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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

COMPRA OU VENDA?

O caminho para a desalavancagem da CSN (CSNA3): os riscos e as vantagens do plano para reduzir as dívidas em até R$ 18 bilhões

Objetivo é vender partes de negócios que não são o foco da companhia neste momento, permitindo uma redução imediata da dívida líquida

Monique Lima
Monique Lima
16 de janeiro de 2026
18:32 - atualizado às 18:13
tela de celular mostra logotipo da CSN (CSNA3) | CSN Mineração (CMIN3) recompra de ações
Imagem: Shuttertstock

Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) apresentou um plano estratégico para resolver um dos seus maiores problemas: o alto nível de endividamento. A empresa, que atua nos setores de siderurgia, mineração, cimentos e infraestrutura, viu sua dívida líquida saltar de R$ 16,5 bilhões em 2021 para cerca de R$ 40 bilhões ao final de 2025.  

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Esse crescimento, somado a uma queda significativa na geração de caixa no mesmo período, pressionou a estrutura financeira da CSN e elevou a percepção de risco entre investidores, ao ponto de o volume de dívida ser um dos principais detratores da performance da ação em bolsa. 

Diante dessa situação, a necessidade de desalavancagem (redução de dívidas) tornou-se urgente. Segundo o plano estratégico, a CSN quer reduzir a alavancagem dos atuais 3,5 vezes a dívida líquida sobre Ebitda para 1 vez, em oito anos.  

O plano em detalhes 

O plano estratégico da CSN prevê a captação de R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões por meio da venda de ativos a partir de 2026. A ideia central é vender partes de negócios que não são o foco principal de crescimento da companhia neste momento, permitindo uma redução imediata da dívida líquida.  

Segundo a empresa, o processo de venda deve começar já em janeiro de 2026, com a expectativa de que os contratos sejam assinados entre o terceiro e o quarto trimestre deste ano. 

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As etapas de venda estão divididas em duas frentes principais: infraestrutura e cimentos.  

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No setor de infraestrutura, a CSN pretende vender fatias minoritárias de ativos logísticos, organizados em dois blocos: o Bloco Sul (que inclui participações na ferrovia MRS e terminais portuários como o Tecar e Tecon) e o Bloco Norte (ativos como a ferrovia Transnordestina).  

Já no braço de cimentos, a estratégia é mais agressiva: a CSN busca a venda do controle majoritário da CSN Cimentos.  

Embora um IPO (abertura de capital na bolsa) dessa unidade não tenha sido totalmente descartado, a empresa reconhece que uma venda direta para um parceiro estratégico é mais provável dadas as condições atuais do mercado.  

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Analistas estimam que essa divisão poderia ser avaliada em até R$ 10,5 bilhões, o que ajudaria significativamente a baixar a alavancagem para níveis mais saudáveis. 

BTG Pactual e o Itaú BBA consideram o plano da CSN oportuno e elogiaram o "senso de urgência" demonstrado pela administração.  

Contudo, a opinião é de que a execução será o fator determinante para o sucesso. Para a XP, o mercado ficará atento aos valores finais levantados e aos prazos, que serão críticos para cumprir a meta de redução da dívida. 

CSN tem metas ambiciosas  

A CSN estabeleceu objetivos de longo prazo extremamente ambiciosos, segundo os analistas.  

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A empresa planeja dobrar seu lucro operacional (Ebit) em oito anos e atingir um endividamento de apenas uma vez. Para chegar lá, a companhia aposta que a CSN Mineração (CMIN3) continuará sendo seu principal motor de crescimento, com planos de aumentar a produção de minério de ferro de 44 milhões para até 65 milhões de toneladas até 2030.  

Curiosamente, a venda de participação na CMIN não é uma prioridade, pois a empresa a considera um de seus melhores ativos e prefere mantê-la para acelerar seus investimentos futuros. 

Apesar do otimismo da diretoria, os desafios são consideráveis. Especialistas apontam que os valores de venda de R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões pressupõem valuations acima dos pares de mercado, o que pode ser uma visão otimista demais da companhia.  

É hora de investir na CSN?  

Diante das incertezas sobre a velocidade da desalavancagem, as indicações para as ações da CSN permanecem cautelosas.  

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O Itaú BBA mantém uma recomendação de market perform (equivalente a neutro), estabelecendo um preço-alvo de R$ 9,50 para o final de 2026. Esse valor significa que, na visão do banco, a ação pode ter uma leve queda ou estabilidade em relação aos preços atuais. 

O BTG também manteve a recomendação como neutra. O preço-alvo estabelecido pelo banco é R$ 10, indicando pouca valorização.  

“De forma geral, seguimos com uma visão cautelosa para o grupo nos próximos trimestres e enxergamos oportunidades de risco-retorno mais atraentes em outras empresas [do mesmo setor] sob nossa cobertura”, diz o relatório. 

Enquanto o plano de desinvestimentos não sair do papel, com valores e prazos concretos, a projeção é que a alavancagem da CSN permaneça relativamente estável em torno de 3,0x a 3,2x até 2028. 

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