Muito além dos bilionários, Dubai atrai investidores com metro quadrado mais barato que Nova York
Especialista conta como a tensão no Oriente Médio tem afetado o mercado imobiliário no emirado, as vantagens de não pagar imposto e onde estão as melhores oportunidades

Quando os primeiros mísseis caíram sobre o Irã, no fim de fevereiro, investidores do mundo todo ficaram atentos. O ataque liderado por Estados Unidos e Israel criou uma nova tensão no Oriente Médio e levantou dúvidas sobre o impacto econômico na região. Em Dubai, um dos mercados imobiliários mais aquecidos do mundo, a reação foi rápida.
As transações caíram 51% em março, 45% em abril e 30% em maio. Os compradores ficaram mais cautelosos e muitos passaram a esperar por oportunidades. Os preços, porém, ficaram estáveis, o que não surpreende Mariana Dalvesco, corretora que trabalha no emirado há mais de cinco anos.

Dubai já passou por períodos difíceis antes, ela conta, e a expectativa dos investidores costuma ser a mesma: queda temporária seguida de recuperação. Em vez de correr para vender, o mercado prefere esperar.
E estamos falando de um mercado que vinha batendo recordes. Em 2025, Dubai fechou com cerca de US$ 250 bilhões em transações e mais de 270 mil negócios, o maior resultado da sua história. O ritmo continuou forte no início deste ano, com US$ 69 bilhões movimentados só no primeiro trimestre.
O ponto de virada
A história de Dubai, porém, não começa no luxo. O ponto de partida foram as trocas comerciais entre famílias locais, a pesca de pérolas e, mais tarde, o petróleo, que, segundo Mariana, foi o que “colocou os Emirados Árabes Unidos num ponto de destaque no mundo.”
Mas o que diferenciou Dubai foi a visão dos seus líderes. Quando o petróleo chegou, já havia uma pergunta: e quando acabar?
Leia Também
“Os líderes dos Emirados têm uma visão muito futurista. Quando descobriram o petróleo, é claro que se beneficiaram desse boom, mas já estavam pensando: quando essa fonte se esgotar, do que viveremos?”, diz a corretora.
A resposta foi a construção civil, voltada inicialmente ao turismo, e o símbolo disso é o Burj Khalifa. “Foi uma visão ousada do Sheik, que viu no meio do deserto a possibilidade de construir a maior torre do mundo.”

Deu certo. Após a inauguração do empreendimento, em 2010, Dubai virou um destino turístico e de negócios. Outras construtoras chegaram e o mercado cresceu. “Hoje, Dubai conta com frentes diversas: a construção civil, o petróleo, a energia sustentável, a inteligência artificial”, diz Mariana.
As (muitas) vantagens
Para quem pensa em investir em imóveis, Dubai tem algo que poucos mercados oferecem: isenção de impostos para pessoa física. “O único custo é o próprio imóvel e o seu registro em cartório. Fora isso, não há incidência tributária na compra, na revenda ou no aluguel”, explica Mariana.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os impostos sobre renda de aluguel ficam entre 25% e 37%. Em Dubai, esse percentual é zero. Mesmo que o rendimento bruto seja parecido com o de outros mercados, o retorno líquido sai na frente.

“Quando comparamos em números brutos, outros mercados podem se aproximar de Dubai. Mas ao descontarmos impostos e encargos, é que Dubai de fato se distancia dos demais”, afirma.
Para se ter uma ideia: somando todos os custos da compra até a revenda em cinco anos para um imóvel de US$ 1 milhão, o investidor gasta cerca de US$ 42 mil em Dubai. Em outras praças, esse custo é bem maior: entre US$ 130 mil e US$ 180 mil em Lisboa, até US$ 220 mil em São Paulo e mais de US$ 300 mil em Nova York.
Câmbio e vistos
O segundo ponto é a estabilidade cambial. O dirham dos Emirados está atrelado ao dólar americano há mais de 25 anos. Para um investidor estrangeiro, isso elimina um dos maiores riscos de mercados emergentes: a oscilação do câmbio. “Quem investe aqui não está sujeito à flutuação cambial, já que o dirham é indexado ao dólar, a moeda de referência global”, resume a corretora.

A terceira vantagem é a facilidade de conseguir visto. A partir de investimentos de cerca de US$ 246 mil em imóveis, já é possível pedir um visto de investidor. Para quem aportar aproximadamente US$ 750 mil, abre-se o caminho para o Golden Visa, um programa que concede autorização de residência a investidores estrangeiros, como já contamos nesta matéria.
Por último, a geografia, já que Dubai fica no centro das rotas entre o Ocidente e o Oriente. “Profissionais que atuam com comércio internacional e exportação, e que precisam estar conectados ao mundo, têm optado por Dubai justamente por sua posição central", diz Mariana.
Quem está comprando
Dubai já passou dos 4 milhões de habitantes em 2026, e o plano do governo é chegar a 5,8 milhões até 2040. O mais impressionante é que quase toda essa gente vem de fora: cerca de 90% da população é estrangeira. Os indianos são o maior grupo, seguidos por chineses e britânicos.
Quem mora nas Américas começou a investir mais tarde. Hoje, os norte-americanos são donos de 2% a 4% dos imóveis da cidade, e os brasileiros respondem por apenas 1% a 2%. Mariana conta que, quando se mudou para lá, era muito difícil ouvir alguém falando português na rua, mas isso mudou bastante com a chegada de mais turistas e novos moradores do Brasil.
Ela explica que a participação dos brasileiros ainda é baixa por causa da distância, da diferença cultural e porque Dubai parece um conceito muito distante. Mas essa visão muda logo na primeira viagem: quem visita a cidade pela primeira vez costuma dar o primeiro passo para fechar um negócio.
Geralmente, esses compradores escolhem entre duas estratégias de mercado. Existe o investidor focado em renda rápida, que prefere bairros já prontos e com boa procura para aluguel, fugindo dos preços exagerados das áreas mais badaladas. E existe o investidor focado em valorização, que compra imóveis em regiões ainda em construção, apostando no ganho de preço quando tudo estiver pronto.
Entrada e retorno
Muita gente pensa que Dubai é só para bilionários, mas os números mostram que não. O metro quadrado por lá custa cerca de US$ 4.543, o que é mais de 3,5 vezes mais barato do que em Nova York, onde a média passa dos US$ 16 mil. Para facilitar, Mariana conta, as construtoras também deixam parcelar o pagamento do imóvel em até sete anos.
Os valores para começar variam de acordo com o plano do investidor. Quem quer ganhar dinheiro com aluguel encontra opções a partir de US$ 280 mil em bairros já estruturados.
Se a ideia for comprar nas áreas mais nobres ou perto da praia, os preços sobem para a faixa de US$ 575 mil a US$ 740 mil. No mercado de altíssimo luxo, os valores não têm limite: o imóvel mais caro já registrado por lá foi vendido por US$ 163 milhões.
O grande motivo que atrai tanto dinheiro para Dubai é que o retorno vem em dobro. O investidor ganha com o aluguel, que rende de 6% a 8% ao ano, e com a valorização do imóvel, que fica entre 10% e 15% ao ano. Juntando as duas coisas, o retorno médio chega a 16% ao ano.
Esse rendimento deixa para trás mercados como Lisboa, que valoriza de 4% a 7%, São Paulo, com 3% a 6%, e Nova York, com 2% a 5% ao ano. O lucro líquido em Dubai acaba sendo ainda maior porque o governo local não cobra imposto sobre o dinheiro do aluguel.
Entendendo Dubai
Quem pensa em investir em Dubai costuma olhar primeiro para áreas famosas, como Palm Jumeirah, Downtown e Dubai Marina. Mas, segundo Mariana, essas regiões já passaram pelo período de maior valorização e hoje oferecem um potencial de crescimento mais limitado.

Para quem busca equilíbrio entre retorno e risco, JVC (Jumeirah Village Circle), JVT (Jumeirah Village Triangle) e MBR City são as opções mais indicadas, com imóveis a partir de cerca de US$ 280 mil e boa demanda para aluguel.
Já os maiores potenciais de valorização estão em regiões em desenvolvimento. É o caso de Palm Jebel Ali, nova ilha artificial inspirada na Palm Jumeirah, mas mais de duas vezes maior, e das Dubai Islands.

Mariana também aposta na área próxima ao futuro aeroporto Al Maktoum, que promete impulsionar a demanda imobiliária nos próximos anos. Nessa região, ainda em construção, os imóveis variam de aproximadamente US$ 140 mil a mais de US$ 2 milhões.
No mercado de luxo, o destaque continua sendo o litoral. Áreas como Bluewaters e os Bugatti Residences são as principais escolhas dos milionários e bilionários. O que eles querem? Exclusividade.
“Promete e cumpre”
Dubai não cresceu por acaso. O governo dos Emirados trabalha ativamente para atrair empresas, moradores e capital estrangeiro. “O governo lança iniciativas continuamente para atrair empresas multinacionais, suas filiais e, em alguns casos, suas sedes regionais”.
O Master Plan Dubai 2040, lançado em 2020, organiza essa visão com metas para crescimento populacional, expansão de infraestrutura e criação de novas zonas urbanas.
Junto a ele, a Dubai Real Estate Strategy 2033 traça caminhos para o mercado atingir US$ 270 bilhões em negócios anuais, e a Agenda D33 mira dobrar o tamanho da economia do emirado na próxima década.

“Ao longo dos seis anos de execução, o governo tem entregado suas metas antes dos prazos previstos no Master Plan", conta Mariana. “É um governo que apresenta um plano e cumpre, geralmente antes do prazo.”
Para a corretora, que escolheu Dubai como endereço profissional há mais de cinco anos, a cidade ainda reserva surpresas para quem souber onde olhar.
“É fácil perceber que não são só bilionários que investem em Dubai. O mercado está aberto a um perfil de investidor muito mais amplo do que a imagem da cidade sugere.”
MISSÃO IMPOSSÍVEL?
Warner investe milhões para tentar Oscar com Tom Cruise em filme candidato a maior fiasco da história do cinema
13 de outubro de 2026 - 9:28NOVO CALENDÁRIO
O outono virou o novo verão: o que é “fallcation” e por que turistas estão trocando as férias de julho
13 de outubro de 2026 - 9:16RESTAURANTE AUSTRÍACO
14 anos sem carne, nem peixe: como o chef Paul Ivić transformou vegetais em alta gastronomia no Tian, em Viena
13 de outubro de 2026 - 8:16ESQUEÇA O HOT YOGA
Yoga Force Flow: nova prática une treino de força com yoga sem parecer musculação
12 de outubro de 2026 - 8:16DIOR NO RIO
Primeiro spa da Dior na América Latina chega ao Copacabana Palace; veja como será
11 de outubro de 2026 - 17:00NA PRÁTICA
Seu vinho está bem guardado? Saiba como conservar a bebida sem precisar de uma adega
10 de outubro de 2026 - 8:00MEDALHA DE OURO
O que vencedores do Nobel já fizeram com o prêmio: de medalhas dissolvidas a leilões milionários
9 de outubro de 2026 - 13:55BEM-ESTAR MADE IN CHINA
China vira destino de wellness de luxo – e com spas bem mais acessíveis do que nos EUA e Europa
9 de outubro de 2026 - 8:16PRÊMIO NA LITERATURA
Quem é Anne Carson, vencedora do Nobel de Literatura de 2026, e sobre o que são suas obras
8 de outubro de 2026 - 14:30LONGEVIDADE
Bolotana: a próxima Blue Zone onde as mulheres chegam aos 100 anos
8 de outubro de 2026 - 9:16GASTRONOMIA
Café da manhã no 6º melhor hotel do mundo fica em São Paulo e custa R$ 180; veja o que está incluído
8 de outubro de 2026 - 8:16THE WORLD'S 50 BEST BARS
50 Best Bars 2026: São Paulo emplaca dois bares entre os melhores do mundo, mas segue tímido no ranking
7 de outubro de 2026 - 19:00QUERIDINHO DOS MILLENIALS
Lembra do Keds? Tênis básico que fez sucesso nos anos 1990 volta ao Brasil; veja quanto custa
7 de outubro de 2026 - 13:00UMA NOITE NO MUSEU
Ingresso de R$ 65 mil e show de Marina Sena: veja como será a Festa do MASP 2026
7 de outubro de 2026 - 9:16CANETAS EMAGRECEDORAS
Oktoberfest no ano do Mounjaro: como as festas estão se adaptando a um público que come e bebe menos?
7 de outubro de 2026 - 8:16ERA DA RECUPERAÇÃO
Adidas entra na febre do recovery com chinelo que esfria os pés por 30 minutos; veja como funciona
6 de outubro de 2026 - 19:05APOCALIPSE SURREALISTA
Criada por Salvador Dalí, capa do ‘livro mais caro do mundo’ é roubada na França
6 de outubro de 2026 - 13:24FRACASSO RETUMBANTE
Nem atuação elogiada de Tom Cruise salva Digger de candidatura a flop do ano nos cinemas
6 de outubro de 2026 - 11:05CINEMA ALÉM DO FILME
8 novos cinemas de rua ressuscitam salas com arquitetura arrojada e um quê de café-bar
6 de outubro de 2026 - 9:30O’ZAPFT IS!