil são favorecidas pelo clima seco e os ventos fortes desta época do ano. O presidente ainda disse que "um outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista".
A fala foi uma alusão ao presidente da França, Emmanuel Macron, que pautou a reunião do G-7, chamando a atenção para os incêndios na Amazônia.
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O presidente disse que a economia brasileira começa a reagir depois de anos de "aparelhamento e corrupção generalizada".
"Concessões e privatizações já se fazem presentes hoje no Brasil", acrescentou, pontuando que o País está abrindo a economia e se integrando às cadeias globais de valor.
Segundo ele, o Brasil está pronto para iniciar o processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento ou Econômico (OCDE).
"Adotamos práticas elevadas, desde regulação financeira até proteção ambiental", citou, em referência aos critérios para ingressar na organização. O presidente disse que "não pode haver liberdade política sem que haja liberdade econômica" e defendeu o livre mercado.
Bolsonaro afirmou que presidentes que o antecederam "desviaram centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do parlamento, tudo por um projeto de poder absoluto", mas foram "julgados e punidos graças ao patriotismo, perseverança e coragem de um juiz que é símbolo no meu país, o Doutor Sérgio Moro."
O mandatário brasileiro, ao dizer que o Brasil reafirma seu compromisso com os direitos humanos e com a defesa da democracia, afirmou que esses valores "caminham juntos" com o combate à corrupção e à criminalidade.
Bolsonaro disse que, devido a medidas tomadas em seus primeiros meses de governo, o número de homicídios no País caiu mais de 20%.
Após finalizar seu pronunciamento, Bolsonaro afirmou que sua fala "não foi agressiva".
"Foi um discurso bastante objetivo e contundente, não foi agressivo, eu estava buscando restabelecer a verdade das questões que estamos sendo acusados no Brasil", disse a jornalistas.
O presidente brasileiro disse que não citou diretamente o presidente da França, Emmanuel Macron. "Eu não citei o nome do Macron, nem da Angela Merkel, chanceler da Alemanha, citei a França e a Alemanha como países que mais de 50% do seu território é usado na agricultura, no Brasil é apenas 8%, tá ok?", disse.
Bolsonaro também disse a jornalistas que deve encontrar o presidente americano, Donald Trump, nesta noite. "Hoje à noite devemos estar juntos no coquetel", disse.
Depois de discursar, o presidente foi para a plateia do plenário da ONU para assistir ao discurso do presidente dos Estados Unidos. De lá, voltou ao hotel onde está hospedado e saiu no início da tarde para almoçar. Questionado sobre onde iria almoçar, Bolsonaro disse que iria "comer num podrão aí fora, aí" e depois que não tem "a menor ideia" de onde iria comer.
O presidente não teve encontros bilaterais agendados com líderes de outros países durante sua passagem que deve durar cerca de 30 horas em Nova York. A justificativa do Planalto e do Itamaraty para a ausência de outros compromissos oficiais é a condição de saúde do presidente, que se recupera de uma cirurgia. Ele chegou no fim da tarde da segunda-feira ao hotel onde está hospedado em Nova York e saiu para jantar em um restaurante italiano próximo, por cerca de duas horas. Ele ainda segue limitações de alimentação, segundo médicos.
Bolsonaro terá, durante a tarde, um encontro com o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. Ele já elogiou a política de "tolerância zero" de Giuliani durante gestão da cidade, para reduzir índices de criminalidade. A agenda do presidente prevê a volta a Brasília ainda na noite desta terça-feira.
*Com Estadão Conteúdo
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