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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

CRÉDITO PRIVADO

Os juros vão cair, e esses são os melhores setores para investir na renda fixa com a taxa Selic menor

Relatório da Empiricus com gestores de crédito mostra quais são as apostas dos especialistas para um corte maior ou menor nos juros; confira

Monique Lima
Monique Lima
23 de fevereiro de 2026
19:04 - atualizado às 16:44
Tesoura rosa corta a Selic, taxa básica de juros
Selic - Imagem: IA/ChatGPT

Desde o ano passado o corte nos juros é quase um monotema no universo financeiro. Fala-se sobre a expectativa de cortar ou de não cortar, de ser um corte pequeno ou maior, no mês A ou B — até se esgotarem as possibilidades. Mas isso não é sem motivo.

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O juro básico (taxa Selic) é como a gravidade no mundo das finanças — define para onde o dinheiro vai. Quando está alto (15% ao ano atualmente), o custo de financiamento para as empresas sobe, a população consome menos e as companhias precisam gastar muito caixa só para pagar suas dívidas.

O corte nos juros tem o poder de virar esse jogo.

Com taxas menores, as parcelas das dívidas ficam mais baratas, o consumo das famílias tende a aumentar e o que sobra no caixa pode ser reinvestido para crescer ou melhorar o negócio.

E o que isso tem a ver com a renda fixa?

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No mercado de crédito privado, onde investidores emprestam dinheiro para empresas em troca de juros, esse movimento é decisivo para ambos os lados.

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As empresas esperam alívio no custo de financiamento, enquanto investidores se veem diante da possibilidade de retornos menores — porém com menos riscos.

O relatório Perspectiva dos Gestores, elaborado pela Empiricus em fevereiro, mergulha nessa questão. Os 17 maiores gestores de crédito do país, que administram juntos R$ 2,3 trilhões, responderam como diferentes cenários de queda de juros podem impactar os setores da economia brasileira.

O resultado mostra que a intensidade da tesoura do Banco Central será o divisor de águas para o sucesso das carteiras de renda fixa neste ano.

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Os setores que ganham e perdem com o corte de juros

Os gestores foram questionados sobre dois cenários.

No primeiro, o Banco Central promove um corte nos juros menos intenso (o relatório não indica um percentual específico). Nesse cenário de "queda lenta", empresas de consumo discricionário, agropecuária, transportes e saúde continuam sob pressão de custos, com avaliações que variam entre o neutro e o negativo.

Apenas os setores de energia (principalmente transmissão), saneamento e financeiro conseguem manter uma perspectiva positiva ou resiliente, pois dependem menos de ciclos curtos de consumo para manter o caixa cheio.

Na prática, para o investidor, o retorno com debêntures incentivadas (isentas de imposto de renda) ou tradicionais, CRIs e CRAs continua atraente, mas não pela remuneração do risco (retorno acima dos títulos públicos, menos arriscados), e, sim, pelo rendimento dos juros (que continuam elevados de qualquer maneira).

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Já no segundo cenário, onde os juros sofreriam um corte mais agressivo, o humor do mercado melhora drasticamente.

Com o dinheiro significativamente mais barato, os setores de consumo, imobiliário, saúde, telecomunicações e transportes dão um salto na percepção de risco e retorno, passando para um otimismo claro.

Até mesmo a agropecuária e o setor industrial veriam uma melhora considerável em seus balanços, a ponto de seus títulos de dívida ficarem mais atraentes para os gestores de fundos de renda fixa.

Fonte: Empiricus (pesquisa realizada entre 2 e 6 de fevereiro de 2026)

Essa diferença de percepção reforça que, para os gestores, não basta saber que o juro vai cair; é preciso monitorar a velocidade dessa queda para avaliar o alívio no caixa das empresas.

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Enquanto o corte for tímido, a estratégia para escolher títulos de renda fixa continua sendo a seletividade, evitando empresas muito endividadas e setores que dependem do poder de compra da população.

Essa se torna a única saída para diminuir o risco do portfólio, visto que o retorno das empresas mais arriscadas pode parecer atrativo, mas não paga pelo risco — só paga os juros.

Interesse por renda fixa

Enquanto dezembro foi um mês de "fuga" de capitais, janeiro trouxe o investidor de volta para a renda fixa e o crédito privado. A recuperação dos fundos foi significativa:

Fundos de crédito tradicional, que haviam perdido R$ 9,7 bilhões no mês anterior, captaram R$ 9,6 bilhões em janeiro.

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Já os fundos incentivados (que investem em debêntures isentas de imposto de renda) atraíram cerca de R$ 9 bilhões em novas aplicações, após perder R$ 9,6 bilhões em dezembro.

Apesar da entrada de dinheiro novo, os gestores ainda mantêm um pé no freio quando olham para os próximos seis meses.

A expectativa para o mercado secundário (onde os investidores compram e vendem títulos entre si) de debêntures tradicionais esfriou. Isso acontece porque o retorno em relação aos títulos públicos está baixo. Muitos investidores preferem segurar os títulos que já têm na carteira à espera de oportunidades melhores.

Já para as debêntures incentivadas, o clima é de maior otimismo — tanto para as novas emissões (mercado primário) quanto para as negociações entre investidores.

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