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Países como França, Espanha, Itália e Reino Unido enfrentam temperaturas extremas, com alertas, trens afetados e eventos cancelados

A semana começou quente na Europa – no pior sentido. Países como França, Espanha e Itália enfrentam temperaturas se aproximam (e até mesmo, ultrapassam) os 40°C. No Reino Unido, os termômetros também podem alcançar os 38°C a 40°C de hoje até quarta-feira, em um calor considerado extremo para os padrões locais.
O fenômeno é provocado pelo “anticiclone africano”, isto é, uma massa de ar quente de alta pressão vinda do deserto de Saara. Na prática, o ar quente fica preso perto da superfície, criando uma cúpula de calor, enquanto as nuvens são inibidas e as temperaturas sobem dia após dia.
O calor intenso atinge toda a Europa nesta segunda-feira, em especial a parte Central e Ocidental. Veja os países mais afetados:
A França é um dos principais alvos: em cidades como Bordeaux, espera-se que os termômetros passem dos 42°C. Em Paris, a previsão também se aproxima dos 39°C.
De acordo com o Ministério da Educação, 845 escolas fecharam nesta segunda-feira (22). Outras 1.800 instituições alteraram horários para liberar alunos mais cedo.
Na capital francesa, a prefeitura proibiu bebidas alcoólicas em áreas públicas durante o festival de música anual Fête de la Musique, que aconteceu neste domingo (21).
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No litoral, cidades como Narbonne, Deauville e Arcachon reforçaram regras contra circular sem camisa fora da praia. A multa pode chegar a 150 euros (ou R$ 884) em áreas urbanas.
A Espanha enfrenta sua primeira onda de calor do ano. Para se ter ideia, 13 das 17 regiões do país entraram em alerta laranja, enquanto o País Basco, entre a Espanha e a França, chegou ao alerta vermelho.
De acordo com o serviço meteorológico espanhol, a Aemet, a previsão é de temperaturas acima de 39°C a 40°C em grande parte da Península Ibérica e de Maiorca. Em algumas áreas, as máximas podem atingir 44°C.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as temperaturas estão acima da média no país. A terça-feira (23) deve ser o dia mais quente deste episódio, com máximas entre 35°C e 40°C em 12 das 18 capitais de distrito de Portugal continental. Nas demais, incluindo Lisboa, Porto e Faro, os termômetros devem ficar entre 26°C e 30°C.
Na Itália, cidades como Bolonha, Florença, Milão e Turim estão entre os pontos sob alerta vermelho. O país já registrava dias seguidos acima dos 35°C, com risco maior em regiões urbanas, onde o asfalto e os prédios intensificam a sensação térmica.
Por sua vez, a Bélgica deve chegar “às temperaturas mais altas já registradas” na próxima semana, segundo David Dehenauw, chefe de previsões do instituto meteorológico IRM.
A operadora ferroviária do país, NMBS, cancelou alguns trens no horário de pico. O motivo é a falta de climatização: cerca de 20% da frota de trens belgas ainda não tem ar-condicionado.
Na Alemanha, o calor também deve atingir áreas menos acostumadas a temperaturas extremas, como Hamburgo, Bremen e Hannover, por exemplo, no norte do país. No sudoeste, em cidades como Stuttgart e Freiburg, os termômetros poderiam chegar a 40°C. Segundo o Serviço Meteorológico Alemão (DWD), a trégua só deve vir no fim da semana.
Em Berlim, o calor veio acompanhado de tempestades severas. A cidade que sediava a final do torneio de tênis profissional feminino Berlin Open WTA precisou suspender a partida.
O Met Office, serviço oficial de meteorologia e clima do Reino Unido,emitiu um aviso de calor extremo para áreas do centro e do sul da Inglaterra, incluindo cidades como Londres e Birmingham. A previsão indica máximas próximas de 38°C a 40°C, com risco de quebra de recordes para junho

Embora temperaturas acima dos 30 graus pareçam familiares para o viajante brasileiro, é importante lembrar que passar calor na Europa é diferente de passar calor aqui no Brasil.
Por lá, a maioria das residências são construídas para reter o calor no período de inverno e não têm ar-condicionado. Além disso, muitos trens e metrôs não apresentam sistemas de climatização, sem contar as ruas asfaltadas e pouco arborizadas, que elevam a sensação térmica.
“As ondas de calor não são apenas desconfortáveis — elas estão entre os eventos climáticos mais letais da Europa”, disse o presidente da União Europeia de Clínicos Gerais e Médicos de Família, Tiago Villanueva, à Euronews Health.
Para o turista, isso muda a lógica da viagem. A primeira recomendação é reorganizar o roteiro. Entre 11h e 18h, o ideal é priorizar atividades em ambientes fechados, como museus, galerias, cafés, lojas, igrejas e restaurantes com climatização.
A hidratação também precisa ser constante. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é beber água regularmente, sem esperar a sede aparecer. Em dias de calor forte, o consumo pode chegar a pelo menos dois a três litros ao longo do dia, dependendo do esforço físico e das condições de saúde.
Álcool e cafeína em excesso devem ser evitados, já que podem contribuir para a desidratação. A regra vale especialmente para quem pretende passar o dia na rua ou caminhar por muitas horas.
Roupas leves, claras e soltas ajudam o corpo a lidar melhor com o calor, sendo tecidos como algodão e linho tendem a ser mais confortáveis. Chapéu, boné, óculos escuros e protetor solar também deixam de ser acessórios e viram itens obrigatórios.

Mesmo tomando cuidado, é possível passar mal em uma onda de calor. Os sinais mais comuns de exaustão incluem tontura, náusea, fraqueza, cansaço intenso, dor de cabeça, pele muito quente e confusão mental.
Ao perceber esses sintomas, a recomendação é sair imediatamente do sol, procurar um lugar fresco, beber água e resfriar o corpo. Além disso, banho frio, toalha úmida e borrifadas de água podem ajudar. Caso os sintomas piorarem, é preciso procurar atendimento médico.
Para quem já está com viagem marcada para a Europa, a saída não é necessariamente cancelar. Até o momento, não há recomendação ampla contra viagens aos países afetados.
O que fazer então? Vale checar os alertas locais todos os dias, confirmar horários de funcionamento de atrações e evitar passar períodos muito longos embaixo do sol. Também é importante verificar se o hotel tem ar-condicionado, principalmente em cidades onde as noites devem continuar quentes.
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