Por que um ventilador portátil de R$ 500 virou o novo símbolo de status em Londres e Nova York?
Novo aparelho da Dyson, que promete aliviar o calor, virou item de desejo durante o verão no hemisfério norte

Esqueça o secador multifuncional da Dyson que ganhou fama nas redes sociais e foi apelidado de "PlayStation das mulheres". O novo objeto de desejo da marca britânica não modela cabelos. Em vez disso, ele faz algo bem mais básico e se tornou indispensável em tempos de El Niño nos Estados Unidos e onda de calor na Europa.
Lançado há apenas três meses – um timing estratégico –, o Dyson HushJet Mini Cool transformou um simples ventilador portátil em um acessório de status entre consumidores de Londres, Nova York e outras grandes cidades Europeias.
Vendido por US$ 100 nos Estados Unidos (cerca de R$ 515) e 100 libras no Reino Unido (aproximadamente R$ 690), o aparelho desaparece das prateleiras poucas horas depois de cada reposição nos Estados Unidos.
Segundo a Bloomberg, a Dyson afirma que não consegue acompanhar a demanda. Sempre que varejistas como Amazon e Best Buy recebem novas unidades, o estoque se esgota rapidamente.

O verão extremo transformou ventiladores em necessidade
O sucesso do HushJet Mini Cool acompanha um cenário climático cada vez mais severo. A Europa e parte dos Estados Unidos atravessam mais um verão marcado por ondas de calor intensas, com termômetros acima dos 36 ºC em diversas cidades.
Ao contrário do que acontece em boa parte do Brasil, muitas cidades europeias e norte-americanas ainda possuem pouca infraestrutura de ar-condicionado. Metrôs, ônibus, trens e até apartamentos antigos frequentemente não contam com sistemas de refrigeração, fazendo com que deslocamentos simples se tornem desgastantes.
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Um levantamento realizado por pesquisadores do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene & Tropical Medicine estima que aproximadamente 2.700 pessoas morreram por causas relacionadas ao calor na Inglaterra e no País de Gales durante as ondas de calor registradas entre maio e junho deste ano.
O que explica o sucesso do HushJet Mini Cool
Embora existam dezenas de ventiladores portáteis baratos em plataformas de e-commerce, a Dyson aposta em um posicionamento semelhante ao que adotou em seus secadores e aspiradores. A marca quis transformar um produto cotidiano em um equipamento premium.
O HushJet Mini Cool oferece diferentes níveis de velocidade e promete um fluxo de ar que pode atingir cerca de 88 km/h no modo máximo. O aparelho também incorpora um borrifador de água, recurso que aumenta a sensação de resfriamento durante caminhadas ou filas sob o sol.
Compacto, ele pode ser usado preso ao pescoço, fixado na roupa ou segurado na mão. A bateria promete autonomia de até seis horas, dependendo da intensidade escolhida.
Disponível em cores como rosa, vermelho e preto, o ventilador segue a identidade visual característica da Dyson. O design chamativo também ajuda a explicar sua popularidade nas redes sociais. Em pouco tempo, o aparelho passou a aparecer com frequência em vídeos do TikTok e nas ruas de cidades como Londres e Nova York.
Nem tudo são elogios e concorrência
Apesar da procura elevada, o produto também recebeu críticas. A principal delas diz respeito justamente ao atributo destacado no nome. "Hush" significa silencioso em inglês, mas muitos consumidores afirmam que o motor produz mais ruído do que esperavam, especialmente nas velocidades mais altas.
Mesmo assim, as reclamações não parecem reduzir o interesse pelo aparelho, que continua registrando sucessivas rupturas de estoque do item, que ainda não chegou no Brasil.
A Dyson, na verdade, chegou mais tarde nesse segmento. Em março, a norte-americana SharkNinja apresentou o ChillPill Personal Fan and Cooling System, outro ventilador portátil voltado ao público premium. O modelo já aparece em marketplaces brasileiros por cerca de R$ 1.170, embora ainda não esteja disponível oficialmente no site da marca no Brasil.
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