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Marcas de automóveis de luxo suspendem os envios de carros para o Oriente Médio; região é uma das mais rentáveis no segmento

Os multimilionários do Oriente Médio podem até conseguir comprar uma Ferrari – mas para andarem nela, vão precisar esperar. Isso porque a marca italiana decidiu interromper temporariamente o envio de veículos para a região.
O motivo não poderia ser diferente: a escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Além do risco de ataques aos navios, o bloqueio do Estreito de Ormuz dificulta o transporte marítimo na região. Por essa razão, a montadora disse que vai manter apenas poucas entregas, dessa vez, por meio de aviões (alternativa mais cara e limitada).
A medida pode ter impactos negativos para a marca, afinal, o Oriente Médio é responsável por uma demanda significativa de veículos de luxo, em especial nos países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Só em 2025, a Ferrari exportou 626 veículos para a região, segundo a CNBC. O volume é expressivo para uma fabricante high-end, e inclusive supera as vendas da montadora para países como Reino Unido, Suíça e França.
Não à toa, a marca italiana possui 10 pontos de venda no Oriente Médio. A título de comparação, há apenas quatro lojas oficiais em toda a América do Sul - sendo uma no Brasil, localizada em São Paulo.
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A fabricante italiana de automóveis de luxo Maserati também interrompeu temporariamente os envios, citando questões de segurança e logística.

Já a britânica Bentley adotou uma postura semelhante. Segundo o seu CEO, Frank-Steffen Walliser, “as pessoas no Oriente Médio têm outras prioridades além de procurar um novo Bentley no momento”, disse na última reunião de resultados da companhia.

Outras empresas ligadas ao segmento de carros de ultraluxo, como a Mansory, avaliam entregas caso a caso. Mas o custo aumenta: o transporte aéreo pode ser até quatro vezes mais caro que o marítimo, de acordo com a companhia de customização.
A escalada do conflito pode pressionar a demanda por veículos premium, afirmou no mês passado Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen (dono das marcas Porsche, Audi, Lamborghini e Bentley).
É o caso da Porsche, marca de luxo mais valiosa do mundo pelo oitavo ano consecutivo, segundo levantamento da consultoria Brand Finance.

Nos últimos anos, a montadora ampliou sua presença no território, tanto em volume quanto em rentabilidade. Por exemplo, em 2025, o lucro por carro vendido foi 28% maior do que em 2020, de acordo com o analista da Metzler Research, Pal Skirta.
Em nota à CNBC, a Porsche afirmou que monitora a situação da guerra no Irã e seus possíveis impactos.
Já o Grupo BMW, composto pelas marcas BMW, MINI e Rolls-Royce, também está de olho no Oriente Médio. Em 2025, a BMW registrou um crescimento de 10% nas entregas na região, segundo a GlobalData.
Por sua vez, a Mercedes-Benz reportou crescimento de dois dígitos nas vendas para o território. Ele está entre os principais compradores de seu SUV de luxo AMG G 63, cujo valor inicial é acima de R$ 2 milhões.

Não por acaso, a empresa expandiu sua presença em países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Catar nos últimos dois anos.
Em nota, a fabricante alemã afirmou que acompanha o conflito de perto, mas que ainda é cedo para avaliar impactos mais claros ou mudanças no comportamento do consumidor.
Mesmo com a escalada da guerra no Irã, a expectativa ainda é de avanço para o segmento de veículos de luxo no Oriente Médio. Projeções da GlobalData indicam crescimento anual entre 7% e 8%, com o mercado podendo se aproximar de 300 mil unidades até 2033.
Esse cenário, porém, não está livre de riscos.
De acordo com o analista Pal Skirta, no curto prazo, a instabilidade pode limitar deslocamentos e reduzir o fluxo nas concessionárias, pressionando as vendas.
Já no horizonte a longo prazo, a volatilidade dos mercados e a possível desvalorização de ativos tendem a afetar a renda e o apetite por bens de alto valor.
Os reais impactos para a indústria automotiva dependem, sobretudo, de quanto tempo e com que intensidade o conflito vai se estender.
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