Bad Bunny estreia no Brasil com convite à latinidade que o país não reconhece
"Hoje, nós somos brasileiros, e vocês são porto-riquenhos”, declarou o cantor em show desta sexta-feira (20) no Allianz Parque

Às 20h30, pontualmente, Benito Antonio Martínez Ocasio subiu ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para debutar a tour Debí Tirar Más Fotos em território brasileiro. Previsto anteriormente para iniciar às 21h, a produção adiantou o espetáculo de Bad Bunny. O fez para atender às normas sobre barulho e garantir que todo o público, que esgotou ingressos rapidamente, pudesse aproveitar da melhor maneira possível.
De início, o artista demonstrou sua conexão profunda com o público. Foram três minutos em silêncio, já sobre o palco, para contemplar e receber o carinho dos fãs que lotaram o estádio do Palmeiras. Entre a multidão, uma mistura regional: do Brasil e fora dele. Era possível ver bandeiras não só de Porto Rico, terra natal de Benito, mas da Colômbia, Venezuela, Equador e muitas outras.
Um Brasil latino
Mais do que uma apresentação, o rapper porto-riquenho estendeu em solo brasileiro um estandarte sobre latinidade. Diferente da hecatombe promovida durante o intervalo do Super Bowl, semanas atrás, com um discurso político sutil sobre a América não ser restrita aos Estados Unidos.
Por aqui, inclusive, o cantor exaltou o orgulho latino, que parece não ser tão latente no Brasil, já que pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) indica um distanciamento da identidade latina para a maioria dos brasileiros. Segundo o levantamento, de 2023, apenas 4% dos brasileiros se definem latino-americanos quando questionados sobre identidade.
Apesar disso, o público cantou à exaustão os hits de Bad Bunny, como “Baile Inolvidable”, “Titi Me Preguntó”, “Yo Perreo Sola”, além de outras que se dividiram em dois momentos. O primeiro, mais dedicado à salsa aliás, evocou exatamente a essência latina. Nas falas, o artista compartilhou o sonho realizado de vir ao Brasil e a identificação com a cultura nacional. Inclusive, com versões de “Garota de Ipanema” e “Mas Que Nada”. Em determinado momento, Benito declarou que “Hoje, nós [a banda] somos brasileiros, e vocês [o público] são porto-riquenhos”, calcificando ali a relação profunda e inevitável que nós, como latinos, portanto, temos.
Baile Inolvidable
Já após a esperada troca do palco principal para “La Casita” – uma espécie de réplica em tamanho real de uma casa porto-riquenha, com móveis, decoração, um bar e diversos convidados, – o espetáculo se transformou em uma grande festa. Ali, o que se viu foi um segmento dedicado ao Perreo [estilo musical típico de Porto Rico, semelhante ao funk brasileiro], reggaeton, trap e Dembow.
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Um dos grandes momentos do show foi a canção "Debí Tirar Más Fotos", que dispensa explicações. Entre os refrões, Bad Bunny enalteceu o amor, as coisas boas da vida. Também falou sobre aproveitar cada momento e, a certa altura, pediu para que o público guardasse o celular e curtisse a música.
Durante parte do show, Benito estava trajado de camisa da seleção brasileira de futebol com seu nome nas costas, o número 10 e emblema de 62 no peito.
Ali, mostrou que o Brasil é mais latino do que imagina.
Bad Bunny se apresenta novamente em São Paulo no dia 21/02.
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