Da casa humilde no Tennessee à fortuna de US$ 450 milhões: a carreira de Dolly Parton em números
Com mais de 3 mil músicas, 66 álbuns e um império que vai do Dollywood à filantropia, cantora transformou o sucesso na música em um patrimônio diversificado

“Jolene” e “I Will Always Love You” são daqueles hits que provavelmente já passaram pela vida de qualquer pessoa, da velha à nova geração. Os sucessos pertencem à cantora e compositora norte-americana de country Dolly Parton, que morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, em Nashville, nos Estados Unidos.
Dolly Parton transformou uma infância marcada pela pobreza em uma das carreiras mais bem-sucedidas da música americana. A cantora, compositora, atriz e empresária deixou não apenas uma fortuna estimada em US$ 450 milhões, mas um império que se espalha pela música, pelo entretenimento, pelo turismo e pela filantropia.
Nascida em 1946 no Tennessee, em uma família de agricultores, Parton foi a quarta de 12 filhos e cresceu em condições que ela própria descreveu como de "pobreza total". Ela vivia com a família em uma cabana de madeira de apenas um cômodo nas montanhas Great Smoky. Mais de duas décadas depois, tornou-se uma das artistas mais reconhecidas da música country, e também uma empresária que transformou a própria imagem em uma marca global.

A artista morreu após uma breve batalha contra o câncer, segundo comunicado enviado por seus assessores à revista People. A morte, aliás, ocorreu pouco mais de um ano após a perda do marido, Carl Thomas Dean, que morreu em março de 2025 após quase 60 anos de casados.
US$ 450 milhões de patrimônio de Dolly Parton
Em 2025, a Forbes estimava o patrimônio líquido de Dolly Parton em cerca de US$ 450 milhões (mais de R$ 2 bilhões). A cifra coloca a cantora entre as artistas mais ricas da história. Mas, embora a música tenha sido a origem de sua carreira, ela não foi a única responsável pelo patrimônio.
Uma parcela importante da riqueza de Parton está ligada ao Dollywood, parque temático localizado em Pigeon Forge, no Tennessee. A artista entrou no negócio em 1986 e, ao longo dos anos, ajudou a transformar o empreendimento em uma das principais atrações turísticas da região, que hoje inclui também hotel e parque aquático.
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De acordo com o site Networth Hub, a fortuna de Parton é diversificada: 40% vêm de empreendimentos comerciais, 30% de royalties musicais, 20% de imóveis e 10% de filantropia. Uma estratégia, aliás, diferente das muitas celebridades que dependem de uma única fonte de receita ou majoritariamente de suas músicas.

Mais de 3 mil músicas e pelo menos 66 álbuns
Parton deixou um catálogo com mais de 3 mil músicas, entre elas clássicos como "Jolene", "9 to 5" e "I Will Always Love You". A última, originalmente escrita e gravada por Parton, tornou-se um dos maiores sucessos da música popular depois de ser interpretada por Whitney Houston.
Em 2025, sua fortuna musical estava avaliada em aproximadamente US$ 120 milhões. Além disso, a cantora acumulou uma produção de dezenas de discos ao longo de mais de seis décadas. Segundo o Guinness World Records, Parton lançou 66 álbuns, além de deter o recorde de maior número de entradas no Top 10 da parada de álbuns country dos Estados Unidos por uma mulher: 49.
Mesmo depois de décadas de carreira, Parton continuava relevante na era do streaming. A artista tinha cerca de 16,2 milhões de ouvintes mensais no Spotify, enquanto "Jolene", lançada originalmente em 1973, já acumulava mais de 950 milhões de reproduções. Ao longo da carreira, inclusive, ela conquistou 11 prêmios Grammy, além de duas indicações ao Oscar.
O negócio por trás de Dolly e as ações filantrópicas
Além da carreira musical e do investimento em Dollywood, Parton também expandiu sua atuação para outros mercados, passando pelos livros, cinema e, mais recentemente, pela beleza. Lançada em agosto de 2024, a marca de cosméticos Dolly Beauty levou a estética e a personalidade da cantora para as prateleiras, com produtos que vão de batons de US$ 20 a perfumes de US$ 500.
Se os números da carreira ajudam a dimensionar a fortuna, os da filantropia mostram outro lado do legado de Dolly Parton. Em 1988, a cantora criou a Dollywood Foundation foi criada no condado de Sevier, onde cresceu. Um de seus primeiros programas buscava combater a evasão escolar. O chamado Buddy Program oferecia US$ 500 aos alunos que concluíssem o ensino médio. De acordo com a organização, a taxa de evasão da região caiu de 35% para 6%.
Em 1995, a fundação lançou a Imagination Library, programa que envia livros gratuitamente para crianças. A iniciativa nasceu em homenagem ao pai de Dolly, que não sabia ler. Em 2000, Dolly Parton também criou uma bolsa universitária de US$ 15 mil, oferecida anualmente a cinco estudantes do ensino médio do condado. Em 2025, a Imagination Library ultrapassou a marca de 300 milhões de livros distribuídos desde sua criação. Somente naquele ano, foram mais de 40,3 milhões de livros entregues.
Doações para a pesquisa da Covid e vítimas de incêndios
A filantropia de Dolly Parton ganhou repercussão mundial durante a pandemia. Em 2020, ela doou US$ 1 milhão para pesquisas sobre coronavírus na Universidade Vanderbilt, em Nashville. O dinheiro ajudou a financiar pesquisas relacionadas ao desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 da Moderna.
Dois anos depois, Parton voltou a doar US$ 1 milhão à Vanderbilt, desta vez para pesquisas sobre doenças infecciosas pediátricas. Além disso, sua atuação filantrópica passou por hospitais infantis, educação e auxílio em desastres naturais.
Em 2016, incêndios devastaram áreas do leste do Tennessee, incluindo Gatlinburg e Pigeon Forge. Dolly Parton criou então o My People Fund, que ofereceu US$ 1 mil por mês durante seis meses às famílias que perderam suas casas. O fundo distribuiu aproximadamente US$ 8,9 milhões às vítimas.
No mesmo ano, um telethon organizado para ajudar as comunidades afetadas arrecadou mais de US$ 13 milhões, com participação de nomes como Chris Stapleton, Reba McEntire, Kenny Rogers e Cyndi Lauper.
Além disso, em 2021, Dolly Parton e seus negócios arrecadaram US$ 700 mil para moradores atingidos por enchentes no centro do Tennessee. E, em 2024, após a passagem do furacão Helene, ela destinou US$ 1 milhão de seus recursos pessoais para o socorro às vítimas. Seus negócios e a Fundação Dollywood acrescentaram outro US$ 1 milhão, levando a contribuição combinada a US$ 2 milhões.
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