Já deu para a WEG (WEGE3)? Por que analistas veem menos gatilhos para a ação no curto prazo mesmo com tese positiva
Itaú BBA e Santander mantêm visão positiva para a empresa, citando o ciclo global de investimentos em redes elétricas, mas apontam riscos e pressões no horizonte mais próximo

A tese estrutural da WEG (WEGE3) continua positiva, impulsionada pela eletrificação da economia global e pela crescente demanda por infraestrutura elétrica. Ainda assim, analistas do Itaú BBA e do Santander avaliam que o desempenho das ações pode ser mais contido no curto prazo.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (11), o Itaú BBA afirma que a companhia segue apresentando crescimento sólido. No entanto, alguns dos principais motores de expansão devem levar mais tempo para ganhar tração — o que tende a reduzir o potencial de valorização no horizonte mais próximo.
“Os negócios principais seguem robustos, mas a aceleração de algumas frentes de crescimento deve ocorrer mais adiante, o que reduz os gatilhos para uma reprecificação dos lucros no curto prazo”, escreveram os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo.
Crescimento estrutural segue forte
Já o Santander destaca que a demanda pelos produtos da companhia é estrutural e ligada à transformação do sistema energético global.
Segundo os analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani, o ciclo de investimentos em infraestrutura elétrica deve sustentar o crescimento da empresa por anos.
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“Grande parte da rede elétrica dos Estados Unidos foi construída nas décadas de 1960 e 1970 e muitos transformadores já ultrapassaram a vida útil. O aumento da demanda por energia — impulsionado por data centers, veículos elétricos e projetos de energia renovável — está forçando um novo ciclo de investimentos”, escreveram.
Na avaliação do banco, o backlog do setor já está atrelado a projetos definidos, com visibilidade de demanda até o fim da década, reforçando o caráter estrutural do crescimento.
- Leia também: WEG (WEGE3) anuncia fábrica de baterias em SC para impulsionar expansão em energias renováveis; confira os detalhes
O Santander também afirma que os investimentos da WEG em expansão de capacidade não são uma reação cíclica à demanda recente, mas parte de um plano estratégico de longo prazo para ganhar participação no mercado norte-americano de transmissão e distribuição de energia.
Para o Santander, a empresa ampliou significativamente sua capacidade produtiva na América do Norte nos últimos anos.
Desde 2017, a capacidade de transformadores de distribuição nos Estados Unidos cresceu cerca de 70%, enquanto a de transformadores de potência avançou 80%. No México, a expansão supera 200%, com boa parte da produção destinada ao mercado americano.
Esse posicionamento deve permitir que a companhia capture parte relevante do ciclo de modernização da rede elétrica dos EUA.
Pressões e riscos no curto prazo
Apesar da tese positiva, o Itaú BBA alerta para alguns fatores que podem limitar o desempenho da companhia no curto prazo.
Entre eles estão a valorização do real — que reduz a competitividade das exportações — e o adiamento de alguns projetos importantes, como iniciativas de armazenamento de energia e expansão em transmissão e distribuição.
O banco projeta receita de R$ 42,1 bilhões em 2026, alta de 3% na comparação anual, com lucro líquido estimado em R$ 6,6 bilhões no período.
Ainda assim, a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve permanecer elevada, em torno de 22,5%, refletindo ganhos de eficiência operacional e melhora no mix de produtos.
No geral, os bancos mantêm visões positivas para a companhia, mas em graus diferentes. O Itaú BBA tem recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 50 para o fim de 2026.
Já o Santander também recomenda outperform, com preço-alvo de R$ 69, destacando o potencial da empresa de capturar o ciclo global de eletrificação e modernização da infraestrutura energética.
*Com informações do Money Times
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