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Do sanduíche de mortadela no Mercadão ao menu autoral do D.O.M, revisitamos os endereços paulistanos que marcaram as passagens do apresentador pela cidade

Ele mesmo definia seu trabalho como o “melhor emprego do mundo” e poucos ousariam discordar. Afinal, sua ocupação consistia em viajar para comer. À frente dos programas No Reservations (Sem Reservas, 2005–2012) e Parts Unknown (Lugares Desconhecidos, 2013–2018), exibidos pelos canais Travel Channel e CNN, Anthony Bourdain se consolidou como um dos mais influentes correspondentes culturais de sua geração.
Em cada destino, explorava territórios pouco óbvios e revelava a essência de diferentes culturas por meio dos sabores, costumes e rituais. Depois de 28 anos nas cozinhas profissionais, o chef, apresentador e viajante gastronômico encontrou na televisão seu palco definitivo, onde trabalhou até o fim da vida.
Desde sua morte, em 2018, Bourdain segue como personagem central da gastronomia. Agora, sua trajetória volta aos holofotes com Tony, cinebiografia que teve o primeiro trailer divulgado nesta terça-feira, 4, e estreia prevista para agosto. No filme, Dominic Sessa interpreta Bourdain na fase em que se apaixonou pela cozinha.
Entre suas jornadas pelo mundo, o Brasil entrou em seu mapa afetivo, e São Paulo ganhou destaque, com três passagens pela "cidade da garoa" (como ele mesmo se refere em um dos episódios): duas vezes na tela, para filmar a terceira temporada (episódio 9, "Brazil") de No Reservations, em 2007, e a segunda temporada (episódio 4) de The Layover, em 2012.
Anthony Bourdain, no entanto, nunca suavizou opiniões sobre os destinos que visitava. Em sua primeira impressão sobre São Paulo, foi direto: achou a cidade feia. Ainda assim, deixou claro que havia algo ali. “Disseram, maldosamente, que São Paulo dá a impressão de ser como se Los Angeles vomitasse em Nova York. Mas eu gostei daqui. Aqui é uma cidade de pessoas. O tipo de pessoas do qual eu gosto muito.”, afirmou no episódio gravado em 2007 para No Reservations.
Anos depois, ao retornar à capital paulista, reviu a própria leitura da cidade. “Eu odiei São Paulo na primeira vez que vim. Não conhecia ninguém aqui. Conhecer pessoas foi a primeira lição que aprendi. Você [anfitriã] me convenceu a voltar e tive a melhor experiência, completamente diferente.” Em seguida, resumiu com um conselho: faça amigos por aqui, caso contrário, você se perderá na selva de pedra.
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A seguir, reunimos os restaurantes e endereços por onde Bourdain passou em sua última visita a São Paulo e o que achou de cada parada.

A primeira parada foi no Mercado Municipal de São Paulo, onde provou o célebre sanduíche de mortadela. Sua reação foi imediata: classificou o lanche como “damn delicious”. Em seu livro Appetites (2016), Bourdain, inclusive, descreveu o lanche paulistano como uma “pilha de maravilhas transbordando”.
Endereço: Rua da Cantareira, 306, Centro Histórico.
Ainda no Mercadão, seguiu para outra lanchonete local para experimentar o pastel de bacalhau. De acordo com Bourdain, era “de fato muito saboroso e metade do tamanho da sua cabeça”.
Endereço: Rua da Cantareira, 306, mezanino do Mercado Municipal.
Ali provou o arais, sanduíche de origem árabe/armênio feito com pão sírio recheado de carne moída temperada e grelhado até ganhar textura crocante. O restaurante, conhecido por sua cozinha armênia, mudou de endereço desde as gravações, mas segue no bairro do Brás.
Endereço atual: Rua Barão de Ladário, 566, Brás.
Ao lado de Alex Atala, Bourdain percorreu uma tradicional feira de rua, onde experimentou ingredientes brasileiros como pequi, acerola e manga. Foi, aliás, um dos momentos em que mais demonstrou fascínio pela biodiversidade nacional.
No entanto, nenhum roteiro gastronômico brasileiro estaria completo sem feijoada. Em São Paulo, Bourdain foi apresentado ao buffet da casa e não economizou elogios: chamou o prato de “verdadeiramente transcendentalmente maravilhoso” e de “glória do Brasil”.
Endereço: Rua Alves Guimarães, 1091, Pinheiros.

No restaurante de Alex Atala, referência internacional da alta gastronomia brasileira, com duas estrelas Michelin, Bourdain mergulhou em um menu que unia técnica e ingredientes nacionais. Entre os pratos servidos estavam camarões com molho de cajuína, ostras fritas com tapioca granulada, uma carne sous-vide acompanhada de farofa, purê de banana e, em seguida, um aligot de queijo minas.
Endereço: Rua Barão de Capanema, 549, Jardins.
Na cidade que transformou a pizza em patrimônio gastronômico, Bourdain não deixou de provar uma versão paulistana. A escolhida foi a tradicional casa do Brás, uma das mais antigas em atividade na capital.
Endereço: Rua Jairo Góes, 126, Brás.
Representando a influência francesa na cena gastronômica paulistana, Bourdain mostrou rapidamente o bistrô, com seus pratos como steak tartare, moules frites e receitas tradicionais reinterpretadas para o público local.
Endereço: Rua Mato Grosso, 396, Higienópolis.
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Na visita ao restaurante de Rodrigo Oliveira, Bourdain destacou o fenômeno da casa: "paulistanos dirigem por mais de uma hora e enfrentam fila para comer pratos feitos com ingredientes simples, em uma filosofia “do focinho ao rabo”, preparados com cuidado impecável e altíssimo padrão técnico", disse. Na mesa, provou torresmo, sarapatel e os hoje icônicos dadinhos de tapioca, que, inclusive, são criação de Rodrigo e se tornou símbolo do restaurante.
Endereço: Av. Nossa Sra. do Loreto, 1100 - Vila Medeiros.
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