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O PRÓXIMO SAQUE

Padel, o “novo tênis” que já conquistou a Europa – e as marcas de luxo

Com 35 milhões de jogadores do mundo, o esporte de raquete é o novo hobby dos parisienses endinheirados e já tem patrocínios da Audemars Piguet e da Lacoste

Padel, a modalidade que virou hype na Europa (e no mercado de luxo)
Padel, a modalidade que virou hype na Europa (e no mercado de luxo) - Imagem: Lacoste (Divulgação)

Uma raquete parecida com a do beach tennis. Uma dinâmica de jogo semelhante à do squash. E uma atenção das marcas de luxo que se assemelha ao tênis. Este é o padel (lê-se: pá-del), o novo esporte com raquete que já conquistou a Europa e cuja evolução no Brasil ainda é tímida, mas promissora.

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Os dados de 2025, consolidados pela Federação Internacional de Padel, mostram um crescimento de 42% no número de jogadores em um ano. Ao redor do mundo, 35 milhões de pessoas jogam o esporte de forma regular. 61% está no continente europeu, com o segundo lugar ocupado pela América do Sul, com 19%.

Apesar de ter menor proporção de praticantes, nos Estados Unidos, os investimentos crescem e as quadras pipocam, principalmente em Miami. A influência hispânica na cidade é uma das culpadas por essa concentração geográfica. Isso porque o padel vive sua máxima expressão em dois países hispânicos: Espanha e Argentina.

Com 17.000 e 7.000 quadras respectivamente, os dois países têm os jogadores profissionais mais bem ranqueados do mundo, com destaque para os espanhóis top 1 do mundo Gemma Triay Pons e Artur Coello, e os argentinos top 2, Agustin Tapia e Delfina Brea Senesi.

No Brasil, o ganho de popularidade do padel se traduz através de investimentos de dois grandes nomes. Ronaldo Fenômeno, com seu projeto Galácticos Rackets, vai aumentar o número de quadras no Rio de Janeiro e em São Paulo. No sul, o ecossistema Neymar Jr., com 14 mil metros quadrados, também prevê espaços de prática do esporte.

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O prestígio social do padel

O hype do padel é confirmado pelos dados e pelos investimentos. Mas também pelas pessoas que o praticam.

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Entre os jogadores casuais que já se renderam, estão nomes do topo da pirâmide, como o príncipe William, os ex-jogadores David Beckham e Lionel Messi, e até o tenista premiado Andy Murray.

Classificado pelo New York Times como “mais fácil que o tênis, mais difícil que o pickleball, e mais exclusivo que ambos”, o padel vive um fenômeno que o aproxima do golfe em termos de prestígio social.

“É o novo golfe. Na Espanha, pessoas com poder aquisitivo maior têm se encontrado em quadras de padel para conversar e, claro, jogar. E negócios têm sido fechados nessas mesmas quadras”, diz Maycon Muniz, responsável pela comunicação da Confederação Brasileira de Pádel.

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A percepção social reforça a análise de Muniz. Em Paris, o padel é considerado os esportes dos “bobôs”, gíria francesa usada para o estereótipo do parisiense endinheirado. Uma hora em uma quadra com vista para a torre Eiffel não sai por menos de 50 euros (R$ 295).

Sacada de luxo

Natural então que as marcas de luxo tenham começado a se associar ao esporte, depois de já terem garantido sua presença cativa em eventos de tênis que reúnem as celebridades AAA e as pessoas mais influentes do mundo, como o recente Roland Garros e o circuito de Wimbledon.

A On Running, patrocinadora de João Fonseca, assinou o número um do padel Arturo Coello e pretende lançar um tênis específico para o esporte em collab com o jogador até 2027. É o mesmo princípio que ela aplicou ao “The Roger”, com Roger Federer.

Para Qatar Airways Premier Padel Tour de 2026, o circuito mais importante da temporada, a relojoaria de luxo Audemars Piguet foi anunciada como cronometrador oficial.

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Também neste ano, a Lacoste, marca que patrocina tenistas como Novak Djokovic e Daniil Medvedev, instalou quadras de padel em Courchevel, o destino high end dos Alpes franceses.

As quadras da Lacoste em Courchevel
As quadras da Lacoste em Courchevel

O movimento é similar ao que fez a Golden Goose, com a inauguração da Golden Goose Area em Milão, um espaço de “padel, lifestyle e comunidade”, que inclui ofertas de restauração, wellness e, claro, uma boutique com produtos da marca. Uma polo esportiva masculina sai por 150 euros (R$ 890), enquanto uma minissaia não fica abaixo dos 170 euros (R$ 1.000).

No Brasil, espaços como esses ainda não viram a luz do dia. Os clubes privados de elite continuam a concentrar suas energias no golfe e no tênis.

Padel no Brasil: baby steps e concentração no Sul 

O padel ainda não conquistou o título de “hobby preferido” das elites brasileiras. O esporte não tem a mesma percepção em território nacional que tem na Europa, explica Maycon Muniz.

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Mas isso não quer dizer que não seja uma prática elitizada.

Os preços já pressupõem, por si só, uma barreira de entrada. O aluguel de uma quadra em São Paulo pode chegar a R$ 300, enquanto uma raquete de nível mediano da marca Wilson sai por R$ 1.400.

O padel conquistou os primeiros brasileiros ainda no final dos anos 1980, no sul do pais. A influência veio dos vizinhos argentinos. Ainda nos dias atuais, para conhecer o epicentro do padel no Brasil, é preciso ir à região Sul. É lá onde está o maior número de jogadores e de quadras, assim como o nome mais proeminente do esporte até o momento.

O único brasileiro a já ser número 1 do mundo é natural do Rio Grande do Sul: Pablo Lima, apelidado de “o canhão de Porto Alegre”. Aposentado em 2022, Lima hoje dedica-se ao papel de treinador na Delta Padel, em Balneário Camboriú.

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Nos outros estados e regiões, o ritmo é de baby steps. “Mato Grosso agora já apresenta uma federação, já tem ideia de fazer torneios. Recife e Bahia também já entraram em contato com a Confederação Brasileira para tentar alguma coisa, mas ainda somos um esporte no sul do Brasil”, diz Muniz.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, quadras de padel ainda são escassas, ainda mais considerando a dimensão das cidades. Por serem localidades com o metro quadrado bem mais elevado, o cálculo de rentabilidade financeira é mais complicado.

Desafios para o avanço

Com instalações mais simples do que as de tênis, mas mais complexas que do beach tennis, o principal custo de uma quadra de padel é o vidro que a envolve. Afinal, ele precisa aguentar as boladas que leva, como parte do jogo.

Diante disso, é difícil imaginar que o esporte viverá o mesmo fenômeno do beach tennis, cujas quadras são instaladas de forma temporária em stands de decorados ou em ativações temporárias de marcas.

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O desafio principal para o crescimento do padel no Brasil, no entanto, não é a falta de espaços para praticá-lo. Na visão de Muniz, a falta de conhecimento é o entrave maior.

“O padel precisa aparecer mais em termos de televisão e estar nos grandes canais. A ESPN Argentina transmite os jogos do Premier [Padel Tour], mas só para a Argentina. O espanhol ainda é a língua principal do esporte. A gente precisa tentar globalizar o padel, trazer o inglês”, analisa Muniz.

Em termos mundiais, ainda faltam federações o suficiente para que o padel possa fazer sua candidatura para se tornar um esporte olímpico. Desde 2023, ele faz parte dos Jogos Europeus, organizados pelo Comitê Olímpico Europeu.

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