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Treino pesado com jeito de spa urbano: como SIX Sport Life, a academia “seis estrelas” mira em clube de fitness dentro da cidade

São Paulo não é estranha a academias de alto padrão. Redes como Bodytech e Reebok já haviam estabelecido, alguns bons anos atrás, o que hoje é tido como básico para quem busca um corpo saudável e mais bonito dentro do segmento de luxo. São ambientes com arquitetura e decoração especificamente pensados em elegância, acústica agradável e personal trainer à disposição. E também equipamentos de última geração que podem ser sincronizados com celular, relógios e outras amenidades.
Estes eram, à época, o estágio mais elevado de cultura fitness indoor, na contramão das academias “chão de fábrica” que conhecíamos. Foi então que surgiu a Les Cinq Gym, em São Paulo. O objetivo era furar o teto do serviço oferecido pelas franquias mais caras do momento com um produto muito mais sofisticado, fino e personalizado. Rodrigo Sangion, fundador da marca, apresentou um conceito inovador para os brasileiros, de espaço desenvolvido muito mais para bem-estar, socialização e atendimento.
Começava ali, o plantio de um novo comportamento que pude, por três anos, acompanhar de perto diariamente. O endereço, no coração dos Jardins, cumpria um gap relevante: não era somente uma academia, tampouco poderia ser considerado um clube. Era um híbrido. Havia quem estava ali exclusivamente pelo treinamento físico, porém, uma grande parcela (arrisco em dizer que a maior, talvez) frequentava pelo sentimento de pertencimento.
Claro, o estabelecimento faz jus: iluminação agradável, espelhos com tratamento de cobre para a selfie do treino sair aesthetic… tudo de muito bom gosto. Havia pessoas bonitas e até famosas, como Bruno Gagliasso, Reinaldo Gianechini, Claudia Raia, entre outros. E também um programa de aulas diferentes, como o Q-Surf, Q-Cycle e mais uma porção de “quês” que compõem a construção da marca.
Ainda que as pedras vulcânicas importadas do Oriente Médio por Sangion para compor as paredes dos banheiros – esses com duchas altas para um “efeito cachoeira” – fizessem parte dos atrativos em um pacote robusto a preço de R$ 3 mil, o fator hospitalidade ainda ficava abaixo do que oferecem os melhores hotéis do país que, diga-se, possuem academias bem completas. No entanto, estes pecam no core do fitness: o culto ao corpo perfeito. Alguns grandes nomes da hotelaria, como o Rosewood, eleito um dos melhores do mundo aliás, oferecem um ecossistema que une relaxamento e atividades físicas, como relata minha colega jornalista do Estadão nesta reportagem.
Aqui, dediquei algumas semanas para experimentar uma proposta que mira entregar o melhor do fitness com o melhor do spa urbano. Falo da SIX Sport Life, inaugurada em 2024 e autointitulada a “única academia seis estrelas” do Brasil.
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Inspirada, em partes, nos spas urbanos, que tradicionalmente focam em relaxamento passivo, a SIX Sport Life propõe fundir treino pesado com mordomia. A promessa de "seis estrelas" e "atendimento hoteleiro" é a tentativa de um salto inclusive maior do que aquele dado pela Les Cinq, como comentei acima.

De cara, o grande diferencial prático que chama a atenção é a conveniência. O sistema aqui é de "open bar" funcional. É uma espécie de “buffet” de nutrição. Isotônicos, frutas, água (com e sem gás), whey protein, café, creatina e mais algumas opções de suplementos estão inclusas e à vontade. É um detalhe operacional que gera valor real para quem treina sério e costuma gastar uma boa grana com isso. Além disso, é uma questão prática que diminui bastante o peso da mochila. Afinal, com um serviço de rouparia (que oferece toalhas para todos os momentos), secadora, steamer, produtos de cuidados pessoais, com cotonetes, enxaguante bucal, desodorante, secador e pomadas de cabelo, você só precisa de um tênis, fones e look de treino. Tudo isso, claro, reforça a vibe de hotel, além de espaço para cabeleireiro dentro dos vestiários.

Já na parte da estrutura física, por outro lado, a SIX tenta cobrir todas as bases do fitness moderno em três andares com diversos ambientes bem equipados. No térreo, logo acima do valet coberto, sala de spinning, box de Cross Training com cordas, sacos de boxe, kettlebells, quadra de areia para Beach Tennis e Futevôlei (o "must have" atual da Faria Lima) e pequenos “consultórios” para nutricionistas e fisioterapeutas.
Um lance de escada acima e chegamos à área de cardio, com esteiras, bikes e outros equipamentos. Neste pavimento é onde você também encontra o estúdio de yoga/dança, o serviço de rouparia e os vestiários masculinos, que possuem duas saunas a vapor e tanques de imersão em água gelada.

Por fim, no último andar, uma opulenta cabine de DJ alocada sobre um espelho d’água entre as sessões de musculação, divididas entre membros superiores e membros inferiores. Todos os andares, lembrando, com uma mesa de nutrição repleta.
Não há piscina nesta unidade, mas em outras vindouras sim, segundo confidenciou o sócio-proprietário Eilson Studart, com quem conversei em minha primeira visita.

Eilson, que operou as unidades da rede de restaurantes Coco Bambu por 16 anos, mira em expansão e confia em sua experiência com as franquias do negócio passado para tal.

“[A meta é] uma unidade a cada quatro meses. Queremos ser a primeira rede de academia de luxo [no Brasil]. Tudo com um modelo de gestão com compliance, processo de auditoria, cliente oculto e pesquisa de satisfação”, enumera.
O crescimento é fato: já são quatro endereços, sendo o quinto e mais recente a ser concluído na Vila Nova Conceição, de frente ao Parque Ibirapuera, em São Paulo, com proposta de piscina, bar, spa, praça de alimentação e outras opções a conferir.

A meta da SIX, segundo Eilson e os sócios, é matricular, no máximo, 500 alunos por unidade. “O mercado atual quer matricular 2 mil pessoas e torce para que elas não frequentem. Assim, podem matricular mais 2 mil alunos. Nós vamos na contramão e esperamos que os nossos venham”, afirma o empresário.
Para isso, o objetivo é transformar o empreendimento em uma espécie de clube, apostando no conceito de comunidade, família, bem-estar, com café da manhã aos sábados, DJ para embalar os treinos em um set exclusivo, geladeira com cerveja para descomprimir depois da partida de Beach Tênis e um espaço kids com videogame e monitores. Tudo incluso na mensalidade de R$ 3.500. Segundo relato dos proprietários enquanto conversávamos, a média de tempo em que os associados permanecem no endereço é de quatro horas.

Ainda que o objetivo seja claro e a equipe de treinadores esteja sempre sorridente e a postos para ajudar, munida de um iPad com tudo o que você precisa para seu treinamento, tempo livre é o maior de todos os luxos. E, como toda academia, seja de bairro, seja super exclusiva, a SIX sofre nos horários clássicos desta indústria. Quem chega para treinar no período de pico, em uma segunda-feira, por exemplo, inevitavelmente revezará um aparelho com alguém que está em uma call qualquer. Aqui, vale a dica suprema: tente treinar entre as 10h e as 18h. Aí, sim, a exclusividade fala muito alto.
Studart, por fim, admite que o modelo será copiado, já que o setor é extremamente vivo. Ele ainda questiona se este não é um movimento que o mercado deva adotar para entregar ao cliente mais facilidades, já que o benefício do produto sobrepõe os eventuais prejuízos.
Está aí, portanto, o desafio comum em todos os serviços de luxo no Brasil.
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