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CRESCIMENTO BOM PRA CACHORRO

Petz Cobasi (AUAU3) tem mais dinheiro em caixa — vêm mais dividendos por aí? Entenda os planos da empresa para gerar mais retorno

Em entrevista ao Seu Dinheiro, CFO fala sobre a estratégia da companhia após a fusão e a alta da geração de caixa

Imagem: Montagem Seu Dinheiro/Divulgação

A megafusão entre Petz e Cobasi começa a mostrar seus efeitos nos números da companhia combinada — e foi o suficiente para deixar o mercado de orelhas em pé. Com mais dinheiro sobrando no caixa, uma pergunta surgiu quase naturalmente entre os investidores da Petz Cobasi (AUAU3): chegou a hora de aumentar os dividendos?

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Por enquanto, a resposta da companhia é não.

A Petz Cobasi acredita que consegue dar um destino mais rentável a esse dinheiro. Em vez de devolver imediatamente o caixa aos acionistas por meio de dividendos ou recompras, a varejista quer reinvesti-lo para acelerar o crescimento, ganhar mercado e extrair as sinergias da fusão.

A discussão ganhou força depois que o Itaú BBA destacou o salto na conversão de Ebitda em fluxo de caixa livre e questionou quanto desse dinheiro poderia acabar no bolso dos investidores.

Mas, para a administração, distribuir mais só faz sentido se não houver projetos capazes de oferecer um retorno superior.

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“Estamos olhando, de forma bastante transparente, tentando encontrar formas de investir, com uma taxa de retorno que seja superior ao que o investidor teria se hoje a gente distribuísse dividendos”, afirmou Rafael Siqueira Rodrigues, diretor financeiro, de relações com investidores e jurídico do Grupo Petz Cobasi, em entrevista ao Seu Dinheiro.

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"Obviamente a gente olha também formas de remunerar o acionista, e tudo isso vai fazer parte do nosso planejamento estratégico. Não estamos descartando nada, mas também não estamos mudando nossa estratégia de investimento no curto prazo", disse.

É aí que entram os planos para os próximos anos: acelerar a abertura de lojas em um formato menor, ampliar a operação digital, avançar no interior do país e aumentar a oferta de serviços.

Tudo isso enquanto a companhia tenta provar que a união de duas gigantes do varejo pet pode fugir do histórico conturbado de grandes fusões no setor.

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O noivado de 20 meses

Petz e Cobasi anunciaram a fusão em abril de 2024, mas o casamento demorou a sair do papel.

A Petlove entrou como terceira interessada no processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), argumentando que a união poderia prejudicar a concorrência no setor.

O sinal verde veio apenas em dezembro de 2025 — acompanhado de um remédio: a venda de 26 lojas de Petz e Cobasi, que, juntas, representavam 3,3% do faturamento da companhia combinada.

Mas os quase 20 meses de espera não foram perdidos. Enquanto aguardavam o aval, as duas empresas arrumaram a casa separadamente.

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Na Petz, o número de dias de estoque caiu. Na Cobasi, aumentou o prazo de pagamento aos fornecedores. Só em 2025, esses ajustes adicionaram cerca de R$ 200 milhões ao caixa de cada companhia, segundo Rodrigues.

Rafael Rodrigues, CFO do Grupo Petz Cobasi

O efeito também aparece na conversão do Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — em fluxo de caixa livre. O indicador saltou de uma média de 10% em 2024 para cerca de 80% nos 12 meses encerrados no segundo trimestre deste ano.

O Itaú BBA estima que a Petz Cobasi gere aproximadamente R$ 370 milhões em fluxo de caixa livre em 2026 e outros R$ 350 milhões em 2027.

Desde julho, a companhia reavalia as oportunidades abertas pela combinação dos negócios e deve concluir nos próximos meses o planejamento estratégico para 2027.

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E ainda há bastante dinheiro para encontrar pelo caminho. As sinergias previstas com a fusão podem adicionar entre R$ 200 milhões e R$ 260 milhões ao Ebitda anual. Para o primeiro ano da união, porém, a expectativa traçada no início de 2026 era capturar apenas entre 0% e 10% desse potencial.

As avenidas de crescimento da Petz Cobasi

A empresa enxerga três frentes de crescimento: vendas digitais, expansão de lojas físicas e aumentar o nível de serviço oferecido.

Se em 2026 as marcas devem inaugurar 12 lojas, em 2027 a velocidade de expansão deve ser bem maior. Estão planejadas de 20 a 30 unidades para o ano que vem, e a empresa espera engatar uma abertura anual de 30 lojas no médio prazo.

O futuro da Petz Cobasi pode caber em lojas bem menores.

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As duas redes ficaram conhecidas pelas megalojas. A flagship da Cobasi próxima ao Parque Villa-Lobos, em São Paulo, por exemplo, tem impressionantes 3,6 mil metros quadrados. Inaugurada em 1985, foi a primeira unidade da rede.

Quatro décadas depois, o modelo que deve carregar a expansão da companhia tem uma fração desse tamanho. Hoje, ela busca um modelo mais eficiente, de 500 a 700 metros quadrados. Nos últimos 24 meses, a área média das lojas inauguradas foi de 566 metros quadrados.

Esse tamanho exige menos investimento em reforma e permite expandir para cidades menores. Atualmente, as redes estão em 145 municípios brasileiros, e a abertura no interior do país é uma das estratégias da companhia.

As lojas servem a dois propósitos: buscam manter o encantamento — com espaço para aquários, viveiros de pássaros e até vendas de plantas — e ainda funcionar como um mini centro de distribuição.

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Hoje, as 520 unidades dão suporte às vendas online, tanto em entregas — feitas em até 24h em 75% dos casos — quanto para clientes que retiram as compras presencialmente.

"Quando acaba a ração do seu animal, você quer repor logo", afirma Rodrigues.

A operação digital cresceu 9,2% no segundo trimestre e já corresponde a 40,6% das vendas do grupo.

A terceira avenida passa por vender mais do que ração, brinquedos e tapetes higiênicos.

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O grupo já conta com mais de 160 clínicas veterinárias, 15 hospitais com atendimento 24 horas e começa a explorar o mercado de planos de saúde para animais.

A marca própria é outra peça dessa estratégia: hoje já corresponde a 14,4% das vendas da Petz e 9,5% na Cobasi.

Para Rodrigues, um bom nível de serviço e velocidade nas entregas são diferenciais competitivos importantes para a empresa, ao disputar mercado com marketplaces como Mercado Livre ou Amazon.

Mercado pet é à prova da crise?

Deixar de comprar um móvel ou trocar um alimento por uma marca mais barata é relativamente simples. Convencer um cachorro ou gato a aceitar outra ração pode ser mais complicado.

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Questionado se a crise do varejo atrapalha as receitas da companhia, o diretor financeiro diz que a empresa tem uma fortaleza por atuar no segmento pet. Tutores raramente fazem a troca por uma ração mais barata, até porque os próprios animais podem rejeitar o novo alimento.

Além disso, desde a pandemia o mercado vê um aumento no gasto com animais de estimação. Há mais procedimentos sendo feitos nos hospitais, e com mais complexidade, diz. Nem no banho e tosa a empresa está desacelerando.

"A fusão nos coloca em um momento muito único. Entramos com uma musculatura maior e conseguimos fazer frente a esses momentos pontuais de maior dificuldade", diz.

Nos últimos anos, grandes empresas ganharam mercado, como a própria Petz Cobasi, a Petlove, dona do maior e-commerce do setor, e a Petland, rede norte-americana que funciona principalmente com base em franquias, com 150 unidades no país.

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O grupo Petz Cobasi tem cerca de 15% do mercado, diz Rodrigues. "Mas há oportunidades para ganhar participação, tem espaço para as marcas estarem em todos os estados do Brasil", declara.

No primeiro semestre deste ano, o grupo chegou a uma receita bruta de R$ 4,1 bilhões, crescimento de 8,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, acompanhado por margem bruta de 47,1%, leve alta em relação a 2025. Já a margem Ebitda aumentou 1,1 ponto porcentual, para 10,2%.

Petz Cobasi quer ser o casamento que deu certo

Enquanto Petz e Cobasi tentam provar que juntas podem valer mais do que separadas, outra megafusão do varejo brasileiro caminha na direção oposta.

Menos de dois anos depois da união entre Arezzo e Grupo Soma, a Azzas (AZZA3) anunciou os planos para desfazer a combinação que havia criado o maior grupo de moda do país.

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O exemplo ajuda a explicar por que o mercado costuma olhar com cautela para grandes fusões. Colocar duas companhias sob o mesmo teto não significa apenas somar lojas, clientes e faturamento. É preciso conciliar culturas, sistemas, executivos e formas diferentes de administrar o negócio.

A Petz Cobasi quer convencer os investidores de que seu casamento terá outro destino.

Rodrigues diz que o longo “noivado” entre o anúncio da operação, em abril de 2024, e a aprovação, em dezembro de 2025, ajudou as empresas a se prepararem para a vida em conjunto.

A divisão de poder também foi desenhada desde o início. Paulo Nassar, cofundador da Cobasi ao lado dos irmãos, assumiu o cargo de CEO, enquanto Sérgio Zimerman, fundador e ex-CEO da Petz, tornou-se presidente do conselho de administração da companhia combinada.

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Agora, o desafio é transformar a promessa em sinergias reais — e provar que o casamento resiste quando termina a lua de mel.

“Temos batido no mantra de que queremos ser o melhor case de fusão. Estamos muito confiantes”, afirma Rodrigues.

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