Com guerra do Irã, ficou mais difícil andar de Ferrari no Oriente Médio – e de Maserati também
Marcas de automóveis de luxo suspendem os envios de carros para o Oriente Médio; região é uma das mais rentáveis no segmento

Os multimilionários do Oriente Médio podem até conseguir comprar uma Ferrari – mas para andarem nela, vão precisar esperar. Isso porque a marca italiana decidiu interromper temporariamente o envio de veículos para a região.
O motivo não poderia ser diferente: a escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Além do risco de ataques aos navios, o bloqueio do Estreito de Ormuz dificulta o transporte marítimo na região. Por essa razão, a montadora disse que vai manter apenas poucas entregas, dessa vez, por meio de aviões (alternativa mais cara e limitada).
A medida pode ter impactos negativos para a marca, afinal, o Oriente Médio é responsável por uma demanda significativa de veículos de luxo, em especial nos países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Só em 2025, a Ferrari exportou 626 veículos para a região, segundo a CNBC. O volume é expressivo para uma fabricante high-end, e inclusive supera as vendas da montadora para países como Reino Unido, Suíça e França.
Não à toa, a marca italiana possui 10 pontos de venda no Oriente Médio. A título de comparação, há apenas quatro lojas oficiais em toda a América do Sul - sendo uma no Brasil, localizada em São Paulo.
Leia Também
Os carros chineses não são uma moda passageira e podem chegar a 35% do mercado brasileiro nos próximos anos
Uma Gucci ‘Made in China’? Novo tênis de US$ 1 mil da grife italiana expõe dilema do luxo
A Ferrari não foi a única a suspender suas entregas
A fabricante italiana de automóveis de luxo Maserati também interrompeu temporariamente os envios, citando questões de segurança e logística.

Já a britânica Bentley adotou uma postura semelhante. Segundo o seu CEO, Frank-Steffen Walliser, “as pessoas no Oriente Médio têm outras prioridades além de procurar um novo Bentley no momento”, disse na última reunião de resultados da companhia.

Outras empresas ligadas ao segmento de carros de ultraluxo, como a Mansory, avaliam entregas caso a caso. Mas o custo aumenta: o transporte aéreo pode ser até quatro vezes mais caro que o marítimo, de acordo com a companhia de customização.
Porsche, BMW e Mercedes também podem ser afetadas
A escalada do conflito pode pressionar a demanda por veículos premium, afirmou no mês passado Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen (dono das marcas Porsche, Audi, Lamborghini e Bentley).
É o caso da Porsche, marca de luxo mais valiosa do mundo pelo oitavo ano consecutivo, segundo levantamento da consultoria Brand Finance.

Nos últimos anos, a montadora ampliou sua presença no território, tanto em volume quanto em rentabilidade. Por exemplo, em 2025, o lucro por carro vendido foi 28% maior do que em 2020, de acordo com o analista da Metzler Research, Pal Skirta.
Em nota à CNBC, a Porsche afirmou que monitora a situação da guerra no Irã e seus possíveis impactos.
Já o Grupo BMW, composto pelas marcas BMW, MINI e Rolls-Royce, também está de olho no Oriente Médio. Em 2025, a BMW registrou um crescimento de 10% nas entregas na região, segundo a GlobalData.
Por sua vez, a Mercedes-Benz reportou crescimento de dois dígitos nas vendas para o território. Ele está entre os principais compradores de seu SUV de luxo AMG G 63, cujo valor inicial é acima de R$ 2 milhões.

Não por acaso, a empresa expandiu sua presença em países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Catar nos últimos dois anos.
Em nota, a fabricante alemã afirmou que acompanha o conflito de perto, mas que ainda é cedo para avaliar impactos mais claros ou mudanças no comportamento do consumidor.
Sinal vermelho para as montadoras de carros de luxo?
Mesmo com a escalada da guerra no Irã, a expectativa ainda é de avanço para o segmento de veículos de luxo no Oriente Médio. Projeções da GlobalData indicam crescimento anual entre 7% e 8%, com o mercado podendo se aproximar de 300 mil unidades até 2033.
Esse cenário, porém, não está livre de riscos.
De acordo com o analista Pal Skirta, no curto prazo, a instabilidade pode limitar deslocamentos e reduzir o fluxo nas concessionárias, pressionando as vendas.
Já no horizonte a longo prazo, a volatilidade dos mercados e a possível desvalorização de ativos tendem a afetar a renda e o apetite por bens de alto valor.
Os reais impactos para a indústria automotiva dependem, sobretudo, de quanto tempo e com que intensidade o conflito vai se estender.
50 BEST HOTELS
O que levou o Rosewood São Paulo ao 6º lugar entre os melhores hotéis do mundo, segundo a diretoria
23 de setembro de 2026 - 17:40DIA DO SORVETE
Azeite no sorvete: a combinação improvável que conquistou chefs, consumidores e Dua Lipa
23 de setembro de 2026 - 11:17TEMPORADA QUENTE
Miami não para: 11 novidades que estão mudando a cidade em 2026
23 de setembro de 2026 - 8:16BOULEVARD SÃO JOÃO
Times Square paulistana não vai vingar? O que a justiça decidiu sobre instalar painéis de LED no centro
22 de setembro de 2026 - 18:00SAFRA BRASILEIRA
Azeite brasileiro de R$ 97 conquista 2º lugar entre os melhores do Hemisfério Sul em concurso na França
22 de setembro de 2026 - 15:00MILANO FASHION WEEK
Semana de Moda de Milão: conheça as 10 marcas brasileiras que levam moda sustentável à Itália
22 de setembro de 2026 - 12:40ACELERADA CHINESA
Novas marcas chinesas de carros chegam ao Brasil: estratégias, guerra de preços e o impacto no mercado
22 de setembro de 2026 - 8:16LONGE DA APOSENTADORIA
Após deixar a Versace, Donatella volta ao jogo com nova cartada e lança marca própria
21 de setembro de 2026 - 17:00FESTA ALEMÃ
Oktoberfest no Brasil: veja onde, quando e quanto custa curtir a festa cervejeira em 2026
21 de setembro de 2026 - 15:00ÚNICO FORA DA EUROPA
Quanto custa ir ao Café Lacoste? Fomos conhecer a 1ª unidade da América Latina, em São Paulo
21 de setembro de 2026 - 8:16SINGLE MALT
Macallan: o uísque servido por Vorcaro a Moraes e outras autoridades pode custar na casa dos milhões
19 de setembro de 2026 - 11:41MEXENDO COM FOGO
Chefs on Fire, maior festival de cozinha de fogo da Europa, terá edição em São Paulo; veja como funciona o evento
19 de setembro de 2026 - 9:20NOVOS CAMINHOS
Colecionismo além da parede: como o projeto ABERTO apresenta novas visões para a arte
19 de setembro de 2026 - 8:00NO CENTRO DA TAÇA
De Tokaj ao efeito Mounjaro no vinho: as tendências e debates que vão dominar a ProWine 2026
18 de setembro de 2026 - 10:01TENDÊNCIAS
Sem estrela Michelin: nova tendência faz turistas lotarem supermercados em viagens ao exterior
18 de setembro de 2026 - 9:46SEM RESSACA?
US$ 2,7 bilhões: o mercado de bebidas adaptógenas que cresce mais rápido que as evidências científicas
18 de setembro de 2026 - 8:16BAIRROS 'COOL'
República ou Laranjeiras? O que levou esses dois bairros brasileiros à lista dos mais descolados do mundo
17 de setembro de 2026 - 14:40KENNER VIROU LUXO?
Esqueça a Havaianas: designer americano se apaixona por outra sandália brasileira e leva modelo para desfile na NYFW
17 de setembro de 2026 - 10:27TEMOS UM CANDIDATO
“Feito Pipa” vai representar Brasil no Oscar 2027? Veja o que falta para isso acontecer e onde assistir ao filme
17 de setembro de 2026 - 9:25DIVIDIU OPINIÕES