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O oceano já destruiu casas, ruas e prédios na cidade; entenda o que está por trás de seu desaparecimento gradual

Rezam as más línguas, incluindo a do filósofo Platão, que a poderosa e próspera cidade de Atlântida foi engolida pelo mar. Fora do misticismo grego, uma história semelhante parece acontecer no Brasil — mas, nesse caso, o motivo não seria a ira dos deuses.
É o caso da praia de Atafona, no município de São João da Barra (RJ), que desaparece um pouco mais a cada ano devido ao avanço do mar. Estima-se que cerca de cinco metros de faixa de terra sejam perdidos anualmente e que quase 500 construções já tenham sido engolidas pelas águas.
Especialistas da região afirmam que o processo é natural, mas que as intervenções humanas aceleram consideravelmente o fenômeno. Casas, prédios públicos e ruas destruídos permanecem na paisagem como lembranças do que Atafona já foi.
Mas o que está por trás do lento desaparecimento de Atafona, localidade que ganhou o apelido de "Atlântida brasileira"?
Localizada na foz do rio Paraíba do Sul, Atafona é uma das 31 localidades mais ameaçadas do mundo pela elevação do nível do mar, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Pesquisadores afirmam que a região sofre naturalmente com a erosão costeira, processo em que o mar desgasta e remove partes da faixa de terra. No passado, porém, esse desgaste era compensado pela reposição de sedimentos transportados pelo rio. Com a ação humana, esse ciclo foi interrompido.
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Isso porque mais de 900 barragens foram construídas ao longo do rio Paraíba do Sul, reduzindo significativamente o volume de sedimentos levado até a foz. Com menos areia chegando ao litoral, o mar passou a retirar mais sedimentos do que o rio consegue repor.
Além disso, o aquecimento global também contribui para o processo. A elevação do nível do mar e a intensificação da energia das ondas agravam a erosão costeira, acelerando a perda de sedimentos na faixa litorânea.
O avanço do mar em Atafona preocupa os cerca de 32 mil habitantes do distrito. Sônia Ferreira, aposentada e moradora da região, contou ao g1 que já perdeu duas casas para a erosão. Quando inaugurou sua atual residência, há 40 anos, sequer tinha vista para o mar.
Os números reforçam esse cenário: entre 1990 e 2020, o nível do mar subiu 13 centímetros na região e, segundo projeções, pode avançar outros 21 centímetros até 2050.
Uma das alternativas seria remover e realocar os moradores de Atafona. No entanto, a proposta enfrenta resistência da população, mesmo diante da possibilidade de que o avanço do mar continue transformando a paisagem da região.
*Sob supervisão de Renan Dantas.
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